Projeto “Aos Novos Compositores” comemora um ano nesta quinta-feira

Foto: Marcelo Ticou
Foto: Marcelo Ticou

Existe uma roda de samba de compositores, feita por compositores, cantando só sambas autorais? Não só existe como está, hoje, comemorando um ano de sucesso. O projeto “Aos Novos Compositores” promove, na segunda quinta-feira de cada mês, uma roda só com sambas inéditos, cantados sempre na voz dos próprios autores, com o intuito de oferecer um lugar para os sambistas da nova geração mostrarem suas composições. A reunião acontece no tradicional boteco A Paulistinha, na Av. Gomes Freire, 27, bem no Centro do Rio de Janeiro. Pode chegar que o evento é gratuito e a cerveja já está no gelo.  

Se antes, há um ano, o primeiro encontro do projeto reuniu menos de dez pessoas, hoje, a realidade é bem diferente. Com cerca de 100 pessoas a cada mês, a roda de samba vem crescendo e se tornando motivo de muita alegria para Fernando Procópio, Flávio Galiza, Léo Cerqueira, Leandro Partideiro, Adauto Hermógenes e Carlos Cadé, compositores, produtores e organizadores do projeto. Para eles, todo esse sucesso é resultado de muito esforço. “Tudo tem acontecido muito pela nossa força de vontade. Todo mundo aqui faz tudo”, conta Cadé, que além de compositor, assume também o pandeiro.

Segundo o vocalista Fernando Procópio – chamado de Mestre de Cerimônia, MC, entre o grupo –, é possível identificar o fruto do trabalho na alegria dos companheiros de roda. “O sucesso que a gente tem hoje não é o do mercado. É o sucesso de olhar no rosto do outro e ver a felicidade”, se alegra. Ele ainda acredita que o grande segredo do samba está na simplicidade e na poesia. “A gente não toca o comercial. A gente toca o que toca a gente”, explica.

De acordo com os organizadores, que hoje se consideram uma família, o que se escuta no samba “Aos Novos Compositores” não se ouve em nenhum outro lugar. A cada quatro meses, o grupo alimenta um caderno que contém as composições. Até agora, estão no quarto caderno e já foram registrados ali, em média, 75 sambas autorais. Dentre eles, dois já foram gravados por outros intérpretes. As canções “Se for para ir”, de Yago Costa, e “Cabocla linda”, de André da Mata e Negro Josy, estão presentes no DVD do Grupo Arruda, que foi gravado em junho deste ano.

É justamente esse um dos maiores objetivos do projeto: que os intérpretes busquem as composições na roda. “A gente quer que saiam bons frutos daqui, que interpretes gravem nossas canções porque o nosso material é de qualidade. Hoje em dia, não se buscam mais canções nas ruas”, reflete Leandro Partideiro, também vocalista. Além da luta pelo espaço e estrutura, os novos sambistas estão à procura de oportunidades. “A gente quer ser ouvido. Tem muita gente boa por aqui”, aponta Galiza, que toca surdo durante a roda.

História

Tudo começou na boa e velha conversa de botequim. Depois de muitas ideias e algumas cervejas, um ano atrás, os amigos Flávio Galiza, Leandro Partideiro, Carlos Cadé e Adauto Hermógenes criaram um grupo de conversa no aplicativo Whats App a fim de dividirem suas composições. Aos poucos, um amigo foi adicionando outro e quando foi no dia 10 de setembro de 2015 aconteceu a primeira reunião do grupo. “Nosso encontro acabou sendo uma necessidade. Nem todo mundo se conhecia e a gente queria tocar os sambas compartilhados no aplicativo”, conta Cadé. De acordo com Procópio, o encontro serviu para revelar a identidade dos compositores ao público, que muitas vezes é desconhecida. “A intenção era tirar a máscara do compositor, mostrar seu rosto, abrir um sorriso”, explica.

O nome do projeto foi dado em razão ao samba “Aos Novos Compositores”, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Chiquinho Vírgula, também padrinho do grupo. E é com esse samba que os músicos dão início à roda, desde o início. Tradicionalmente, no fim da roda, o partido alto e seus sambas versados comem soltos. Ainda tem espaço para outras vertentes do samba, como ijexá e samba de breque. Tudo autoral.

Eles tiveram a quem puxar. O projeto também é afilhado e parceiro do Samba na Fonte, roda que promove sambas autorais desde 2007. Com apenas um ano, já se sentaram à mesa grandes compositores, como Chiquinho Vírgula, Zé Catimba e Barbeirinho do Jacarezinho. Motivo, para eles, de muita satisfação. “Aqui não tem artista, só compositor”, brinca Procópio.

Ao ser perguntados sobre o que o grupo espera para o futuro do projeto, a resposta vem com muito sorriso e brilho nos olhos: “Almejamos o registro do samba “Aos Novos Compositores”, em formato de CD ou DVD. A gente acredita em todos. O importante aqui não é o compositor, é a composição. A ideia é perpetuar o samba independentemente de quem seja. É a nossa maior bandeira”, diz Leandro.

Serviço

O que? Projeto “Aos Novos Compositores” comemora um ano de roda de samba

Onde? Bar A Paulistinha, na Avenida Gomes Freire, 27, Centro

Que horas? 19h

Quanto? O evento é gratuito

Participam da roda: Fernando Procópio (vocal); Flávio Galiza (surdo); Léo Cerqueira (repique); Leandro Partideiro (vocal); Adauto Hermógenes (cavaco, maestro e arranjador); Carlos Cadé (pandeiro); Vinicius Mascote (violão); Alex Brignes (tantã); Walber Junior (cavaco).

 

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