A décima quinta edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro reuniu grandes nomes do cinema nacional na noite dessa terça-feira, 4 de outubro, no Theatro Municipal. O filme “Que horas ela volta?” foi o grande vencedor da noite, com sete troféus: Melhor roteiro original, Melhor montagem ficção, Melhor longa metragem ficção (voto popular), Melhor atriz coadjuvante, Melhor atriz, Melhor direção e Melhor montagem ficção. A diretora Anna Muylaert comentou sobre o atual momento político e agradeceu à equipe: “Estou muito emocionada de estar aqui com toda minha equipe. Essa é a primeira vez que nos reunimos desde as filmagens. Vivemos um momento político delicado, mas o cinema é um instrumento de transformação social”.

A premiação também teve destaque para “Chatô – O rei do Brasil”, que levou cinco, dos 12 prêmios a que estava indicado: Melhor roteiro adaptado, Melhor figurino, Melhor maquiagem, Melhor direção de arte e Melhor ator. Muito emocionado, o produtor do filme Guilherme Fontes comentou que levou metade da sua vida profissional fazendo o longa. “Foram mais de 700 páginas de roteiro. Esse filme marca o momento e a importância do Chatô no Brasil”.

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Com a participação ativa do público, que podia projetar mensagens no palco através da #GPdoCinema, a cerimônia foi comandada pelos atores Cris Vianna e Fabrício Boliveira, que anunciaram os vencedores em diversas categorias. Ao todo 25 prêmios foram entregues a atrizes, atores, diretores e outros profissionais da indústria do cinema nacional, escolhidos exclusivamente pelos membros da Academia Brasileira de Cinema. Os três escolhidos pelo Voto Popular: “O Sal da Terra” em Melhor Longa-metragem Estrangeiro, ”Betinho, a esperança equilibrista” em Melhor Longa-metragem Documentário e “Que horas ela volta?” em Longa-metragem Ficção; foram entregues por Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, que também completa 15 anos.

Grande homenageado da noite, Daniel Filho comentou sua relação com o cinema desde a infância e agradeceu à academia. “Eu gosto é de ver cinema. Cinema sempre foi a minha vida. Aos sete anos eu já matava aula para ir ao cinema. O cinema não tem preconceito, é democrático. O cinema faz, conta histórias. E o cinema está crescendo, está valendo. Nós não estamos usando o dinheiro do povo indiscriminadamente. Cada filme emprega no mínimo 600, 700 pessoas. O cinema dá identidade nacional”.

A homenagem foi comandada por Gregório Duvivier e teve a participação de Renato Aragão, Débora Bloch e Dênis Carvalho, que se destacaram na plateia para contar histórias curiosas vividas com o diretor. Durante o tributo, foram exibidas cenas de filmes de Daniel Filho, ao som de “Faz parte do meu show”, de Cazuza. A youtuber Kéfera Buchmann, protagonista de sua mais nova produção, o filme “É Fada”, que entra em circuito amanhã, também participou, twittando uma mensagem ao diretor, projetada no palco: “Daniel, obrigada pela oportunidade de trabalhar ao seu lado”.

Outro momento de emoção foi a entrega do Prêmio Especial de Preservação (post morten) ao filho de Chico Moreira (1952-2016), Daniel Moreira. Chico atuou como fotógrafo, montador, pesquisador, conservador e restaurador cinematográfico, sendo um dos precursores da restauração e da utilização de imagens de arquivo em novas obras audiovisuais no Brasil.

O prêmio teve a participação das trans Gisele Almodovar (alter ego do ator Silvero Pereira, do elogiado “BR Trans”) e Valéria Houston, ao lado do cantor Matheus VK,  na homenagem musical a Chico Buarque, tema do documentário “Chico – Artista brasileiro”, de Miguel Faria Jr, vencedor na categoria Melhor longa-metragem documentário. Outra homenageada foi à cantora Cássia Eller. No palco diversas fãs fizeram uma performance ousada, com os seios de fora, ao lado da atriz Tacy de Campos, que já encarna a cantora nos palcos.

Dirigida pela primeira vez por Rafael Dragaud, a cerimônia se encerrou com a entrega do troféu mais aguardado da noite, Melhor longa-metragem ficção, pelo vice-presidente da Academia Brasileira de Cinema, Jorge Peregrino, consagrando “Que horas ela volta?”. Com toda equipe presente no palco, Anna Muylaert novamente agradeceu à equipe, em especial a Regina Casé (vencedora na categoria Melhor atriz). “Regina foi uma parceria, uma experiência, uma troca. Eu falava “vai” e ela ia mais, ela voava alto. Esse filme é de todo elenco, toda equipe”. “Queria dizer que esse filme sem dúvida foi um marco pra todos os brasileiros. Todo mundo se sente representado em alguém no filme. Mas essa história nunca havia sido contada. É uma história tão íntima, que nunca tinha sido revelada. Por isso para mim o filme fez tanto sucesso. Uma boa notícia é que a Anna me ligou outro dia e me falou “vamos fazer outro filme logo? (risos)”, comentou Regina Casé. “Queria que todas as mães como a Val pudessem ver seus filhos chegando a faculdade, fazendo suas escolhas. É isso que eu desejo a todas as mães do Brasil”, completou.

Com apuração da PwC, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro é realizado pela Academia Brasileira de Cinema e conta com o Patrocínio Master da TV Globo através da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Apoio Institucional da ANCINE, Patrocínio do Canal Brasil através da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, da Prefeitura do Rio de Janeiro por meio da RioFilme  e Copatrocínio do Telecine, Cinemark e Hotéis Othon.

VENCEDORES GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO 2016

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO

QUE HORAS ELA VOLTA? de Anna Muylaert. Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Debora Ivanov por Gullane e Anna Muylaert por África Filmes

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

CHICO – ARTISTA BRASILEIRO de Miguel Faria Jr. Produção: Migue | Faria Jr. e Jorge Peregrino por 1001 filmes ltda

MELHOR LONGA-METRAGEM COMÉDIA

INFÂNCIA de Domingos Oliveira. Produção: Domingos Oliveira por Teatro Ilustre e Renata Paschoal por Forte Filmes

MELHOR LONGA-METRAGEM ANIMAÇÃO

ATÉ QUE A SBÓRNIA NOS SEPARE de Otto Guerra. Produção: Marta Machado e Otto Guerra por Otto Desenhos Animados

MELHOR DIREÇÃO

ANNA MUYLAERT por Que horas ela volta?

MELHOR ATRIZ

REGINA CASÉ como VAL por Que horas ela volta?

MELHOR ATOR

MARCO RICCA como CHATÔ por Chatô – o rei do Brasil

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

CAMILA MÁRDILA como JÉSSICA por Que horas ela volta?

MELHOR ATOR COADJUVANTE

CHICO ANYSIO como MAJOR CONSILVA por A hora e a vez de Augusto Matraga

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

ADRIAN TEIJIDO por Órfãos do Eldorado

MAURO PINHEIRO JR por Sangue azul

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

ANNA MUYLAERT por Que horas ela volta?

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

GUILHERME FONTES, JOÃO EMANUEL CARNEIRO e MATTHEW ROBBINS – adaptado da obra “Chatô – O Rei do Brasil” de Fernando Morais – por Chatô – o rei do Brasil

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

GUALTER PUPO por Chatô – o rei do Brasil

MELHOR FIGURINO

RITA MURTINHO por Chatô – o rei do Brasil

MELHOR MAQUIAGEM

MARIA LUCIA MATTOS e MARTÍN MACIAS TRUJILLO por Chatô – o rei do Brasil

MELHOR EFEITO VISUAL

ROBSON SARTORI por A estrada 47

MELHOR MONTAGEM FICÇÃO

KAREN HARLEY por Que horas ela volta?

MELHOR MONTAGEM DOCUMENTÁRIO

DIANA VASCONCELLOS por Chico – Artista Brasileiro

MELHOR SOM

BRUNO FERNANDES e RODRIGO NORONHA por Chico – Artista Brasileiro

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

ZBGNIEW PREISNER por A história da eternidade

MELHOR TRILHA SONORA

LUIS CLAUDIO RAMOS – a partir da obra de Chico Buarque – por Chico – Artista Brasileiro

MELHOR LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO

O SAL DA TERRA (Le Sel de La Terre, Documentário, França, Itália) – Dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. Distribuição: Imovision

MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO

ÉGUN de Helder Quiroga

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

UMA FAMILIA ILUSTRE de Beth Formaggini

MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO

RAPSÓDIA DE UM HOMEM NEGRO de Gabriel Martins

VOTO POPULAR:

MELHOR LONGA-METRAGEM ESTRANGEIRO

O SAL DA TERRA (Le Sel de La Terre, Documentário, França, Itália) – Dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. Distribuição: Imovision

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

BETINHO, A ESPERANÇA EQUILIBRISTA de Victor Lopes. Produção: Angela Zoé por Documenta Filmes

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO

QUE HORAS ELA VOLTA? de Anna Muylaert. Produção: Caio Gullane, Fabiano Gullane, Debora Ivanov por Gullane e Anna Muylaert por África Filmes

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