Zé Boiadé desembarca no Rio em Abril com quarteto versátil eseus multi-instrumentos trazendo o resultado da troca de experiências entre as culturas francesa e brasileira. Além do tom, a mistura dá identidade às interpretações e arranjos. Canções contemporâneas com essência enraizada onde timbres, melodias, ritmos e poesias se entrelaçam em uma trama sonora de territórios, paisagens e histórias de um brasileiro e três franceses. O grupo escolheu o Brasil para dar início à turnê de lançamento do álbum”Zé qué casá”, apresentando repertório imerso em música francesa, choro, samba e ritmos nordestinos brasileiros. Um dos destaques do quarteto se dá pelo gosto em desconstruir sons e ritmos empurrando as fronteiras entre música erudita e popular. Violões de 7 cordas, viola nordestina 10 cordas, trombone, escaleta, cavaquinho e bandolim. Além, também, da gama vasta de instrumentos de percussão como pandeiro, conga, udu, triângulo, e os africanos Kes Kes. Zé Boiadé mescla frevo e caboclinho com chanson française, salas de concerto encantadas pelo som popular, elementos de terreiro com seus caboclos e tambores. Paralelamente se afina com o famoso compositor francês Darius Milhaud (1892-1974), com seu xará Zé Boiadeiro (como era conhecido José Monteiro, compositor brasileiro autor de “O boi no telhado”), com o poeta francês Claude Nougaro, também com Capiba, Radamés Gnattali e Hermeto Pascoal.
 
O casal franco-brasileiro Claire Luzi e Cristiano Nascimento, há mais de 10 anos juntos também profissionalmente, integram ao antigo duo mais riqueza e diversidade rítmica com a chegada dos músicos franceses Wim Welker e Olivier Boyer dando origem, então, ao Zé Boiadé. A iniciativa é um braço da Companhia La Roda, que é desde 2007, capitaneada por Cristiano e Claire com trabalho em solo francês na divulgação da música brasileira, em particular o choro como fio condutor. O nome do grupo é inspirado na história com o boi que faz a ligação entre Brasil e França. Na língua francesa existe uma gíria usada entre músicos chamada ”faire un boeuf” que significa, em tradução literal, ”fazer um boi” – e quer dizer ”fazer um som” ou uma ”jam session”. A historia por trás dessa gíria fica por conta do batismo de um bistrô francês nos anos 20. O nome era ”Le Gaya”, mas o dono decidiu rebatizar e pediu a Darius Milhaud se ele poderia emprestar ao local o titulo de seu grande sucesso: ”Le Boeuf sur le Toit” – ”O boi no telhado”.
 
Milhaud foi um dos compositores mais importantes, juntamente a Jean Cocteau em Paris, dando origem a uma obra imensa e variada. Viveu no Rio de Janeiro a serviço do poeta Paul Claudel, na ocasião, como membro do serviço diplomático na embaixada da França. Em seu retorno ao país reuniu mais de 20 temas populares brasileiros entre maxixes, sambas, além de tangos e até fado. É possível identificar a música do compositor, pouco lembrado atualmente, conhecido então no início do século XX como ”Zé Boiadeiro”.O sucesso do carnaval de 1917 ficou por conta do hit ”O boi no telhado”,de onde vem o título da obra. Jean Cocteau transforma a partitura em um espetáculo de balé parisiense e o bistrô Boeuf sur le Toit se torna ponto de encontro da moda e de todos os artistas: compositores, músicos, pintores, poetas, entre eles Picasso, Diaghilev, Ravel, e Rubinstein (que, eventualmente, costumavam fazer um som com os amigos após o recital). A expressão ”vamos ao Boi no Telhado”, aos poucos, se transforma em ”fazer um boi”. Até hoje músicos franceses ”fazem um boi”.
 
A proposta sonora vai de encontro à música local, que redimensiona o global sonorizando outras propostas, como um repente dos poetas cantadores banhados no mediterrâneo ou como umachanson française fervida no frevo em meios a emboladas. Se a melodia e a letra foram esquecidas, o nome do samba de Zé Boiadeiro ficou, viajou, correu mundo e prova que o bom filho à casa torna. O lançamento na França acontece em maio.
 
FORMAÇÃO:
 
CLAIRE LUZI
Bandolim, voz, escaleta, percussão e direção musical
 
CRISTIANO NASCIMENTO
Violão 7 cordas, trombone, viola
nordestina, percussão e direção musical
 
WIM WELKER
Cavaquinho, violão 7 cordas, coro
 
OLIVIER BOYER
Pandeiro, percussão, coro
 
DATAS confirmadas
19/04 (TER): VII Festival de Choro Casa do Choro, na rua da Carioca, às 12h | Grátis
21 e 22/04: Sesc Fortaleza/ CE

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