Projeto Mulheres em Cena: Corpo e Violência no Sesc Copacabana

Batalha (foto: Ana Alexandrino)
Batalha (foto: Ana Alexandrino)

Por iniciativa das atrizes Ester Jablonski, Luciana Mitkiewicz e Lígia Tourinho, o espaço vai apresentar debates, filmes, livro, instalação e a estreia de dois espetáculos falando sobre a violência e os direitos das mulheres.

No Brasil, a cada 1 hora e 30 minutos uma mulher é vítima de violência masculina.

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De 24 de maio a 26 de junho, o Sesc Copacabana vai reunir uma série de eventos para alertar para a violência contra a mulher, o aborto e o uso do corpo feminino como forma de vingança, além de discutir sobre seus direitos. Serão debates com profissionais do judiciário, jornalismo, filosofia, psicanálise, consulados, artes cênicas, direitos humanos e cinema, além do lançamento de um livro, de exibição de filmes sobre o tema, da abertura de uma instalação e da estreia de dois espetáculos: O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha, de Matéi Visniec e Bonecas Quebradas, com dramaturgia compartilhada.

Mulheres em Cena: Corpo e Violência nasceu da junção de dois projetos apresentados ao Sesc. O primeiro por iniciativa da Ester Jablonski que depois de começar a trabalhar na produção do espetáculo de Matéi Visniec, O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha, a atriz, que protagoniza a peça ao lado de Fernanda Nobre, sentiu que precisava ir além: “Esse projeto foi criado a partir da força do que o texto da peça traz. Senti que esse espetáculo poderia ecoar para além dos palcos, tamanha a força dele e da sua proposta. Força tão grande que fez com que agregássemos pessoas e instituições que lidam com a questão da violência contra a mulher, e o SESC, que imediatamente estabeleceu a ideia de juntar os espetáculos com a temática. Com isso montamos uma programação bem bacana, que inclui o filme do Thierry Michel – O Homem que conserta Mulheres, que só foi exibido aqui numa sessão do Festival do Rio no ano passado”.

Já a outra parte do projeto foi apresentada pelas atrizes Luciana Mitkiewicz e Lígia Tourinho, que seguiu o modelo do evento realizado por ambas, em setembro do ano passado, na Mostra Rumos, no Itaú Cultural, em São Paulo, em que apresentaram o espetáculo, um debate entre as atrizes, envolvidos no projeto, uma antropóloga e uma juíza. Além disso realizaram uma instalação aberta ao público durante toda a temporada. Nela, o espaço cênico foi objeto de visitação pelo público, local onde também foram dispostos alguns elementos de cena e exibidos na íntegra documentários e filmes de ficção que serviram de base à pesquisa desenvolvida no projeto. A instalação também estará disponível para visitação do público, no Mezanino, a partir do dia 10 de junho. “Tendo o espetáculo um tema como este, achamos melhor desdobrá-lo em uma série de atividades para que pudesse ser discutido e assimilado pelo público de forma crítica e ao mesmo tempo sensível, e isso inclui o lançamento de um livro pela Editora Azougue, através do qual, ele pode ser revisitado durante um tempo muito maior”, afirma Luciana.

Diante da temática, o Sesc optou por juntar ambas as ideias e, através das produções dos espetáculos e da coordenação de parte dos debates realizada pela psicanalista Adriana Novis, promover um evento que reunisse as peças e as outras atividades.

Os Espetáculos:
O inédito O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha mostra o encontro de duas mulheres que se conhecem depois do conflito bósnio, uma terapeuta norte-americana e uma bósnia violentada. Ambas revelam suas histórias numa tentativa desesperada de encontrar forças para continuar suas trajetórias. O corpo da mulher como campo de batalha, de Matéi Visniec, estreia dia 26 de maio, na sala Multiuso do Espaço SESC.

Através de Kate (Ester Jablonski), uma psicoterapeuta americana que trabalha como voluntária, e Dora (Fernanda Nobre), uma refugiada bósnia e vítima de estupro, Visniec deflagra um grito sobre a condição da mulher durante a guerra, quando o estupro era a tática mais utilizada para humilhar e derrotar o inimigo de ambos os lados. A dramaturgia de Matéi, aliada à direção de Fernando Philbert, tem a potência de traduzir o ser humano ao trazer para a cena a questão da violência contra a mulher sem derrotismo, mas sob o ponto de vista da luta e resistência em todas as guerras, até mesmo as do dia a dia.

Em seguida estreia o drama documental Bonecas Quebradas, dia 9 de junho, às 21h. A história de Ciudad Juarez, no México, na fronteira com El Paso, no território norte-americano é especificamente icônica. Desde 1993, contabilizam-se na região milhares de assassinatos de mulheres sem a devida punição. Uma situação sem precedentes, que levou, pela primeira vez na História, à condenação de um país – o México – na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Desde 1994, são mais de 4.000 mulheres desaparecidas e mais de 2.000 mortas em Ciudad Juarez. Todos os crimes seguem o mesmo padrão: sequestro, violência sexual, morte por asfixia, perfurações corporais, esquartejamento e desaparecimento dos cadáveres. Poucos corpos são encontrados e, quando localizados, geralmente em um período de tempo muito grande após o assassinato, encontram-se em um estado que impossibilita a investigação minuciosa. Os crimes estão prescrevendo, os mexicanos se sentem impotentes e o mundo não tem ideia do que se passa ali.

No elenco, Luciana Mitkiewicz, Lígia Tourinho e Ilea Ferraz e com dramaturgia compartilhada de João das Neves, Verônica Fabrini, Isa Kopelman e as próprias Luciana e Lígia, se utilizam desse emblemático acontecimento para falar sobre o feminicídio na América Latina (e no Brasil). Contemplado no edital Rumos Itaú 2014-2015, para realização de intercâmbio e criação artística, inicialmente, o espetáculo buscava investigar a imagem da Boneca Quebrada, maltratada, despida, riscada, despedaçada, como nos devaneios mais infantis, para descobrir os motivos de seu despedaçamento. Essa imagem instigou as atrizes idealizadoras do projeto, Luciana Mitkiewicz e Lígia Tourinho, a pesquisar outros mundos, a participar da dor de algo desconhecido e assustador, que acabou levando toda a equipe de criação ao México, em fevereiro de 2015, para descoberta dos casos de violência extrema contra mulheres na fronteira com o maior consumidor de drogas do mundo: os EUA. O espetáculo será apresentado pela primeira vez no Rio.

Bonecas Quebradas - Patricia Cividanes
Bonecas Quebradas – Patricia Cividanes

Filmes e Debates:

O evento Mulheres em Cena: Corpo e Violência será aberto pela leitura de textos, apresentação de vídeos, materiais de pesquisa, relacionados aos temas das peças e trechos de documentários das pesquisas, seguidos de uma mesa de debates com a Juíza do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, Adriana Ramos Mello, a ex. Superintendente do SUPEV/ CEDIM, da Secretaria de Estado Assistência Social e Direitos Humanos, Adriana Mota e a Representante do Brasil na Fundação Ford, ex-Secretária Nacional de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire. Após o debate, Luciana Mitkiewicz e Ligia Tourinho lançarão o livro “Bonecas Quebradas: Ensaios sobre um processo criativo em teatro documental”, da Editora Azougue, com a dramaturgia, fotos do processo e de cena e ensaios sobre o processo de pesquisa para construção do espetáculo, que incluiu uma viagem de prospecção e imersão criativa no México, onde as atrizes entraram em contato com os casos narrados no espetáculo.

Dia 31 de maio, será apresentada a Sessão de Cinema com o filme Filha da Índia, de Leslee Udwin, seguida de um debate com a diretora da Escola de Dança da UFRJ, Katya Gualter.

Dia 1º de junho, a Sessão de Cinema será com o filme Dr. Mukwege – O homem que conserta mulheres, dirigido por Thierry Michel, seguido de debate com o Cônsul-Geral da Bélgica, Bernard Quentin, a psicanalista Adriana Novis Leite Pinto e a Juíza Comba Marques Porto. O filme foi exibido no Festival do Rio do ano passado e causou grande comoção ao compartilhar a história do médico que cuidou de milhares de mulheres estupradas durante os vinte anos de conflito no Congo.

No dia 2 de junho, após a apresentação de O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha, as atrizes Ester Jablonski, Fernanda Nobre e o diretor Fernando Philbert vão debater sobre o uso do corpo da mulher como alvo de violência e vingança com a Juíza da Vara de Família Andréa Pachá, o psicanalista e escritor Carlos Eduardo Leal e a psicóloga Cecília Boal.

No dia 10 de junho, o espetáculo Bonecas Quebradas abre as portas de sua instalação Bonecas Quebradas: um cenário de corpos quebrados, que permanecerá aberto para visitação de terça a domingo, das 14h às 18h, no Espaço Mezanino.

Dia 16 de junho, após O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha será apresentado novo debate com a jornalista Flávia Oliveira, a professora de filosofia da UFRJ, Carla Rodrigues, o Desembargador José Muiños Piñeiro Filho, que atuou no caso da atriz Daniela Perez, a antropóloga Miriam Goldemberg e a psicanalista Adriana Novis.

E no dia 26 de junho, após a última apresentação da peça Bonecas Quebradas, as atrizes Ilea Ferraz, Lígia Tourinho, Luciana Mitkiewicz vão debater com o dramaturgo João das Neves, o Artivismo em cena – um cenário de corpos quebrados.

Cronograma completo:

PROJETO MULHERES EM CENA: CORPO E VIOLÊNCIA

O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA
com Ester Jablonski e Fernanda Nobre, em direção de Fernando Philbert

BONECAS QUEBRADAS
com Ligia Tourinho, Luciana Mitkiewicz, Ilea Ferraz. Encenação de Verônica Fabrini e dramaturgia compartilhada.

Dramaturgo convidado: João das Neves

Espaço SESC Copacabana
Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Tel.: 2548-1088

De 24 de maio a 26 de junho de 2016

24 de maio – 3ª feira – 19h – Lançamento do projeto Mulheres em Cena: Corpo e Violência

Debatedores convidados: Juíza Adriana Ramos Mello (TJ-RJ), Nilcea Freire (Fundação Ford e ex-Secretária Nacional de Políticas para mulheres e Adriana Mota (ex-Superintendente de Políticas Públicas para Mulheres do Estado do RJ)

Adriana Ramos Mello_ Juíza Titular do I Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca da Capital; Juíza Auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (biênio 2015/2016); Presidente do Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro e Doutora em “Derecho Público y Filosofia Juridicopolítica” pela Universidade Autonoma de Barcelona, Espanha – Título: “Femicídio: Uma Análise Criminológico-jurídica da Violência contra as Mulheres”.

Adriana Valle Mota, socióloga, com especialização em Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos, Gênero e Violência. Atua como consultora na elaboração e desenvolvimento de projetos de enfrentamento à violência contra as mulheres desde 1997. Foi presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher em 2014, quando também atuava na coordenação da Rede de Serviços Especializados de Atendimento à Mulheres do Rio de Janeiro. Foi superintendente de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Estado do Rio de Janeiro e gestora estadual do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher durante o ano de 2015. É sócia diretora da Veda Consultoria em Projetos Sociais. 

Lançamento do livro BONECAS QUEBRADAS: ensaios de um processo de criação em teatro documental.

26 de maio – 5ª feira – 19h

Estreia da peça O CORPO DE MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

6ª a domingo – 27, 28, e 29 de maio – 6ª e sábado – 19 h, Domingo 18 h

Espetáculos- OCORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

31/05 – 3ª feira – 19 h – Sessão de Cinema – Filha da Índia, de Leslee Udwin, seguida de debate com a diretora da Escola de Dança da UFRJ, Katya Gualter.

Katya Gualter  é Doutora em Artes da Cena pela Unicamp. Professora, membro da equipe proponente das Graduações em Dança da UFRJ. Diretora da Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ. Coordenadora do Laboratório PECDAN (Pesquisa em Cinema e Dança) – Projeto norteador “Senhora da Encruzilhada: por uma dançaudiovisual“. Idealizadora e facilitadora de oficinas. Organizadora de anais e eventos.

1º de junho – 4ª feira – Sessão de Cinema19 h

Exibição do filme “Dr. Mukwege – O homem que conserta mulheres”, dirigido por Thierry Michel, seguido de debate

Debatedores convidados: Bernard Quentin, Cônsul-Geral da Bélgica no RJ; Comba Marques Porto, juíza do trabalho, feminista, escritora, autora do livro A ARTE DE SER OUSADA, UMA HOMENAGEM A CARMEN DA SILVA e Adriana Novis Leite Pinto, psicóloga e psicanalista.

2 de junho – 5ª feira – 19hApresentação da peça O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA seguido de debate:

Debatedores convidados: Juíza Andréa Pachá, atua em Vara de Família no TJ-RJ, autora de vários livros, dentre eles “A Vida Não é Justa” e “Segredo de Justiça”; Carlos Eduardo Leal, psicanalista, escritor e artista plástico; Cecilia Boal, psicóloga, criadora e diretora do Instituto Augusto Boal.

3, 4 e 5 de junho – 6ª a domingo: 6ª e sábado – 19 h, Domingo 18 h

Espetáculos- O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

9 de junho – 5ª feira – 21h – Estreia espetáculo BONECAS QUEBRADAS

9, 10, 11 e 12 de junho – 5ª a sábado às 21h; domingo, às 20h – Espetáculo BONECAS QUEBRADAS

9 de junho – 5ª feira – 19h – O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA seguido de debate.

Debatedor convidado: Adriana Carranca, jornalista colunista dos jornais O Globo e O

Estado de São Paulo

10 de junho – 6ª feira – 14h – Abertura da instalação Bonecas Quebradas: um cenário de corpos quebrados

9, 10, 11 e 12 de junho – 5ª a domingo: 5ª a sábado – 19 h, Domingo 18 h

Espetáculos- O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

16 de junho – 5ª feira – 19h – O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA seguido de debate.

Debatedores convidados: Desembargador José Muiños Piñeiro Filho (TJ-RJ); Carla Rodrigues, Professora de filosofia da UFRJ, escritora, pesquisadora nas áreas de filosofia, gênero e psicanálise; Miriam Goldenberg, antropóloga e Flavia Oliveira, jornalista.

17, 18 e 19 de junho – 6ª a domingo: 6ª e sábado– 19 h, Domingo 18 h

Espetáculos – O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

15, 16, 17, 18 e 19 de junho – 4ª a sábado às 21h, domingo às 20h – Espetáculo BONECAS QUEBRADAS

19 de junho – Domingo – 18 h – Encerramento da Temporada

O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA

22, 23, 24,25 e 26 de junho – 4ª a sábado às 21h, domingo às 20h – Espetáculo BONECAS QUEBRADAS

26 de junho – Domingo – 20h – Apresentação do espetáculo BONECAS QUEBRADAS, seguido de debate de encerramento

Tema: Artivismo em cena – um cenário de corpos quebrados, com: Ilea Ferraz, Lígia Tourinho, Luciana Mitkiewicz e João das Neves.

Serviço Mulheres em Cena: Corpo e Violência:

Data: De 24 de maio a 26 de junho

Local: Sesc Copacabana – Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ

www.sescrio.org.brTel.: 21 2547 0156

Horário: Checar no Cronograma.

Serviços Espetáculos:

O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA
Temporada: 26 de maio a 19 de junho
Horários: Quintas aos sábados, às 19h e domingos, às 18h
Local: Sesc Copacabana / Sala Multiuso – Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ
www.sescrio.org.brTel.: 21 2547 0156
Valor Ingresso: R$20,00 (inteira), R$10,00 (meia-entrada), R$5,00 (associados SESC)
Bilheteria: Terça a domingo a partir das 15h às 19h. Vendas antecipadas no local.  
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama


BONECAS QUEBRADAS
Temporada: 9 de junho a 26 de junho
Horários: 1ª semana – De quinta a domingo. Quintas aos sábados, às 21h, domingos, às 20h
2ª a 3ª semana – De quarta a domingo. Quartas aos sábados, às 21h, e domingos às 20h.
Local: Sesc Copacabana / Mezanino – Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ
www.sescrio.org.brTel.: 21 2547 0156
Valor Ingresso: R$20,00 (inteira), R$10,00 (meia-entrada), R$5,00 (associados SESC)
Bilheteria: Terça a domingo a partir das 15h às 19h. Vendas antecipadas no local. 
Gênero: Drama Documental