Sinhá Zózima encena peça em ônibus de linha

Trupe estreia a temporada do espetáculo ‘Os minutos que se vão com o tempo’, em cinco trajetos quem ligam os extremos de São Paulo

Os minutos que se vão com o tempo, com Tatiane Lustoza - Trupe Sinhá Zózima (foto: Christiane Forcinito)
Os minutos que se vão com o tempo, com Tatiane Lustoza - Trupe Sinhá Zózima (foto: Christiane Forcinito)

São Paulo – A partir de 15 de março, ônibus de cinco linhas que partem do Terminal Urbano Parque Dom Pedro II (av. do Estado, s/n. Sé) recebem o espetáculo Os minutos que se vão com o tempo, novo trabalho cênico da Trupe Sinhá Zózima, grupo teatral que, desde 2009, reside artisticamente no terminal e que pesquisa o ônibus como espaço de investigação, democratização e descentralização do encontro da arte com passageiros.

Com encenação de Anderson Maurício e dramaturgia, em processo colaborativo, de Cláudia Barral, o espetáculo da Trupe Sinhá Zózima é um caminho que se propõe a acompanhar os passageiros em seus variados destinos. Uma jornada de trajetos afetivos e geográficos, proposto por figuras que alteram as bordas do cotidiano no transporte coletivo, local onde é encenada a peça, onde encontramos seres humanos em construção como tantos, em falta, como todos nós. 

A criação parte de três eixos de inspirações: os relatos de vida de passageiros do transporte público; a Odisseia de Homero, que conta a longa travessia de Ulisses em seu retorno para casa; e a experiência na caminhada dos próprios artistas pesquisadores que percorreram o percurso da linha 4313/10 (Terminal Parque Dom Pedro II via Terminal Cidade Tiradentes), em 12 horas, das 7h às 19h, em aproximadamente 33 km de caminhada a pé.

Contemplado pela 24ª edição da lei municipal de Fomento ao Teatro para cidade de São Paulo e com apoio de cessão de espaço da SPTrans, o espetáculo ocorre em ônibus do transporte público que circulam pelas ruas da cidade. Uma encenação que é fragmentada pelo olhar de passageiros que entram e saem o tempo todo, numa impermanência do encontro daqueles que passam por esse veículo de deslocamentos. “Estamos há tanto tempo no ônibus pesquisando suas peculiaridades e potencialidades, tanto tempo no Terminal Parque Dom Pedro II, que se tornou fundamental nos aprofundarmos na investigação do ônibus de linha, na criação de territórios sensíveis para que a cidade com todas as suas diferenças se encontre e se reconheça, se reconecte”, afirma o encenador Anderson Maurício.

Com quase dez anos de pesquisa do ônibus como espaço de encenação, a Trupe contou com o apoio de diversos grupos e artistas para a elaboração do trabalho, como a assessoria do Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO) da Universidade de São Paulo (USP), a assessoria do diretor musical Luiz Gayotto e da pesquisadora Andrea Cavinato (doutora pela USP). Além disso, realizou debates com Andrea Paula dos Santos, APE – Estudos em Mobilidade, Eduardo Okamoto, Gilberto Figueiredo Martins, Marcos Ferreira Santos, Raquel Rolnik, Rodrigo Leite Morais e Ruy Braga. E longas conversas com o passageiro Aguinaldo Lago, que também compartilhou histórias de seus diários pessoais.

As apresentações do espetáculo Os minutos que se vão com o tempo partem do Terminal Urbano Parque Dom Pedro II, a partir do dia 15/3, sempre às terças, quintas e sábados, às 20h e seguem, em percurso alternado, por cinco linhas que levam aos terminais Cidade Tiradentes, São Mateus, Santo Amaro, São Miguel e João Dias. O espetáculo começa antes do embarque, na plataforma do Terminal Parque Dom Pedro II, e continua no percurso de ida até os terminais de destino, com duração de aproximadamente 120 minutos.

Serviço

Os minutos que se vão com o tempo

teatro | livre | aprox. 120 min | espetáculo em ônibus de linha em movimento

Encenação de Anderson Maurício e dramaturgia (em processo colaborativo) de Cláudia Barral. Com Trupe Sinhá Zózima (Anderson Maurício, Cleide Amorim, Junior Docini, Maria de Alencar, Priscila Reis, Tatiana Nunes Muniz e Tatiane Lustoza)

E se cada minuto fosse uma semente, quantas florestas teríamos perdido? Embarcar rumo à casa, esse lugar dentro de si, é atravessar imensidões, internas e externas, imensidões marítimas, urbanas, íntimas e passageiras. O tempo é vida preciosa, travessia que pode nos ensinar a semear cantigas d’alma, colher sons que vem do coração, cantar a música dos nossos dias. O espetáculo é um caminho que se propõe a acompanhar os passageiros em seus variados destinos. Uma jornada de trajetos afetivos e geográficos, proposto por figuras que alteram as bordas do cotidiano no transporte coletivo, local onde é encenada a peça, onde encontramos seres humanos em construção como tantos, em falta, como todos nós. 

De 15 de março à 30 de abril

sempre às terças, quintas e sábados | 20h

local de partida: Terminal Urbano Parque Dom Pedro II (av. do Estado, s/n. Sé)

local de encontro: Plataforma zero (próximo as catracas e caixas bancários)

 

Datas e linhas de embarque

15/03, 07/04, 16/04, 23/04_ sentido Terminal Cidade Tiradentes, linha 4313/10

17/03, 29/03, 09/04, 26/04_ sentido Terminal São Mateus, linha 3141/10

19/03, 31/03, 12/04, 28/04_ sentido Terminal Santo Amaro, linha 5111/10

22/03, 02/04, 14/04, 30/04_ sentido Terminal São Miguel, linha 3301/10

24/03, 05/04, 19/04_ sentido Terminal João Dias, linha 6403/10

 

Ingressos: valor da passagem do ônibus

Duração: 120 minutos

Obs: O espetáculo inicia no terminal antes do embarque e segue dentro do ônibus de linha no percurso de ida até os terminais.

Informações: (55 11) 9.8053-0652 | contato@sinhazozima.com.br

Trupe Sinhá Zózima

A Trupe Sinhá Zózima é um grupo de teatro, formado por atores profissionais que, desde 2007, pesquisa o ônibus urbano como espaço cênico, espaço de descentralização e democratização do acesso às artes. Durante os anos de pesquisa, a Trupe desenvolveu diversos projetos que culminaram na criação e realização dos espetáculos Cordel do amor sem fim (2007) – de Cláudia Barral, apresentado mais de 450 vezes em vários estados brasileiros e também encenado no continente europeu, Valsa nº 6 (2009) – de Nelson Rodrigues, O poeta e o cavaleiro (2010) – livre inspiração na obra literária de Pedro Bandeira e contemplado com o Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), Dentro é lugar longe (2013) – de Rudinei Borges e dos projetos 1º Mostra de Teatro no Ônibus (2009) e Plantar no ferro frio do ônibus o ninho – Residência artística por um teatro do encontro sem fronteiras (2012/2013) – contemplado pela 20ª edição do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo. Foi um dos grupos selecionados para representar o Brasil no I Mercado de Indústrias Culturais dos Países do Sul (Micsul), em maio de 2014. Em junho de 2014 iniciou as ações do projeto Os minutos que se vão com o tempo: da imobilidade urbana ao direito à poesia, à cidade e à vida, contemplado pela 24º Edição da Lei de Fomento.

Além disso, todas às terças-feiras, às 20h, os frequentadores do Terminal Urbano Parque Dom Pedro II, localizado na av. do Estado, s/n – São Paulo, têm acesso gratuito à programação artística e cultural por conta da ação Toda Terça Tem Trabalho, Tem Também Teatro! – um dos braços do projeto Arte Expressa, uma residência-resistência artística, já que é preciso vencer constantemente os desafios e as burocracias. Mas a Trupe Sinhá Zózima segue, pois acredita que, ao criar espaços para a manifestação das artes, promove-se vantajoso diálogo com a sociedade a partir da reflexão sobre democratização das artes, transporte coletivo e revitalização de lugares públicos. E o melhor é que as pessoas estão abertas para o encontro.

site: www.sinhazozima.com.br

facebook: www.facebook.com/sinhazozimaoficial

fotos: www.flickr.com/photos/sinhazozima

vídeos: www.youtube.com/user/sinhazozimaoficial

publicações: https://issuu.com/trupesinhazozima

 

 

 

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