Rio de Todas as Áfricas: Diásporas Cariocas nas Lentes de Januário Garcia

Exposição fotográfica lança olhar múltiplo e plural sobre a cultura negra carioca

Procissão de São Sebastião do Morro do Salgueiro
Procissão de São Sebastião do Morro do Salgueiro

Há 40 anos, o fotógrafo brasileiro Januário Garcia vem construindo um acervo monumental de imagens que revelam os aspectos social, político, cultural e econômico das populações negras do Brasil. Parte dessa sua rica trajetória artística poderá ser vista pelo público a partir do dia 22 de outubro, no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa. A exposição fotográfica “Rio de Todas as Áfricas: Diásporas Cariocas nas Lentes de Januário Garcia”, idealizada pelo escritor Vinicius Jatobá, revela o olhar do artista acerca da cultura carioca de matriz africana. Nas 22 fotografias que compõem a mostra, que conta com a curadoria do pesquisador e crítico de arte Roberto Conduru, Januário Garcia eterniza diferentes momentos da cultura negra carioca desde a década de 1970, em registros que atravessam a cidade, passando por regiões como Gamboa, Madureira, São Cristóvão e Morro da Providência. A exposição fica em cartaz até o dia 30 de novembro.

 

Segundo o curador Roberto Conduru, a exposição é uma grande oportunidade de conhecer a obra de um fotógrafo único e as facetas da negritude no Rio de Janeiro, indo além de estereótipos e lugares comuns. “Essas 22 fotografias mostram a força do trabalho e da luta de Januário Garcia e os valores, as lutas e modos de vida dos negros do Rio de Janeiro, pessoas e ações que normalmente são marginalizadas e invisíveis a muitos olhos”.  Para Januário Garcia, o projeto representa o resgate da dignidade, o desenvolvimento da autoestima e a construção de cidadania plena.

 

Vitor Jatobá explica que todo projeto foi concebido para ir além da mera exposição da arte, desenvolvendo, em paralelo, atividades educativas e de formação de plateia. Por isso “Rio de Todas as Áfricas: Diásporas Cariocas nas Lentes de Januário Garcia” conta com uma programação educativa, que incluiu uma oficina itinerante de fotografia com Januário Garcia em lonas e arenas culturais do Rio de Janeiro e, ainda, quatro oficinas destinadas a educadores e pesquisadores do movimento de matriz africana, que ocorrerão ao longo da exposição no próprio Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. Os educadores interessados devem acessar o sitehttp://www.diasporascariocas.com.br/inscricao/educadores/. Com o objetivo de trabalhar na formação do público jovem, o projeto também promove visitas de escolas públicas municipais, disponibilizando transporte para que 360 estudantes possam visitar a exposição e participar de discussões sobre arte e movimento negro carioca. O agendamento de visitas escolares pode ser feito pelo site http://www.diasporascariocas.com.br/inscricao/escolas/. O encerramento contará com palestras reunindo o idealizador do projeto, Vinicius Jatobá, o curador Roberto Conduru e o artista Januário Garcia e convidados, que debaterão com o público a “diáspora africana”. Para garantir acessibilidade, haverá interprete de Libras e monitores para auxílio a cegos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Este projeto foi contemplado pelo Fomento à cultura carioca: Viva a Arte de 2015 da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.

Sobre Januário Garcia –  Januário Garcia é um fotógrafo brasileiro que nos últimos 40 anos tem documentado brasileiros afro-descendentes nos mais diversos aspectos de suas vidas. Formado em Comunicação Visual pela International Camaramen School,estagiou no estúdio do fotógrafo, professor e crítico de arte Georges Racz. Como fotojornalista sempre atuou livremente, com passagens pelo Jornal O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, A Tribuna, Manchete, Fatos & Fotos e Revista da Unesco. Trabalhou também com grandes agências de publicidade do Rio de Janeiro e fez capas de discos dos artistas Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Fagner, Belchior, Fafá de Belém, Lecy Brandão, Raul Seixas e Edu Lobo.  Ex- presidente do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e da Rede Brasileira de Iconografia e Documentação de Matrizes Africanas no Brasil; Membro do Conselho Memorial Zumbi. Atualmente é Presidente do Instituto Januário Garcia, um Centro de Memória Contemporâneo de Matrizes Africanas, que tem como objetivo promover a preservação e publicação de iconografias e documentos relacionados aos mais diversos aspectos afro-descendentes no Brasil, desde a cultura, política, social, entre outros.

“Rio de Todas as Áfricas: Diásporas Cariocas nas Lentes de Januário Garcia”
Exposição fotográfica
Realização: Alafin Cultural
Inauguração: 22 de outubro de 2016 – às 18h
Período: de 23 de outubro a 30 de novembro, das 10h às 19h
Local: Centro Cultural Laurinda Santos Lobo (Rua Monte Alegre 306 – Santa Teresa)
Tel: (21) 2215-0618
Entrada gratuita

1 COMENTÁRIO

  1. As favelas precisam ser melhores cuidadas. As pessoas que moram em comunidade ficam a mercê da violência, sem acesso a cultura e injustiçadas socialmente. Ainda bem que, para nossos jovens, há uma lei feita pelo Crivella que diz que como critério de desempate no vestibular, pessoas com renda inferior a dez salários mínimos terão vantagem.

DEIXE UM COMENTÁRIO