Rolé Carioca chega até a Orla Conde

Professores contarão a história da orla mais antiga do Rio de Janeiro

Ainda em clima olímpico, o Rolé Carioca fará seu segundo passeio bilíngue do ano ao visitar, no dia 25 de setembro, a riqueza histórica da Orla Conde, passeio público recém-inaugurado às margens da Baía de Guanabara. Uma das obras mais importantes da revitalização da zona portuária e que abriga o principal porto do Rio será recriado historicamente pelos professores William Martins e Rodrigo Rainha na mais famosa aula a céu aberto da cidade maravilhosa. A ideia é olhar a cidade de um novo ângulo, conhecer o Rio de nosso passado, olhando e curtindo a nossa história. E se surpreender com a cidade que voltou a ter uma vista privilegiada da Baía da Guanabara com a demolição do Elevado da Perimetral. Essa frente marítima redescoberta poderá ser apreciada de ponta a ponta em grande estilo. O ponto de encontro será nos jardins do Museu Histórico Nacional, às 9h. Sempre lembrando que o Rolé Carioca é de todos: gratuito e sem ficha de inscrição.

Arborizado, o espaço na região do Porto Maravilha depois das obras voltou a ter a circulação de pedestres e ciclistas nos deques, calçadão, ciclovia, praças e áreas de convivência. A área histórica foi cortada por um novo meio de transporte, o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). Mas recordando, o verdadeiro porto do Rio ia das margens ao pé do Morro do Castelo, na Misericórdia, e ia até um pouco depois da Praça XV, Cais do Valongo e da Prainha.  “Hoje, muito da história do Rio de Janeiro é contada por uma nova arqueologia, feita no fundo da baía de Guanabara, que ajuda a nos mostrar onde eram os antigos armazéns, o que as pessoas descartavam. O mar tronou-se uma área fantástica para descobrir do Rio de Janeiro antigo”, diz William Martins.

A história conta que nos dois primeiros séculos de ocupação da cidade, o porto do Rio de Janeiro localizou-se em pontos abrigados e não passavam de cais. Os navios ancoravam na Baía de Guanabara e a ligação com a terra se estabelecia através de botes que desembarcavam passageiros e mercadorias e recebiam mantimentos e água. A situação geográfica era propícia já que a baía além de protegida por montanhas, possuía águas profundas. Os portos coloniais não se constituíam ainda em indústrias flutuantes, característica que passaram a apresentar a partir do século XIX com o advento da navegação a vapor e de grande porte. O Rio de Janeiro Colonial era, ao mesmo tempo, porto, fortaleza, capital e a porta do hinterland (palavra alemã que significa ‘terra de trás’, de uma cidade ou porto) e foi entorno do porto que a cidade começou a crescer.

 

Para contar passo a passo dessas mudanças históricas até os dias de hoje, o passeio começará nos jardins do Museu Histórico Nacional (ponto de encontro). Dali, o grupo segue para o Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica e passa pela Praça Marechal Âncora, chegando até as Barcas Transporte Marítimos e o Espaço Cultural da Marinha.  Depois, a nova orla permite a redescoberta da antiga Alfândega (atual Casa França Brasil) e da Igreja da Candelária, edifícios que foram construídos de frente para o mar. No caminho que contorna o Mosteiro de São Bento, veremos a passagem para a ilha das Cobras e as instalações da Marinha, como o Centro de Análises de Sistemas, até chegar ao conjunto renovado da Praça Mauá: o Museu de Arte do Rio de Janeiro, as Docas e Museu do Amanhã.

Rolezinho Carioca + Exposição Rolé pelo Rio Hackeado no Museu do Amanha
Como havia sido anunciado anteriormente, o Rolé Carioca 2016 traz uma série de novidades, dentre elas a realização do 1º Rolezinho Carioca. Seguindo os moldes do irmão mais velho, o Rolezinho é uma versão do projeto voltada para alunos da rede municipal de ensino, e levará cerca de 100 estudantes, com idades entre 10 e 14 anos, para um passeio guiado pela recém-inaugurada Orla Conde. O passeio será realizado no dia 04/10/2016 e seguirá o mesmo percurso do Rolé do dia 25/09. Ao final do passeio, que terminará no Museu do Amanhã, os alunos farão uma visita ao museu, onde poderão conhecer a exposição Rolé pelo Rio Hackeado, também de autoria do estúdio M’Baraká e do Museu do Amanhã.  Além do passeio, será promovido um concurso de redação com os alunos participantes, onde a melhor redação será contemplada com um tablet. A expectativa é proporcionar a esses jovens alunos uma experiência de aprendizado multidisciplinar, através de uma descontraída aula a céu aberto. A realização do Rolezinho visa além de levar conhecimento a esses estudantes, estimular o sentimento de pertencimento à cidade, pois acreditamos que quando se valoriza sua vizinhança, luta-se para que ela se torne melhor, conserva-se o patrimônio, valoriza-se a cultura e a história.

Exposição Rolé pelo Rio Hackeado: “A cidade é o lugar praticado”. Essa é uma das bases do Rolé Carioca, cujos passeios propõe uma vivência do Rio de Janeiro. Depois de 4 anos reunindo conteúdos sobre a cidade e a partir da parceria com o Laboratório de Atividades do Museu do Amanhã, apresentamos a exposição “Rolé pelo Rio Hackeado” que apresenta um Rio de Janeiro contemporâneo, em constante construção e movimento. Hackear a cidade, no sentido desta exposição, seria isso: praticar a cidade, reconhecer alguns de seus bugs e imperfeições, aqueles que afetam múltiplos usuários, e buscar decifrar soluções que tornam o uso do sistema – no caso a cidade – melhor para o coletivo. A exposição é antes de mais nada um convite a ação. De 04 de outubro de 2016 a 01 de Fevereiro de 2017.
Museu do Amanha – Laboratório de Atividades do Amanhã

ROLÉ – 4ª EDIÇÃO
“O Rolé Carioca é um sistema integrado de comunicação de conteúdos históricos” – assim o projeto é definido por um dos diretores do Estúdio M’Baraká, idealizador e realizador do projeto. Inaugurado em 2013, o Rolé Carioca já atingiu a marca de 70 km percorridos em 21 passeios gratuitos, promovendo as histórias da cidade para um público estimado em 15 mil participantes. Hoje o projeto conta com um portal com informações sobre todos os passeios: www.rolecarioca.com.br – onde também são encontrados artigos, entrevistas, dicas culturais e curiosidades sobre os bairros.

Novidades no Rolé 2016
Este ano, o projeto Rolé Carioca terá uma série de desdobramentos: inauguração da série “Rolezinho Carioca”, com duas edições formatadas para alunos da rede pública; uma exposição e mais três passeios extras temáticos. Também será lançando um guia impresso, para que cariocas e visitantes possam dar seus Rolés pelo Rio sempre que quiserem.

Os outros locais (bairros) escolhidos para em que o Rolé vai passar nesta quarta temporada são o bairro das Laranjeiras e o último passeio, que será escolhido por votação no site do projeto (www.rolecarioca.com.br) –  o público é que vai decidir, entre os roteiros já realizados, onde quer passear.

Os passeios se consolidam em 2016 como uma das opções mais interessantes de conhecer a história da cidade. A experiência sensorial de percorrer os locais e a transmissão oral do conhecimento fizeram com que o público se apropriasse do Rolé Carioca. Além da história e curiosidades sobre os locais visitados, o público acaba percebendo problemas atuais: conservação de seu patrimônio, mobilidade urbana, gentrificação, trânsito, paisagens naturais etc. E o Rolé Carioca acaba contribuindo para que o público faça um inventário afetivo do município, proponha mudanças e faça cobranças à administração pública. Assim, juntos, público e evento seguem reescrevendo a história e zelando pela cidade.

Calendário do Rolé 2016

 

  • Orla Conde – 25 de setembro
  • Laranjeiras – 29 de outubro * excepcionamente no sábado devido às eleições
  • Bairro + Votado no site – 27 de novembro

 

SERVIÇO
Rolé Carioca – Orla Conde
Ponto de encontro: Jardins do Museu Histórico Nacional
*Bilíngue: português – inglês
Endereço: Praça Mal. Âncora, s/n – Centro, Rio de Janeiro
Dia 25 de setembro – domingo, às 9h
Grátis – Sem inscrições
Duração: aproximadamente 2h
Contato: 21 22085952

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