Sesc Santana abriga Hiper_arte 2016, uma mostra de convergências no corpo

Pautado pelo conceito de hibridismo e pelo sentido dos movimentos de expansão das linguagens artísticas, o projeto propõe olhar para a mistura de diferentes materialidades na arte contemporânea, que tem a experiência vivida no corpo como protagonista

Very Nervous System - Foto Risa Horowitz, Willian Eakin, Liz Garlicki - Arte Mike Carroll
Very Nervous System - Foto Risa Horowitz, Willian Eakin, Liz Garlicki - Arte Mike Carroll

Em tempos e espaços hiper, elásticos, pelos quais informações de todos os tipos viajam, coexistem, se estilhaçam e hibridizam, a fisicalidade da experiência sensível torna-se o ponto nevrálgico das convergências contemporâneas entre as artes. A partir desta premissa, o Sesc Santana, entre os dias 26 de abril e 1 de maio, acolhe a “Hiper_arte 2016 – mostra de convergências”, concebida pelos artistas Lali Krotoszynski e Rogério Salatini, que apresenta um grupo de obras, cursos, oficinas e conversas que lidam com cruzamentos entre meios, processos e poéticas, tendo sempre o corpo como ponto de interseção.

A abertura da Mostra acontece no dia 26 de abril (terça-feira), às 21h, no Deck de Entrada, com a performance “Sincericídio”, da artista Thais Di Marco.Em seguida o público é convidado a visitar os espaços expositivos da mostra, que receberão os trabalhos “Very Nervous System”, do canadense David Rokeby, pela primeira vez no Brasil, e “Coleção de Bolso”, do artista Lucas Bambozzi, criada especialmente para o projeto, ambos nas áreas de convivência.

O projeto Hiper_arte procura se estabelecer como ação de construção de um espaço artístico aberto ao intercâmbio entre trabalhos de diferentes naturezas e materialidades. “A Hiper_arte simula territórios que existem sem ser habitados, lugares de passagem, espaços “entre”, que se fazem e desfazem, pois não se circundam determinantemente de referências históricas e identitárias, tampouco as desconsideram”, expõe Rogério Salatini. “Tomar o corpo como ponto central dos cruzamentos propostos na mostra, relaciona-se também aos novos estudos da cultura, como a ideia de ecologia cognitiva, que trata a experiência no ambiente como algo fundamental na constituição deste corpo”, contextualiza Lali Krotoszynski.

Para além do conceitual, na prática a “Hiper_arte 2016 – mostra de convergências” é um espaço de convivência entre meios (habilidades e recursos), processos (movimento de um estado a outro) e poéticas (modos de existir), gerando conflitos e ajustes. 

Segue abaixo a programação completa:

Performance “Sincericídio”, com Thaís Di Marco | 26/04. Terça, às 21h | Deck de entrada | Livre | Grátis

 A artista trabalha com sua atenção voltada a discriminar os pensamentos que surgirem enquanto está em cena. Chama esse processo de “Livre Associação Raivosa”. O procedimento constitui-se da associação de um tipo de pensamento para um tipo de  movimento acompanhado ou não de verbalização a se realizar durante a apresentação. Por sua vez, a ação determinada por um pensamento traz em si novas associações, gerando o fluxo de manifestações verbais e corporais que constituem o Sincericídio. O trabalho é uma homenagem a artistas de todas as idades.

Artista independente, atriz, bailarina, cantora e arte educadora, Thaís Di Marco é criadora de trabalhos como “Eu quero ser gorda” (2013), “SPA Machista” (2013), “Paper War” (2013), Epidemia (2014). Fez parte, em 2013, do programa de residência artística P.O.R.C.H. – Ponderosa, em Stolzenhagen e Berlin, onde participou da residência artística “As Três Irmãs”, sob direção de Olivia Cursini, do Theatre Du Soleil. Criação: Thaís Di Marco | Trilha: Gabriel Milliet | Orientação: Adriana Grechi | Duração: 20min.

 

Instalação – “Very Nervous System” (Sistema Muito Nervoso), de David Rokeby | 26/04 a 01/05. Terça a sexta, das 9h às 22h. Sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 17h.  

Área de Convivência | Livre | Grátis

Obra (1982-2003)  pioneira de arte interativa, que traduz, em tempo-real, gestos corporais em ambientes sonoros e musicais. Foi apresentado na Bienal de Veneza em 1986, e premiado com o Prix Ars Electronica para arte interativa em 1991. Nos últimos 35 anos, Very Nervous System tem sido amplamente exibido internacionalmente. Além de sua longa vida como instalação, o sistema tem sido utilizado em shows musicais, teatro e dança, e em workshops de música para regentes de música clássica.

Artista canadense, baseado em Toronto, David Rokeby trabalha com uma variedade de mídias digitais para explorar criticamente seu impacto na vida contemporânea. Ele tem apresentado seu trabalho e realizado palestras internacionalmente, tendo recebido vários prêmios, incluindo o Governor General’s Award in Visual and Media Arts (2002), o Prix Ars Electronica Golden Nica for Interactive Art (2002), e o prêmio para obras interativas do British Academy of Film and Television Arts BAFTA (2000).

 

Exposição – “Coleção de Bolso”, de Lucas Bambozzi | 26/4 a 1/5. Terça a sexta,  9h às 22h. Sábado, das 10h às 21h. Domingo, das 10h às 17h. | Área de Convivência | Livre | Grátis

Série de trabalhos em vídeo que mostram obras renomadas e reconhecíveis de arte moderna e contemporânea, ícones do século XX, cujas imagens circulam facilmente pela internet, como Étand Donnés e Nu descendo a escada nº2, de Duchamp, ou a ação Divisor, de Ligia Pape, fazendo referência à reprodutibilidade infinita dessas imagens. As obras escolhidas têm o corpo como elemento central, em representações que envolvem movimento, sempre mediados por tecnologias de reprodução.

Lucas Bambozzi é artista e pesquisador em novas mídias, com exibições em mais de 40 países. Graduado em Comunicação Social pela UFMG, possui MPhil em Filosofia da Computação pela Universidade de Plymouth, Inglaterra. Professor no curso de artes visuais na FAAP e doutorando na FAU-USP, dedica-se à exploração crítica e artística de novos formatos de mídia independente.

Curso – “Fotografia Encenada”, com Mario Ramiro | 27 a 29/04. Quarta a sexta, das 14h às 17h. Sala de Múltiplo Uso III | inscrição pelo e-mail: oficinasvisuais@santana.sescsp.org.br|Acima de 16 anos | Grátis

O curso sugere a criação de um retrato ou de uma narrativa visual a partir de elementos como a pose, a encenação, a escolha do lugar, a caracterização do ambiente e do personagem, o uso de objetos. A mise-en-scène que se requer na fotografia encenada é essencialmente uma ação de espírito artístico, de ativação de elementos simbólicos, materiais e luminosos. Público alvo: artistas, performers, atores, estudantes, o público em geral. 20 vagas.

Mario Ramiro é artista multimídia. Sua produção reúne intervenções urbanas, redes telecomunicativas, esculturas, instalações ambientais, fotografia e arte sonora. É mestre em fotografia e novas mídias pela Escola Superior de Arte e Mídia de Colônia, na Alemanha, e doutor em artes visuais pela Universidade de São Paulo, onde trabalha no Depto. de Artes Plásticas e no Programa de Pós-graduação da ECA.

Bate – papo – “Poéticas em Tempo Real”, com Marcus Bastos e Lucas Bambozzi e mediação de Patrícia Morin Fernandes | 27/04. Quarta, às 20h | Deck do Jardim | Livre | Grátis

O encontro tem como proposta refletir sobre questões atuais das artes audiovisuais, como a presença do corpo como ativador de narrativas e poéticas, o entendimento da tela como interface, a reinvenção do espaço da projeção e a radicalização dos processos de hibridização em diferentes mídias.

Marcus Bastos é professor da PUC-SP e da ECA-USP. Escreveu os livros Limiares das Redes (Intermeios, 2014) e Cultura da Reciclagem (Noema, 2007 ebook). Criou obras como Interface Disforme (2006), ausências (2009, com Dudu Tsuda), delayscapes (2014), Estudo para Lugar Nenhum (2014, com Vera Sala e Hideki Matsuka) e contra correntes (2015). Foi curador de exposições e festivais como arte.mov _ Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis (2006-2011), Geografias Celulares (2009) e Performix / Satyrianas (2014).

Patrícia Moran é professora e pesquisadora da ECA/USP e diretora do CINUSP Paulo Emílio. Dirigiu diversos curtas narrativos, não-narrativos, documentários e vídeos, e recebeu vários prêmios. Pesquisa projeções audiovisuais ao vivo, em galerias, festas noturnas, espaços públicos e museus. Autora de artigos sobre o tema, organizou o livro Cinema Transversais, ed. Iluminuras.

Performance – “HTML: o corpo hypertexto”, com Daniela Dini, Luis Ferron e Téo Ponciano | 28/04. Quinta, às 20h30 | Teatro | Livre | Grátis

 A performance utiliza um conceito da computação – HTML: HyperText Markup Language -, termo que se refere ao conjunto de informações que deslocam o “leitor”, por meio de links,  em percursos, reelaborações e desdobramentos de um determinado assunto – como metáfora e dispositivo de criação. O trio de artistas parte do corpo e de sonoridades, pautado por tradições culturais e populares, em direção a possíveis variáveis pertinentes a estes corpos, na contemporaneidade e em constante deslocamento. A pesquisa teve inicio no Programa Rumos Dança Itaú Cultural-2012/13.

Daniela Dini formou-se em Performance e Dança no curso de Comunicação das Artes do Corpo da PUC-SP. Dedica-se à pesquisa e à criação-solo, à investigação multimídia na fronteira entre canto e música, à dança e às artes visuais. Foi contemplada pelo Rumos Itaú Cultural Dança – Coreografia e Prêmio Funarte Klauss Vianna.

Luis Ferron é artista da dança desde 1982 e pós-graduando em artes da cena pela Unicamp. Tem como característica principal o trânsito entre diversidades corporais e culturais como premissa para suas criações, fazendo dos deslocamentos a sua mobilidade.

Teo Ponciano é percussionista, VJ, sonoplasta, cenotécnico, técnico eletrônico e de som. Trabalha e pesquisa percussão acústica em interação com os meios eletrônicos. Cria ambiências e trilhas sonoras para teatro e eventos, pesquisa e desenvolve instrumentos próprios, assim como dispositivos para obtenção de efeitos cênicos interagindo com música e vídeo.

Performance – “Isso Não É Um Espetáculo”, com Clarissa Sachelli e Cláudia Müller

29/04. Sexta, às 20h30. | Teatro | Livre | Grátis

Resultado de uma residência artística desenvolvida por Cláudia Müller e Clarissa Sacchelli e apoiada pelo programa Rumos Dança 2012-2014. A pesquisa proposta por esta residência fundou-se em práticas artísticas baseadas em experimentações e ideias de fracasso, dúvida, “não-saber”, “não-eficiência”, “não-finalidade” e improdutividade.  Ao negar sua intrínseca condição de espetáculo, questiona seu formato de apresentação e interroga o circuito que envolve embalagem, assinatura e mecanismos de negociação de um produto artístico. O público, se desejar, pode participar da negociação desse produto.

Cláudia Müller é artista com projetos desenvolvidos em dança, performance, vídeo e instalação. Investiga as poéticas e políticas do encontro, os modos de visibilidade da dança contemporânea e as relações entre arte e cotidiano. Mestre em Artes pela UERJ (2012), é professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Clarissa Sacchelli é artista da dança. Trabalha com coreografia, performance e escrita. A relação entre produção, produto e recepção é interesse recorrente na sua trajetória artística. Criou Sem título (2011), Performance (2012), Isso é uma habitação (2013), Isso não é um espetáculo (2013/2014, em parceria com Cláudia Müller) e Índice para Escuta(2014, em parceria com Rodrigo Andreolli). Recentemente, atuou em trabalhos de Tino Sehgal, Eszter Salamon, João dos Santos Martins e Cláudia Müller.

“Palestra – Performance e conceitos”, com Bia Medeiros

30/04. Sábado, às 20h. | Deck de Entrada | Livre | Grátis
Na palestra, a professora da Universidade de Brasília, Bia Medeiros, discute conceitos utilizados pelo Grupo de Pesquisa Corpos informáticos, coordenado por ela desde 1992, como composição urbana (Deleuze/Spinoza), Fuleragem (sic), Mar(ia-sem-ver)gonha (por oposição ao rizoma de Deleuze e Guattari), Jaca e Cajá (antes entendidos como Aqui e Agora). Em meio à palestra, acontece uma performance.

Graduada em Educação Artística na PUC-RJ, Maria Beatriz de Medeiros (Bia Medeiros) possui mestrado em Estética, doutorado em Arte e Ciências da Arte pela Université de Paris I (Panthéon-Sorbonne) e pós-doutorado em Filosofia no Collège International de Philosophie, Paris. Atualmente é professora associada da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes Visuais, atuando principalmente nos seguintes temas: arte contemporânea, arte e performance, composição urbana. Coordena o Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos, desde 1992.

Workshop – “Very Nervous System”, com David Rokeby | 01/05. Domingo, das 15h às 18h | Área de Convivência | Inscrições pelo  e-mail oficinasvisuais@santana.sescsp.org.braté o dia 25/04. | Maiores de 16 anos | Grátis

No workshop, David Rokeby apresenta seu sistema interativo Very Nervous System, e fala sobre a longa experiência de exibição desta obra. Os participantes terão a oportunidade de experimentar a instalação realizando exercícios propostos por Rokeby, e também em momentos de improvisação livre. Público alvo: Artistas, bailarinos, músicos e estudantes com interesse em artes interativas digitais. 20 vagas.

Ficha Técnica

Direção: Lali Krotoszynski e Rogério Salatini | Identidade visual: Rogério Salatini

Assistente de produção: Artur Rodolfo | Produção executiva: Vanessa Lopes/Independente

Serviço: Hiper_arte 2016- mostra de convergências – instalações, performances, conversas, mini-curso e workshop. De 26 de abril a 1 de maio.

Serviço Sesc Santana:

Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo. Tel.: (11) 2971-8700

Estacionamento – R$10,00 a primeira hora e R$ 2,50 a hora adicional – desconto para credenciados.

Para mais informações acesse o portal  sescsp.org.br/santana ou hiperarteblog.wordpress.com

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