Resíduos de um ritmo – Goia Mujalli

Goia Mujalli - Piano
Goia Mujalli - Piano

Depois de quatro anos e meio longe do Brasil, com exposições individuais e participações em coletivas em várias cidades européias, a artista plástica Goia Mujalli volta ao Rio de Janeiro para finalmente mostrar seu trabalho na cidade natal. Resíduos de um ritmo, com curadoria de Mario Gioia, abre dia 21 de junho no espaço Marcus Soska Escritório de Arte, Shopping Siqueira Campos, das 19h às 21h. Serão sete telas (talvez se acresçam outras ao longo do processo de preparação da mostra) em acrílico ou combinando acrílico com serigrafia. Títulos sugestivos como “Ensaio de Balé”, “Cabelos”, “Água-Viva”, “Piano”, para uma obra marcada pela ambiguidade e pela tensão entre o mecânico e o orgânico do processo criativo.

Em 2011, com 25 anos, Goia deixou o Rio para estudar na Slade School of Fine Art, em Londres. Formada em Design pela PUC, ao longo do curso ela intuía que sua paixão era a arte, a pintura. Aos 18 já frequentava o Parque Lage, passando pelos cursos de João Magalhães e Luiz Ernesto e pelo grupo de estudos de Charles Watson. Até sua dedicada leitura de filosofia conduzia-a sempre à reflexão sobre a criação artística, mas chegou a trabalhar por dois anos em escritórios de arquitetura e design antes da decisão de se entregar inteiramente à pintura em território estrangeiro. Agora, além de trabalhar no espaço Tramps e Londres, Goia cursa o mestrado do Royal College of Art sempre com ênfase na pintura.

– Neste momento, tenho centrado pesquisas no departamento de estamparia da faculdade. Desenvolvo pinturas digitais, que imprimo em diversos materiais, como a seda, o algodão e o linho. Mas o objetivo é sempre a investigação do processo pictórico. Uso muito a serigrafia sobre tela, aplicando a mesma forma/símbolo repetidamente _ diz a artista.

Obra cerebral, a pintura de Goia Mujalli é pautada por sua busca filosófica. Temas como a verdade, a percepção e a realidade inspiram a artista.

– A realidade pode ser factual ou criada, isto é, uma abstração das possibilidades de perspectiva. A vida é uma investigação. As pessoas são instrumentos dessa investigação. Por meio de formas abstratas, a pintura toca em pontos da matéria, revelando uma possibilidade do real, mas sempre retornando ao mundo imaginário. O que me leva a criar são as experiências diárias da vida, a inquietação e a curiosidade sobre o real, sobre o material e sobre o processo da pintura_ diz ela. 

Em Resíduos de um ritmo, as telas vão variar em tamanho e materiais. A diferença de escala nos trabalhos tem a intenção de criar atmosferas e sensações distintas para o espectador da exposição. A repetição de motifs imprimará um certo ritmo, que será quebrado a cada movimento dentro do espaço da mostra.

O tamanho das telas irá de 35cm x 45cm a 200cm x 190cm, em algodão e líneo. As pinturas maiores buscam trazer o espectador para dentro do espaço. Diga-se que o processo de criação dessas telas usou todo o corpo da artista. Muitos trabalhos combinam a tinta acrílica com a serigrafia.

Para essa exposição, não usei tinta a óleo. A tinta acrílica proporciona um processo veloz, por secar mais rapidamente, várias camadas podem ser aplicadas sobre a superfície em um curto espaço de tempo. Já a serigrafia proporciona imagens digitais e mais detalhadas, elementos que não poderiam ser executados manualmente. A diferença de materiais cria a tensão, que eu tanto busco, entre o mecânico-digital e o orgânico-manual.

Karla Ortiz

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