Rurouni Kenshin: the Legend Ends – um final digno em uma adaptação quase perfeita

O terceiro e último filme da franquia “Rurouni Kenshin” (Samurai X) é  a continuação direta do ótimo “Kyoto’s Inferno”, segundo da série. A história agora mostra a saga de Himura Kenshin (Takeru Sato), andarilho samurai que jurou não matar contra seu maior inimigo, Shishio Makoto (Tatsuya Fujiwara), seu sucessor e psicopata que deseja dominar todo o Japão.

Uma característica a se notar na sequência é o ritmo; enquanto o segundo filme começava  de forma agitada e com várias cenas de ação, neste temos diálogos filosóficos entre os samurais, especialmente entre Kenshin e seu mestre, Hiko Seijuro (Masaharu Fukuyama), que o encontra na praia no final do segundo filme. A idéia é boa, mas o tempo utilizado neste arco poderia ser melhor aproveitado explicando a origem de alguns vilões, como por exemplo Soujiro Seta (Ryonosuke Kamiki), que possuiu um papel de destaque no filme anterior e nesse aparece em pouquíssimas cenas.

Esta é a principal crítica negativa ao filme: enquanto o segundo realizou uma adaptação quase perfeita, esse parece ter gasto tempo com cenas secundárias e cortado as partes interessantes em sua edição final. Alguns personagens foram apagados e o grupo de elite “10 Katanas” fica em segundo plano; até mesmo o vilão Shishio Makoto aparece quase após uma hora de filme. Outro ponto é o desenvolvimento dos personagens, como Soujiro Seta ou o Monge Anji (Tomome Maruyama). Ambos possuem histórias interessantes no anime, que poderiam ser explicadas. A luta dos vilões contra Kenshin e Sanosuke (Munetaka Aoki) acaba com diálogos que vão parecer desconexos ao espectador que não acompanhou o anime. Até mesmo quem acompanhou ficará um pouco confuso.

Personagens importantes, como Misao Makimachi (Tao Tsuchiya), Kamiya Kaoru (Emi Takei) e Myojin Yahiko (Kaito Oyagi) aparecem em poucas cenas. A história se perde algumas vezes, parecendo que o diretor optou por fazer cortes abruptos  e se focar em arcos específicos. A origem da cicatriz de Kenshin tenta ser explicada, sem sucesso, deixando alguns furos no roteiro, porém perdoáveis diante da magnitude de adaptar uma obra complexa como esta.

A trilha sonora continua excelente e a fotografia segue o padrão de qualidade das produções anteriores. O destaque fica para as cenas de ação, que são absolutamente fantásticas e com o destaque de não utilizarem gráficos computadorizados. A exceção é a espada flamejante de Shishio Makoto, que ficou fiel ao anime e deixará os espectadores hipnotizados. A luta final do vilão com os personagens é épica e talvez uma das melhores já feitas na indústria do cinema (fãs de matrix que me desculpem). Na verdade, todas as lutas são fantásticas.

Mesmo com alguns defeitos no roteiro, “Rurouni Kenshin: the Legend Ends” consegue fazer jus aos dois primeiros filmes, terminando de forma digna e poética a trajetória do andarilho Kenshin. Apresenta uma narrativa interessante e consegue transpor forma realista o anime para as telas. Para quem é fã do anime, é obrigatório. Para quem gosta de filmes de ação, samurais e lutas fantásticas, não irá decepcionar.

 

Patrick "Rick" Ribeiro - Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui