Tânia Pires e Moacyr Goes montam texto inédito do universo de Ibsen

Ibsen Venusianas é o resultado do projeto vencedor do prêmio norueguês Ibsen Scholarship 2014, pela 1ª vez conferido ao Brasil

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

A trajetória da atriz e produtora cultural Tânia Pires está entrelaçada com a obra de Henrik Ibsen (1828-1906) há mais de dez anos, quando levou ao palco, em 2004, O Pequeno Eyolf, na montagem que representou o país, pela 1ª vez, no Ibsen Festival, em Oslo. Dez anos depois – ao longo dos quais realizou o Festival Centenário Ibsen (2006), ministrou oficinas em todos os países de língua portuguesa a partir da obra do dramaturgo norueguês (2009) e montou no Rio A Dama do Mar, com direção de Paulo de Moraes (2014) –, Tânia se torna a primeira brasileira vencedora do prêmio norueguês Ibsen Scholarship, conferido desde 2008 a projetos inovadores sobre a obra do autor. O resultado é o espetáculo inédito Ibsen Venusianas, com dramaturgia de Weydson Leal (com a qual colaborou Maurício Arruda de Mendonça) e direção de Moacyr Góes, que ocupa o Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto de 18 de novembro a 20 de dezembro, com produção e realização da Talu Produções.

“Quando elaborei esse projeto, pensei imediatamente no Moacyr, por ser uma proposta de criação e pesquisa, calcada em cima do trabalho do ator. Nós temos um entendimento muito próximo sobre a dramaturgia de Ibsen e desde que trabalhamos juntos, há mais de dez anos, tentamos realizar essa parceria”, explica Tânia.

Depois da temporada carioca, está no projeto a itinerância internacional, por países com Cabo Verde, Espanha, Portugal e Moçambique, onde Moacyr também ministrará oficinas de formação. Em setembro, segue para uma apresentação em Skien, cidade natal de Ibsen e sede do prêmio, na Noruega.

A ideia central de Tânia foi falar sobre as questões femininas abordadas na obra de Ibsen, trazendo-as para os dias de hoje e identificando-as em diversos países do mundo. O ponto de partida foi sua experiência nas oficinas de teatro realizadas em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, que envolveu ao todo mais de 1.500 profissionais em torno da obra do dramaturgo. “Foi uma experiência transformadora para mim e certamente para todos aqueles artistas. Foi impactante apresentar o universo  das mulheres de Ibsen, na verdade tão próximo, a sociedades tão diversas”, revela.

O resultado é a história da atriz brasileira Milena (Tânia Pires) e do artista plástico cabo-verdiano Antonio (Vinícius Piedade). Os dois se conhecem em Cabo Verde, durante uma aula de Milena a um grupo de atores locais, se apaixonam, casam e se mudam para o Brasil. A primeira exposição do artista no país é um sucesso. Dois anos depois, com a relação desgastada muito em parte pela obsessiva atenção que Antonio dedica a seu trabalho, um convite para Milena atuar em Cabo Verde, às vésperas da segunda mostra de Antonio, é o estopim de uma crise conjugal.

Foto: Leo Aversa
Foto: Leo Aversa

Além da inspiração na própria trajetória de Tânia, que assim como Milena é atriz e lecionou em Cabo Verde, outro ponto em comum com a história tem relação com o ator paulistano Vinicius Piedade, que Tânia conheceu há alguns anos em circunstâncias parecidas. “O Vinicius foi uma escolha natural para o papel. Já admirava seu trabalho e ele também teve essa vivência em Cabo Verde, onde o conheci, que traz uma verdade ainda maior para o personagem”, acredita.

“Este trabalho faz uma série de questionamentos, sobre a atualidade da obra de Ibsen, os conceitos que definem a arte contemporânea e os seus limites, se o teatro ainda conta uma história ou não, por exemplo”, diz o diretor Moacyr Góes.

A história, contada de forma não-linear com diversas passagens de tempo, é ambientada na casa-ateliê onde vivem Milena e Antonio no Brasil. A cenógrafa Teca Fichinski criou uma estrutura retangular formada por andaimes de dois níveis, com 2,4m de altura, por onde os atores se movimentam e de onde parte a iluminação de Maneco Quinderé. “É um cenário que exige muito esforço físico dos atores. Minha preocupação é criar uma cena estruturada a partir deles. Em função do texto, do jogo da palavra e da fisicalidade do cenário, a peça é construída concretamente aos olhos do público”, explica o diretor.

Durante o espetáculo, as tintas são manipuladas pelos personagens e deixam marcas no cenário e nos figurinos, assinados por Carol Lobato, que não serão apagadas durante a temporada, modificando esses elementos a cada sessão, como em uma obra em construção. Os figurinos das personagens vão se desenhando ao longo da peça através de modificações feitas pela própria personagem, de acordo com a cena.

IBSEN VENUSIANAS

Ficha técnica
Concepção do projeto: Tânia Pires
Dramaturgia: Weydson Leal, com colaboração de Maurício Arruda Mendonça
Direção cênica: Moacyr Góes

Elenco:
Tânia Pires – Milena
Vinícius Piedade – Antônio
Cenografia: Teca Fichinski
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Carol Lobato
Trilha Sonora: Moacyr Góes
Direção de Produção: Talu Produções & Marketing
Realização: Talu Produções 

Serviço
De 18 de novembro a 20 de dezembro
Quarta, quinta e domingo, às 20h. Sexta e sábado, às 21h.

*com apresentações extras nos dias 02, 09 e 15 de dezembro, às 20h, e dia 20 de dezembro, às 17h.

Ingressos – R$15 (meia) ou R$10,00 na campanha Teatro para Todos

Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto

Lotação: 98 lugares

Endereço: R. Humaitá, 163 – Humaitá

Bilheteria: Telefone – 2535-3846

Classificação etária: 14 anos

Duração: 70 minutos

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