Quarteto Fantástico: Injustiçado

O ódio faz parte da Internet. É fato. Quando lemos comentários e críticas sobre diversos assuntos, inclusive filmes, é nítido o fato da razão sendo deixada de lado e dando lugar à emoção. Os “haters”, termo utilizado para denominar pessoas que tecem comentários com ódio e ofensas gratuitas, aumentam a cada dia e prejudicam toda forma de manifestação cultural, tanto no cinema, quanto em outras artes. Obviamente que o novo filme do Quarteto Fantástico não poderia escapar deles.

Dirigido por Josh Trank, “Quarteto Fantástico” (2015) foi um dos filmes mais odiados do ano, e talvez seja por muito tempo. Começou antes mesmo de seu lançamento, com uma enxurrada de críticas negativas que foram se propagando e contaminando as demais, e coitado da pessoa que falasse bem do filme. O diretor foi duramente condenado e exposto a manifestações de ódio desnecessárias, que apenas criticavam a obra sem nenhuma forma de análise mais profunda.

Quarteto fantástico é ruim? Sim, é um filme ruim. Mas é válido todo essa “hate” em relação à obra e ao seu diretor? Obviamente que não. Muitos sequer sabem que Josh é responsável pelo excelente “Chronicle” (Poder sem Limites, 2012), um filme que fala sobre jovens que adquirem poderes de uma entidade alienígena, o que o tornaria perfeito para fazer um filme sobre o grupo da Marvel. Mas nem tudo são flores e obviamente os produtores executivos e o estúdio estão lá para estragar tudo.

A história do filme visa reinventar a mitologia clássica dos quadrinhos, criados por Stan Lee em 1961, na qual um grupo de quatro hérois vai para o espaço e adquire poderes especiais e decidem utiliza-los para ajudar a raça humana. Na produção atual, a viagem espacial foi substituída para uma viagem interdimensional, além de terem contextualizados os hérois para a geração contemporânea, sendo mais jovens e portanto inexperientes.

Temos o cientista Reed Richards (Miles Teller) que também é conhecido como senhor fantástico e possui o pode de esticar qualquer parte do seu corpo (hmmm); Susan Storm (Kate Mara), que fica invisível e manipula campos de força, além de ser par romântico de Reed; Johnny Storm (Michael B. Jordan), o esquentado Tocha Humana, que como o nome já diz, pode incendiar qualquer objeto, inclusive a si mesmo. E para fechar o grupo, o Coisa (Jamie Bell), o mais prejudicado, pois apesar de ganhar força e resistência sobre humanas, acaba deformado, com o corpo coberto de rochas. Além desses, temos o Vilão Victor Von Doom (Tobby Kebbel), que acaba com um corpo de metal e com manipulação de energia (ou sei lá o quê).

Pode-se notar que o elenco do filme é excelente, com atores competentes e experientes, inclusive interpretando bem o seu papel na obra. Então como um filme com um diretor e elenco bons poderia dar tão errado? Simples. Imposições do estúdio. É nítido que a obra apresentada no cinema não era a que o diretor tinha em mente, e isso fica bem representado na primeira metade do longa, com personagens cativantes, atuações sensatas e diálogos interessantes, não focando na ação para chamar a atenção do espectador. Josh Tranks sabe trabalhar com elementos humanos e tenta familiarizar os hérois com o público.

O problema começa após a metade do filme, justamente quando os poderes são adquiridos e o intervalo de um ano acontece. A partir daí, é um festival de desastres e claramente dá pra perceber que o diretor não teve controle nenhum sobre o longa, já que é totalmente voltado para a ação desenfreada e combates em outra dimensão. Possivelmente Josh quis abordar o desenvolvimento dos personagens com seus poderes, mostrando aos poucos suas adaptações, mas foi duramente vetado e graças a esse pulo temporal, toda essa parte foi substituída por um filme de ação B e sem sentindo. Para os mais atentos à filmografia dele, vai parecer inclusive que são dois filmes distintos.

Infelizmente, “Quarteto Fantástico” acabou sendo uma produção fracassada, tanto intelectualmente quanto financeiramente, mas que possuía com grande potencial de refazer a franquia, que também foi assolada pelos medíocres filmes anteriores. Josh Trank é um ótimo diretor e sabe como ninguém discutir a questão de humanos com super poderes, porém foi abafado por um estúdio tacanho e não teve liberdade para explorar isso, justamente em detrimento do lucro, que também não foi alcançado.

O ódio em relação ao filme é injustificável. O interessante é que quando um filme é muito “bom” pelo ponto de vista crítico, poucos o criticam e geralmente são chamados de “haters”, mesmo alguns possuindo opiniões válidas. O medíocre Interstellar é um exemplo disso. Será que se “Quarteto Fantástico” fosse um filme de Nolan ou do Singer, ele seria tão criticado? Talvez sim, talvez não. Nunca saberemos.

Apenas um conselho: veja antes de tecer críticas.

Patrick "Rick" Ribeiro - Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui