Tem um psicanalista na nossa cama

Escrita há mais de 30 anos por João Bethencourt, um dos maiores autores brasileiros do gênero, a comedia Tem Um Psicanalista na Nossa Cama continua atual e já foi montada com sucesso em 27 países. Agora, ela ganha mais uma vez os palcos cariocas, a partir do dia 18 de setembro no Teatro Vannucci, na Gávea. Ensaios abertos dias 11, 12 e 13 de setembro. Sessão para convidados dia 17 de setembro.

Tem Um Psicanalista na Nossa Cama - Cristiano Gualda e Solange Badim - foto: Guga Melgar
Tem Um Psicanalista na Nossa Cama - Cristiano Gualda e Solange Badim - foto: Guga Melgar

O texto narra a trajetória de uma mulher, Dolores (Solange Badim) em busca de sua identidade, tendo como ponto de partida a suspeita de que o marido, Eduardo (Lucci Ferreira) a esteja traindo. Os eternos problemas do relacionamento entre homens e mulheres; as crises conjugais, as neuroses e as fantasias de um casal de classe média, todos já conhecidos do público são discutidos em cenas bem estruturadas e com um humor elegante. Para costurar toda essa trama, a diretora Gláucia Rodrigues fez um intenso trabalho de leitura do texto com os atores, onde cada um foi descobrindo as nuances de cada personagem. Com trinta anos de carreira como atriz, este é o segundo trabalho de Gláucia na direção, um projeto antigo que ela começou a tocar em 2014 com a peça Fazendo História, de Alan Bennett. “Eu ainda estou perseguindo o objetivo de ser uma grande atriz depois de 30 anos de profissão. Como diretora, estou ensaiando e aprendendo”, garante Gláucia.

Escrita em 1979, Tem Um Psicanalista na Nossa Cama além do sucesso nacional, já foi montada em 27 países e é um dos textos mais conhecidos de João Bethencourt. “Eu não assisti a nenhuma das montagens anteriores, e acredito que um texto teatral não possui prazo de validade. Tem todo um público jovem que não conhece o trabalho do João e quero com esse trabalho fazer uma homenagem a ele, que foi um dos nossos maiores dramaturgos. Escreveu 40 peças em 50 anos de carreira e muitas delas estão sendo montadas até hoje em vários países mundo afora. Tenho na mão um texto maravilhoso e três atores maravilhosos. Está sendo um prazer enfrentar esse desafio”, completa a diretora.

A peça fala de complexos, libido, superego e outros termos habitualmente usados pôr quem faz ou não análise. A beira da histeria, a esposa recorre a um psicanalista sem saber que este fora colega do marido nos bancos escolares. O psicanalista freudiano ortodoxo (Cristiano Gualda), funciona como uma espécie de pivô da briga.  Os agressivos ciúmes da esposa, entretanto, massageiam o ego machista do marido, ajudando-o a melhorar a performance sexual doméstica. Enfim…, nesta trama, sexo, cama e psicanálise andam sempre juntos em cenas hilariantes, inteligentes e sem nenhum tipo de apelação. “É um texto muito instigante. Uma comédia divertida, mas que a mesmo tempo nos propõe muitas reflexões”, garante o ator Lucci Ferreira que já dividiu o palco com Gláucia Rodrigues em dois espetáculos: O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e Thérèse Raquin, de Émile Zola. “O fato de termos trabalhado juntos como atores ajudou a manter uma relação de confiança agora que ela está dirigindo”.

Outra velha conhecida da diretora é a atriz Solange Badim. As duas estiveram juntas no elenco da peça As Armas e o Homem de Chocolate, de Bernard Shaw, em 1995, primeira montagem da Júpiter Teatro Produções, também responsável pelo reencontro das duas neste novo trabalho. “São 20 anos. Na época concorremos até a prêmios juntas! Estou adorando esse reencontro. Gláucia tem se revelado uma diretora inteligente, perspicaz, que sabe perceber e tirar o melhor de cada ator”, conta Solange que interpreta Dolores. “É uma personagem muito rica, cheia de nuances e com vários tons. E o fato do texto ter sido escrito na década de 70 não muda nada. As questões das relações humanas como amor e ciúmes são atemporais. Nesse sentido a peça é muito atual”, garante a atriz.

Nome muito ligado aos musicais, Cristiano Gualda vai encarar pela primeira vez um personagem com uma veia mais dramática. Recém-saído do espetáculo superpremiado Samba Futebol Clube, o ator confessa que o texto de Bethencourt foi o surpreendendo a cada ensaio. “É uma comédia inteligente que faz pensar e meu personagem é responsável por este lado mais profundo. Para mim tem sido uma experiência incrível. Venho de musicais em que sempre interpreto personagens mais energéticos, onde tenho que cantar e dançar.  E esse psicanalista é o contrário disso. Está quase sempre sentado em cena. Por isso tenho me sentido trabalhando mais com a mente do que com o corpo. E está sendo muito prazeroso”, conta Gualda, que tem certeza do sucesso da peça já que ele e Solange Badim podem se considerar uma dupla pé quente. “Fizemos muitos trabalhos juntos como Cristal Bacharach, da dupla Charles Müller e Cláudio Botelho; Oui Oui a França é Aqui, dirigido por João Fonseca, e durante 3 anos estivemos juntos no musical Emilinha e Marlene, As Rainhas do Rádio, direção de Antônio De Bonis. Solange é uma pessoa muito querida e todos os trabalhos que fizemos juntos sempre foram sucesso”.

Tem Um Psicanalista na Nossa Cama - Cristiano Gualda e Solange Badim - foto: Guga Melgar
Tem Um Psicanalista na Nossa Cama – Cristiano Gualda e Solange Badim – foto: Guga Melgar

 

O AUTOR
Em 50 anos de carreira como autor, João Bethencourt escreveu mais de 40 peças. Dentre elas, O DIA EM QUE RAPTARAM O PAPA – foi encenada em mais de 40 países até agora e continua em cartaz: só em junho e julho de 2015 foi remontada em cidades como Wertheim e Plauen na Alemanha e reapresentada duas vezes na TV Tcheca. Outros textos de João Bethencourt como BONIFÁCIO BILHÕES, COMO MATAR UM PLAYBOY, TEM UM PSICANALISTA NA NOSSA CAMA, O PADRE ASSALTANTE, O DIA EM QUE ALFREDO VIROU A MÃO, foram e continuam sendo encenados fora do Brasil.

Sua carreira como diretor não foi menos agitada: dirigiu mais de 80 espetáculos de teatro, alguns de considerável sucesso de público e de crítica: O DOENTE IMAGINÁRIO, O AVARENTO, AS MALANDRAGENS DE SCAPINO e L´ÉCOLDE DES FEMMES, de Molière, AS FEITICEIRAS DE SALÉM de Arthur Miller, SUMMER AND SMOKE de Tennessee Williams (em Portugal), UM ELEFANTE NO CAOS de Millôr Fernandes, A CANTADA INFALIVEL de Georges Feydeau, O AMANTE DESCARTÁVEL de Gérard Lauzier, A DIVINA SARAH de John Murrell, O ESTRANHO de Edgard da Rocha Miranda, NOSSA CIDADE de Thornton Wilder, PAIS BSTRATOS de Pedro Bloch,   LINHAS CRUZADAS de Allen Ayckbourne, LILY ET LILY de Barillet e Grédy, THE FRONT PAGE (CHICAGO 1930) de Bem Hecht e Charles Mac Arthur, A GAIOLA DAS LOUCAS e QUARENTA QUILATES de Barillet e Grédy, PLAZA SUITE de Neil Simon,  LINHAS CRUZADAS de Allen Ayckbourne.

Inaugurou o Teatro Glória, celebrou os vinte anos do Teatro Copacabana com sua peça FRANK SINATRA 4815, deu ao TABLADO seu primeiro grande sucesso com NOSSA CIDADE, foi Secretário de Cultura do governo de Carlos Lacerda (diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação com Carlos Flexa Ribeiro de Secretário) realizou uma das primeiras grandes reformas do Teatro João Caetano, foi chefe do Serviço de Teatro da Secretaria de Educação, continuando a obra de Maria Clara Machado de levar os espetáculos da cidade para os teatros dos subúrbios.

Em 1960 recebeu da Associação Carioca de Críticos Teatrais o prêmio de Melhor Diretor do ano pela montagem da peça Um Elefante no Caos (de Millôr Fernandes) em 1975 o Prêmio Governador de Estado do Rio como Diretor do Ano pela montagem de O Doente Imaginário, de Molière.

Em 1963 foi convidado para trabalhar em Londres como assistente de direção de George Devine, o grande reformador do teatro inglês, no Royal Court Theatre, onde participa da montagem de Exit the King, de Ionesco, estrelada por Alec Guiness.

Estudou teatro no Departamento de Drama da Universidade de Yale, foi o primeiro brasileiro a obter o diploma de MFA (Master of Fine Arts) num tempo em que mestrado significava mestre de obras, deu seis palestras sobre direção teatral ao voltar dos Estados Unidos, foi contratado por Santa Rosa e criou no Conservatório de Teatro do SNT a cátedra de Direção Teatral (inaugurando o primeiro curso de Direção Teatral no país, que seria a base do atual Departamento de Direção da UNI-RIO) e tornou-se professor titular de Dramaturgia e Direção Teatral da UNI-RIO, escreveu e dirigiu dois filmes documentários sobre o teatro: A LINGUAGEM DO TEATRO com Fernanda Montenegro e FRAGMENTOS DE DOIS ESCRITORES, focalizando Nelson Rodrigues e Edward Albee.

Tem Um Psicanalista na Nossa Cama - Cristiano Gualda e Solange Badim - foto: Guga Melgar
Tem Um Psicanalista na Nossa Cama – Cristiano Gualda e Solange Badim – foto: Guga Melgar

FICHA TÉCNICA:
Solange Badim – Dolores
Lucci Ferreira – Eduardo
Cristiano Gualda – Psicanalista
Direção – Gláucia Rodrigues
Cenário – José Dias
Figurino – Colmar Diniz
Iluminação – Rogério Wiltgen
Programação Visual – João Guedes
Fotos – Guga Melgar
Divulgação – Ana Gaio
Produção Executiva – Valéria Meirelles
Direção de Produção – Edmundo Lippi
Realização Júpiter Teatro Produções

SERVIÇO:
Local: Teatro Vannucci – Shopping da Gávea – Rua Marques de São Vicente 52 – Gávea
Tel.: 22747246
Horário: de 5ª à Domingo – Quinta, sexta e Sábado às 21:30h/Domingo às 20:30h
Preço: 5ª – R$ 60,00/sexta e Domingo – R$ 70,00/Sábado – R$ 80,00
Classificação etária:12 anos
Duração do espetáculo: 90 minutos
Temporada: de 18 de setembro a 08 de novembro (dia 17/09 – estreia para convidados)
Ensaios abertos dias 11, 12 e 13 de setembro – preço R$30,00

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