Sergio Gonçalves Galeria apresenta exposição com obras de Eduardo Ventura

Individual “Rio de Janeiro - Paisagens Improváveis” fica em cartaz até 30 de abril

Segue em cartaz na Sergio Gonçalves Galeria no Centro do Rio de Janeiro, a exposição “Rio de Janeiro – Paisagens Improváveis” do artista Eduardo Ventura. A individual – que tem entrada franca – fica em cartaz até 30 de abril, de terça a sexta, das 11h às 19h e sábado das 11h às 18h. A galeria fica na Rua do Rosário, nº 38.

Ventura constrói com gestos rápidos um inventário pictórico de “Paisagens improváveis”, na contramão das sedutoras cenas turísticas do Rio, sugerindo antes mesmo do deleite estético, uma reflexão ou um momento de silêncio. Na série, a Cidade Maravilhosa se apresenta vazia, com a possibilidade de preenchimento poético/narrativo. O formigueiro humano é substituído por tímidos veículos que parecem circular sem condutores.

A  Crítica de arte e curadora independente, Renata Gesomino, assina o texto da mostra. De acordo com a Prof. Dra. Do Departamento de História e Teoria da arte e do Departamento de Ensino da Arte e Cultura Popular do IART-UERJ, “As imagens sugerem uma imobilidade meditativa. Há um delicado sentido de solidão que invade a artificialidade esquálida dos conjuntos arquitetônicos. Os verdadeiros protagonistas são as ruas, as ladeiras, as avenidas, os elevados, os viadutos, as travessas e as travessias com suas almas acinzentadas. Estes também são alguns dos improváveis caminhos e improváveis paisagens que Ventura ressignifica ao possibilitar a construção de novas narrativas visuais utilizando como materialidade a tinta acrílica, e, manipulando agilmente diversos tipos de espátulas que criam surpreendentes linhas e profundidade, além de um contraste harmonioso e suave, entre as inúmeras camadas sobrepostas de luz e sombra, dispensando o uso de pincéis”, enumera.

Para compor as telas o artista utilizou ferramentas como o Google Maps para investigar inúmeras ruas e bairros de acesso mais desconhecido, selecionando ângulos, luminosidade, atmosfera, etc., como nas telas “Rua Ipojuca, Penha”, “Rua do jogo da Bola, Saúde”, “Ladeira do Barroso, Gamboa”, “Rua Waldemar Dutra, Santo Cristo”, “Rua Bela, São Cristóvão”, ou em trechos capturados de grandes vias como na tela “Av. Brasil, Manguinhos”, “Linha vermelha, São Cristóvão” e “Travessa Silva Baião, Santo Cristo”, sugerindo de forma sutil um caráter intrínseco e histórico, por vezes, soturno da alma das ruas do Rio.

Renata conclui que em “tempos de (des)(re)construção da cidade que se remodela, reafirma e desfaz, mutante ensimesmada, as paisagens improváveis de Ventura nos conduzem rumo a uma peregrinação imaginária dos sentidos. O caminhar subjetivo ao longo da paisagem pictórica ofertada, como nas paisagens impressionistas e pós-impressionistas, é feito de soslaio, num golpe rápido da visão que acompanha o gesto rápido e preciso do artista. A alma das ruas, e o sentido poético oculto das paisagens improváveis se prolongam na memória reinventando cenários e narrativas. O caminho se faz caminhando com os olhos”, afirma Gesomino.

SERVIÇO:

Exposição: Rio de Janeiro – Paisagens Improváveis, de Eduardo Ventura
Local: Sergio Gonçalves Galeria
Endereço: Rua do Rosário, 38 – Centro
Telefone: (21) 2263-7353
Encerramento: 30 de abril
Horário: de terça a sexta, das 11h às 19h e sábados das 11h às 18h

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