Sassaricando – E o Rio inventou a marchinha comemora uma década de sucesso

Musical faz nova temporada carioca a partir de 8 de janeiro, no Teatro Dulcina

Quando o musical Sassaricando – E o Rio inventou a marchinha estreou em janeiro de 2007, seus autores, elenco e equipe não poderiam imaginar que dez anos depois estariam ainda em cartaz, contabilizando um público de 270 mil espectadores, presentes em quase 400 apresentações. Com sete prêmios e mais três indicações no currículo, o espetáculo da historiadora Rosa Maria Araújo e do jornalista Sérgio Cabral acumula onze temporadas cariocas em nove anos, duas turnês nacionais, duas temporadas paulistanas, apresentações em Portugal, homenagem da São Clemente na Sapucaí e ainda desdobramentos de êxito como o CD duplo e o DVD, o bloco carnavalesco e o espetáculo infantil Sassariquinho. Para comemorar uma década ininterrupta de sucesso, o musical faz temporada de 8 de janeiro a 28 de fevereiro, no Teatro Dulcina, na Cinelândia.

“Deixando a modéstia de lado, como queria Noel Rosa, estou absolutamente convicto de que ultrapassamos apenas a primeira década de Sassaricando”, entusiasma-se Sérgio Cabral. “Para quem, como eu, sonha com a eternidade de Sassaricando, neste momento estamos atravessando a primeira infância de um espetáculo que homenageia o Rio de Janeiro, a sua música, o seu carnaval e marca o afeto e o carinho cada vez maiores pela minha parceirinha querida, Rosa Maria Araújo”, completa. Entusiasta do Carnaval, das marchinhas e da cidade maravilhosa, Rosa aproveita a deixa e emenda: “Braguinha ou Lamartine? Emilinha ou Marlene? Copacabana ou Jacarepaguá? Todos os compositores, todos os cantores, todos os bairros são festejados nas marchinhas do Sassaricando, o musical que conquistou o Brasil nestes dez anos. Quem é a estrela? O Rio de Janeiro, cidade que nos seduz”.

Com direção de Claudio Botelho e Charles Möeller e produção da Tema Eventos, o musical – que conta mais uma vez com o patrocínio da Bradesco Seguros – terá dois elencos nesta temporada comemorativa. Em janeiro, dividem o palco Eduardo Dussek, Mariana Baltar, Beatriz Faria, Juliana Diniz, Pedro Paulo Malta e Pedro Miranda. Em fevereiro, Soraya Ravenle e Alfredo Del-Penho, dois remanescentes do primeiro ano, retornam ao musical, nos lugares de Mariana e Pedrinho Miranda.

Composto por quase uma centena de canções assinadas por nomes como Noel Rosa, Lamartine Babo, Haroldo Lobo e João de Barro, o Braguinha, Sassaricando faz uma crônica da vida e dos costumes do Rio. “Ficamos muito impressionados com a resposta do público. Não só pelos sucessivos recordes de bilheteria, mas também pela reação da plateia que se emociona durante e após o espetáculo”, entusiasma-se Rosa Maria. “As sessões acabam invariavelmente transformadas em bailes de carnaval; as pessoas de pé cantando, batendo palmas e muitas até dançando durante os números finais”, completa Sérgio Cabral.

Responsáveis também pela direção geral, pesquisa e roteiro de Sassaricando, Cabral e Rosa Maria escolheram uma ficha técnica de primeira. Convidaram Cláudio Botelho para assinar a direção cênica e Renato Vieira, a coreografia. Charles Möeller para os cenários, enquanto Marcelo Marques e Paulo César Medeiros se ocuparam, respectivamente, dos figurinos e da iluminação.

Como diretor musical do espetáculo, coube ao maestro Luis Filipe de Lima criar os arranjos e comandar a banda que acompanha, ao vivo, o elenco. Banda que reúne a nata dos instrumentistas cariocas: dos irmãos Henrique e Beto Cazes a Oscar Bolão e Dirceu Leite, todos presentes no CD duplo que a Biscoito Fino gravou com a trilha sonora da peça, também produzido por Luis Filipe, que é um sucesso de vendas por todo o Brasil. A gravadora lançou também o DVD com a íntegra do espetáculo, gravado em 2007 no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.  

Hoje um dos nomes de maior prestígio na constelação de profissionais que se dedicam ao teatro musical no Brasil, Cláudio Botelho nunca foi especialmente ligado em marchinhas, mas diz que se apaixonou pelo projeto assim que o conheceu.

“Depois que ouvi a master do cd é que me dei conta do quanto as músicas eram teatrais, pois todas contam uma historinha. Tratei-as como material dramático, eliminando as repetições de refrões e condensando várias delas em pot-pourris para dar fluidez à cena. Se pudesse resumir em uma frase o meu papel no espetáculo, diria que sou uma espécie de guarda de trânsito que só fez organizar o excelente material que tinha em mãos”, diz, com modéstia.

Sassaricando nos consumiu um ano de pesquisa. Ouvimos mais de mil marchinhas, depois fizemos uma pré-seleção com 400, para finalmente chegarmos às cerca de cem para o espetáculo. Dividimos o roteiro em dez temas distintos. O carnaval carioca tem uma história de extraordinária criatividade e as músicas abordam o comportamento da época, as profissões, o transporte, as relações amorosas e até o preconceito. São pequenas crônicas que, juntas, formam um painel de como era a vida na cidade”, explica Rosa.

Rosa Maria Araújo e Cláudio Botelho destacam ainda a grande capacidade de comunicação popular das marchinhas. “Fico cantarolando o dia inteiro, a toda hora uma marchinha me vem à cabeça”, conta Rosa. “Você ouve uma única vez e elas grudam. Quando acabava o ensaio, tinha que tomar remédio para dormir, porque elas não me deixavam”, brinca Cláudio.

O público carioca terá chance de assistir ao desfile de quase cem marchinhas de carnaval, em quase duas horas de espetáculo, providencialmente dividido em dois atos. Os seis atores se revezam em inúmeros personagens, de acordo com as situações descritas nas canções. Cláudio Botelho explica que Sassaricando é uma espécie de revista, mas não nos moldes da brasileira. É a revue americana, que apresenta um conjunto de obras, ou mesmo de ideias, mas sem um enredo definido. Não há falas, no nosso caso o texto são as próprias marchinhas de carnaval. O espetáculo faz um panorama desse tipo de composição”.

O cenário criado por Charles Möeller remete a um suntuoso baile de carnaval art-déco. “Os músicos estão vestidos como se estivessem tocando em um grande baile dos anos 40 e 50”, conta Cláudio. Ele acrescenta que Sassaricando é sobre a música de carnaval, mas não sobre o carnaval em si: “Evitei carnavalizar demais o espetáculo. Os figurinos são mais funcionais, despojados, pois quero o foco nas canções e nos atores/cantores”.

Diretor musical de Sassaricando, Luis Filipe de Lima criou novos arranjos para o espetáculo, mas optou por manter o espírito das gravações originais. “Não tenho a pretensão de reinventar as marchinhas, mas criei arranjos contemporâneos, preservando a alegria e o bom humor que são peças chaves nessas composições”.

Luis Filipe recriou também as introduções de mais de 90% das marchinhas selecionadas para a montagem. “Decidi não alterar apenas clássicos como Cidade Maravilhosa e O Teu Cabelo Não Nega, que estão presentes na memória de todo mundo, e preservei ainda algumas composições da década de 30, que têm os mais belos arranjos já criados para o gênero”.

O espetáculo tem ainda projeções de filmes e imagens da época ilustrando a ação. “Os vídeos ajudam a contextualizar historicamente o que está sendo mostrado no palco. Eles são o registro visual de um Rio antigo e do maravilhoso universo das marchinhas. Ficamos surpresos como emocionam tanto as pessoas que viveram aquela época como os jovens”, finaliza Rosa.

O espetáculo tem no currículo os prêmios APTR de melhor produção, direção e iluminação; Contigo! de Melhor Musical de 2007; Prêmio Shell especial de roteiro – além de outras três indicações para figurino, música e iluminação, o maior número da edição. Os idealizadores do espetáculo, o jornalista Sérgio Cabral e a historiadora Rosa Maria Araújo, venceram o Prêmio “Faz Diferença”, do jornal O Globo, no campo da música. Rosa foi ainda eleita a Personalidade Cultural do ano, pela Veja Rio, também na área musical. De quebra, o espetáculo figurou em sua estreia em todas as listas de melhores do ano.

Certo que a longevidade do espetáculo será ainda maior, Sérgio finaliza: “Lamento apenas não comemorar os inevitáveis centenários que marcarão a biografia do nosso Sassaricando. Já que a gente vive tão pouco, festejo as primeiras décadas e homenageio os criadores e intérpretes desse belo repertório, que contam com a nossa gratidão por contribuírem decisivamente para que a gente seja mais feliz”.

SASSARICANDO – E O RIO INVENTOU A MARCHINHA

FICHA TÉCNICA

Concepção, pesquisa e roteiro: Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral
Direção: Cláudio Botelho
Direção Musical e Arranjos: Luis Filipe de Lima
Coreografias: Renato Vieira
Cenário: Charles Möeller
Figurino: Marcelo Marques
Iluminação: Paulo César Medeiros
Visagismo: Beto Carramanhos
Projeto Gráfico: 6D Estúdio
Vídeos: Plano Geral Filmes
Produção: Tema Eventos Culturais
Patrocínio: Bradesco Seguros 

Elenco:

Janeiro – Eduardo Dussek, Mariana Baltar, Beatriz Faria, Juliana Diniz, Pedro Paulo Malta e Pedro Miranda.

Fevereiro – Eduardo Dussek, Soraya Ravenle, Alfredo Del-Penho, Beatriz Faria, Juliana Diniz e Pedro Paulo Malta.

Banda:
–  violão de sete cordas (Luis Filipe de Lima / Thiago Prata);
– cavaquinho (Henrique Cazes / Alessandro Valente);
– bateria (Oscar Bolão/ Rafael Farina);
– set de percussão, com surdo, pratos e miudezas (Beto Cazes / Fábio Cazes);
– set de sopros, com flautas, saxes, clarinete e clarone (Dirceu Leite);
–  trompete e flugelhorn (Gilson Santos);
–  trombone (Fabiano Segalote) 

SERVIÇO:

SASSARICANDO – E O RIO INVENTOU A MARCHINHA

Temporada: de 8 de janeiro a 28 de fevereiro*

*Não haverá espetáculo no dia 30/1 e na semana de Carnaval, de 4 a 14 de fevereiro. 

Na quarta, 27/1, haverá uma sessão extra, às 20h, comemorativa dos dez anos de Sassaricando.

Teatro Dulcina
Alcindo Guanabara, 17 – Centro 
Tel: (21) 2240-4879
Capacidade:  420 lugares
Duração: 120min (com intervalo de 10 minutos)

Horários:
Quintas às 12h30 | Sextas e sábados, às 19h  |  Domingos, às 18h
Ingressos: R$ 40,00
Meia entrada – estudantes, professores da rede estadual e municipal, classe artística e idosos
Horário da bilheteria: a partir das 14h. Às quintas, a partir das 11h30
Classificação etária: livre

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