Sesc Ginástico estreia “Antes solteira do que mal casada”, comédia inédita em homenagem ao bicentenário de Martins Penna

A montagem irreverente fica em cartaz de 20/11 a 13/12, com ingressos a preços populares

Divulgação
Divulgação

Três textos com duzentos anos de história e uma contemporaneidade surpreendente. Através do projeto “Martins Penna: 200 anos”, o Sesc Ginástico realiza a montagem inédita “Antes solteira do que mal casada”, que apresenta o vasto panorama teatral do fundador da comédia de costumes do Brasil. A peça estreia no dia 20/11 (sexta), às 20h, com uma bem acabada costura dos textos “O namorador ou a noite de São João” (1844), “O Judas em sábado de aleluia” (1844) e “As casadas ou solteiras” (1945). A interseção das três obras evidencia a essência do trabalho dramatúrgico do autor e comediógrafo. Como pano de fundo, o Rio de Janeiro do início do século XIX e o humor afiado de uma história sobre mulheres que apresentam estratégias para conseguir um bom casamento. Dirigido por Angela Fernandes, o espetáculo da Pobre Soberba Cia surpreende pela atualidade do texto bissecular. Ele trata de problemas cotidianos e atemporais, como fraquezas humanas e desonestidade.

No palco, quatro atores – duas mulheres e dois homens – se revezam em diversos personagens, tocam piano e encenam recortes das três comédias curtas e ritmadas pela trilha sonora de canções do século XIX, como operetas e lundu, uma mistura de gêneros da música portuguesa e angolana.

As raízes essencialmente brasileiras também se manifestam no cenário do palco italiano, que é um capítulo à parte no espetáculo. Paredes, objetos e espaço cênico são totalmente cobertos por chita, um tecido bem popular de algodão, com estampas florais de cores vivas e acabamentos imperfeitos. O tecido também conceitua o espetáculo, já que a chita, originária da Índia, foi trazida para o Brasil pelos europeus a partir de 1800, justamente no período em que se passa a trama. Depois que começou a ser produzida por aqui, a chita se popularizou e virou sinônimo de identidade nacional.

Para não serem camuflados por tantos matizes fortes, os figurinos foram inspirados nos tons pastel das telas dos pintores Jean-Baptiste Debret e Johann Moritz Rugendas. Eles também fazem parte do projeto “Martins Penna: 200 anos” através de suas pinturas que retratam os costumes do Rio imperial do início do século XIX na exposição “Martins Penna em cinco atos”, aberta ao público até o dia 31 de janeiro de 2016, no Arte Sesc.

– O projeto “Martins Penna, 200 anos de história” celebra a relevância deste autor brasileiro, colocando em evidência aspectos pouco visitados da sua produção, como a música em sua obra, sua relação com o texto teatral e a cidade do Rio de Janeiro. Almejando favorecer o fomento às novas investidas artísticas e possíveis descobertas, o Sesc reafirma a relevância da pesquisa no campo da cultura como missão institucional de suma importância para a preservação do legado cultural-artístico brasileiro – avalia André Gracindo, analista de teatro do Sesc.

Ficha técnica:
Direção: Angela Fernandes. 
Supervisão cênica: Sandra Corveloni. 
Assistente de direção: Barbara Santos.
Trilha sonora: Raul Teixeira.
Coreografia: Rafael Boese.
Cenário e figurino: Márcia Nemer.
Luz: Adriana Dham.
Atores: Fabio D’Arrochella, Marcelo Dias, Tatiana De Marca e Vicky Justiniano.
Direção de produção: Vicky Justiniano
Produção administrativa: Lydia Arruda
Produção executiva: Patricia Gordo 
Realização: Sesc.

Teatro:

“Antes solteira do que mal casada” – “Martins Penna: 200 anos de história”

Teatro Sesc Ginástico
Estreia 20/11 (sexta), às 20h
Em cartaz até 13/12.
Sextas e sábados às 19h. Aos domingos, às 18h.
Avenida Graça Aranha, 187, Centro.
Tel.: (21) 2279-4027
Preço: R$5 (associados Sesc), R$10 (estudantes e idosos) e R$20.
Classificação: Livre.
Capacidade: 513 lugares

DEIXE UM COMENTÁRIO