Prêmio da Música Brasileira homenageia Gonzaguinha em sua 27ª edição

Júlio Andrade / Foto: Lucas Rodrigues / Sopa Cultural

Autor de clássicos como ‘Explode Coração’, ‘Com a perna no mundo’ e ‘O que é o que é?’, Gonzaguinha foi ontem representado por grandes nomes da música brasileira.

Quem estava no Theatro Municipal na noite desta quarta-feira (22) não conseguiu segurar a emoção. O coração, certamente, explodiu. Com direção geral de José Maurício Machline, o 27º Prêmio da Música Brasileira homenageou o cantor Gonzaguinha (1945-1991) e trouxe uma atração inédita: um monólogo autobiográfico do filho do rei do baião, interpretado pelo ator Júlio Andrade. Ele, que já viveu o cantor no filme ‘Gonzaga: de pai para filho’ (2012), dividiu o palco com Dira Paes, apresentadora do evento. 

O prêmio aconteceu de forma tricotômica. Dividiu-se entre um ato teatral, no qual o menino do morro do São Carlos utilizava a pele de Julio Andrade; a premiação de uma categoria, apresentada pela atriz, que no último ato ainda interpretou a Dina, mãe do cantor; e uma interpretação musical das canções do homenageado. Difícil apontar o premiado mais aplaudido. Difícil eleger a melhor canção. Difícil escolher o ato mais emocionante. Mas nem tudo foi só emoção. Foi só o ator falar de liberdade de expressão durante um ato que o Theatro Municipal explodiu em coro um ‘Fora Temer’. Foram quase dois minutos de protesto.

A homenagem

A abertura ficou por conta da Marrom. Alcione iniciou a noite cantando ‘Com a perna no mundo’. A dupla Luiz Melodia e Ângela Ro Ro dividiu o palco para interpretar ‘Grito de alerta’. Simone Mazza e Filipe Catto fizeram um dueto para cantar ‘Sangrando’. A banda Dônica trouxe um ar tropicalista da canção ‘Lindo lago do amor’ e agitou o público. Ney Matogrosso, como sempre, deixou o público sem palavras com ‘Explode coração’. O rapper Criolo surpreendeu com uma versão provocativa de ‘Comportamento geral’. No fim da canção, ainda fez manifestações políticas em forma de rap. Criticou o machismo, a homofobia e o racismo, presentes, segundo ele, diariamente na rotina das minorias sociais.

O violão de João de Bosco invadiu o Theatro Municipal na canção ‘Galope’. Já Elza Soares, majestosamente, interpretou ‘O que é o que é?’, junto de Pretinho e Thiago da Serrinha. Foi aplaudida de pé, é claro.  Júlio Andrade também brincou com o coração do público ao cantar ‘Guerreiro menino (Um homem também chora)’. Quem ainda não tinha se emocionado não se segurou ao ver a surpresa que foi Daniel Gonzaga, Fernanda Gonzaga e Amora Pêra – filhos de Gonzaguinha – cantando ‘Redescobrir’. A semelhança da voz do filho com a do pai foi tamanha que a platéia não teve como não ovacionar. A última homenagem contou com swing de Seu Jorge, ao som de ‘É’.

premio da musica_O Prêmio
A noite foi de Zélia Duncan. Apesar de um certo burburinho, a cantora foi a mais premiada. Concorria a cinco, levou três. Ela, que também assinou o roteiro interpretado por Júlio, levou o troféu de melhor álbum de samba, melhor cantora de samba e de melhor canção. Caetano Veloso, Elba Ramalho e Fafá de Belém também levaram um prêmio em cada mão, em diferentes categorias. Ambos de melhor cantor (a) e melhor álbum. Veja abaixo a lista dos vencedores.

Canção popular
Melhor cantor: Roberto Carlos (‘Primeira Fila’)
Melhor álbum: ‘Do tamanho certo para o meu sorriso’, de Fafá de Belém, produtores Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro
Melhor grupo: Jamz (‘Insano’)
Melhor cantora: Fafá de Belém (‘Do tamanho certo para o meu sorriso’)
Melhor dupla: Chitãozinho e Xororó (‘Tom do Sertão’)

Especiais
Álbum em língua estrangeira: ‘Cauby Sings Nat King Cole’, de Cauby Peixoto, produtor Thiago Marques Luiz
Álbum infantil: ‘Para Ficar Com Você’, de Palavra Cantada, produtores Paulo Tatit e Sandra Peres
Álbum eletrônico: ‘Gaia Musica – vol. 1’, de Dj Tudo e Sua Gente de Todo Lugar, produtor DJ Tudo
Álbum projeto especial: ‘Café no Bule’, de Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit, produtores Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit
Melhor DVD: ‘Loucura – Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues’, de Adriana Calcanhotto, direção de Gabriela Gastal
Álbum erudito: ‘Sinfonia nº12, Uirapuru e Mandu-Çarará’, de Villa-Lobos, interpretado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, produtor OSESP

Regional
Melhor cantor: Xangai (‘Xangai’)
Melhor cantora: Elba Ramalho (‘Cordas, Gonzaga e Afins (Sagrama e Encore)’)
Melhor dupla: Almir Sater e Renato Teixeira (‘AR’)
Melhor álbum: ‘Cordas, Gonzaga e Afins (Sagrama e Encore)’, de Elba Ramalho, Produtores: Sergio Campello e Tostão Queiroga
Melhor grupo: Ilê Aiyê (‘Bonito de se Ver’)

Categoria Pop/rock/reggae/hip-hop/funk

Melhor cantor: Lenine (‘Carbono’)
Melhor álbum: ‘A Mulher do Fim do Mundo’, de Elza Soares, produtor Guilherme Kastrup
Melhor grupo: Titãs (‘Nheengatu – ao vivo’)
Melhor cantora: Gal Costa (‘Estratosférica’)

Categoria melhor canção
‘Antes Do Mundo Acabar’, de Zeca Baleiro e Zélia Duncan, intérprete Zélia Duncan (CD ‘Antes do mundo acabar’);

Categoria revelação
Simone Mazzer (‘Férias em Videotape’)

Instrumental
Melhor álbum: ‘Tocata à Amizade’, de Tocata à Amizade, produtores Yamandu Costa e Rogério Caetano
Melhor solista: Hamilton de Holanda (‘Pelo Brasil’)
Melhor grupo: Tocata à Amizade (‘Tocata à Amizade’)

Categoria projeto visual
Tereza Bettinardi por ‘Dancê’, de Tulipa Ruiz

Categoria arranjador
Guinga por ‘Porto da Madama’, de Guinga

Categoria MPB
Melhor álbum:‘Dois Amigos, um século de música’ de Caetano Veloso e Gilberto Gil, produtores Caetano Veloso e Gilberto Gil
Melhor cantor: Caetano Veloso (‘Dois Amigos, um século de música’)
Melhor cantora: Virginia Rodrigues (‘Mama Kalunga’)
Melhor grupo: Dônica (‘Continuidade dos Parques’)

Categoria samba
Melhor álbum: “Antes do mundo acabar”, de Zélia Duncan, produtora Bia Paes Leme
Melhor cantor: Alfredo Del-Penho (“Samba Sujo”)
Melhor cantora: Zélia Duncan (“Antes do mundo acabar”)
Melhor grupo: Moacyr Luz e Samba do Trabalhador (“Moacyr Luz e Samba do Trabalhador – 10 anos e outros sambas”). 

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