Terrabatida: Reminicência de Canudos. Espetáculo em Temporada no Teatro Glauce Rocha

foto: João Lima
foto: João Lima

O novo espetáculo da Cia Plúmbea parte da pesquisa das xilogravuras do artista plástico Adir Botelho para compor quadros acerca do massacre de Canudos.  O artista desenvolveu por mais de 20 anos uma obra expressionista sobre a experiência narrativa de Euclides da Cunha no livro Os Sertões. A potência imagética apresentada nas xilogravuras de Adir foi inspiração para a pesquisa de movimento dos atores e o texto é composto de fragmentos do clássico de Euclides, passando por reportagens jornalísticas do século XIX e atuais, e obras de escritores estrangeiros.

Os corpos das xilogravuras apresentam-se em cena como flashes, resquícios de memória, reminiscências imagéticas do massacre que é um acontecimento histórico fundamental para um entendimento mais amplo acerca dos quadros sociais e das diferenças de classes que compõem o retrato de nosso país até hoje.

Em uma tentativa de estabelecer um diálogo entre os acontecimentos de Canudos e a violência estatal sofrida pela população pobre em nossa atualidade, foi percebido que atualmente há outra guerra se travando: nos morros e favelas com os quais a geografia carioca nos permite topar a cada virada de esquina, a cada cruzamento atravessado. Dessa forma, o trabalho se propõe a (re) unir Bahia e Rio de Janeiro em um mesmo panorama político, deslocando temporalidades.

Sobre a Cia Plúmbea:
A Cia Plúmbea é um grupo que pesquisa técnica e ética do ofício de ator. Trabalha a partir de processos coletivos, tendo como foco o treinamento, desenvolvimento e personalidade de cada integrante. Com sede no Rio de Janeiro (RJ), o interesse do grupo é difundir suas pesquisas e metodologia por meio de oficinas, demonstrações técnicas, intercâmbios de trabalho, trocas culturais, reflexões teóricas e projetos itinerantes.

As origens da Cia vêm do encontro de duas estudantes de Teoria do Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) através de conversas e interesses em comum, tais como estudos sobre os trabalhos de encenadores como: Etienne Decroux, Jacques Lecoq, Rudolf Laban, Jerzy Grotowski, Vsevolod Meyerhold, entre outros. A partir de estímulos de diferentes pesquisadores da cena, desenvolvem diariamente a própria metodologia que se transforma a cada proposta de pesquisa.

Sinopse:
O novo espetáculo da Cia Plúmbea parte da pesquisa das xilogravuras do artista plástico Adir Botelho para compor quadros imagéticos acerca do massacre de Canudos. Durante o processo de pesquisa, foi percebido que atualmente há outra guerra se travando: que similaridades e semelhanças podem (re) unir Bahia e Rio de Janeiro em um mesmo panorama político, seja ele de outro século ou do atual? 

Serviço:
De 19 a 29 de maio, de quarta a domingo, às 19h
Estreia: 19/05 – quinta-feira
Classificação: a partir de 14 anos
Duração: 55 min
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Ficha Técnica

Atuação, Coreografia e Dramaturgia: Ana Cecilia Reis e Paulo Barbeto
Concepção, Direção e Roteiro: Ana Cecilia Reis
Cenário e iluminação: Raphael Vianna
Assistência de Direção: Pedro Martins
Direção de Movimento: Ana Cecilia Reis
Supervisão de Movimento: Mariana Pimentel
Workshop do Passinho: Luan Almeida e Victor Pinto
Orientação Teórica: André Gardel
Pesquisa Bibliográfica: Marcos Melo
Pesquisa Musical: Cia Plúmbea e Pedro Martins
Gravação e Mixagem: Alexandre Rabaço
Edição e Operação de Som: Pedro Martins
Operação de Luz: Raphael Vianna
Design Gráfico: Rodrigo Domit e Pedro Martins
Fotografia e Vídeo: Sete Cores Filmes e João Lima
Produção: Cia Plúmbea