‘Pra Onde Corre O Rio’ mostra que o esgoto e o lixo aproximam os moradores da Rocinha e de São Conrado

“Pra Onde Corre O Rio”, série original do Curta! dirigida por de Paula Fiuza, chega ao quinto episódio na Sexta da Sociedade, 23, mostrando como o Rio Pires – que nasce no alto da Rocinha – se transforma em um valão que desemboca na praia, em São Conrado. O título do episódio, “São Conrado e Rocinha – Dois mundos unidos pelo esgoto”resume o drama que aproxima moradores do morro e do asfalto em torno do mesmo problema: o descaso do poder público com o saneamento básico e a falta de conscientização da população com o lixo.

Dos moradores que buscam água para consumo na nascente do rio, até as valas negras que poluem a praia e impedem que campeonatos de surfe sejam realizados na área, o episódio mostra essa realidade e percorre a região de pouco menos de 10 quilômetros ocupada pelo rio, registrando relatos de moradores, de voluntários em campanhas de conscientização ambiental e até da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae).

A Cedae admite que apesar das dificuldades topográficas da Rocinha, com suas vielas e becos, é possível, sim, realizar serviços de coleta e saneamento na região. Por outro lado, agentes de projetos que atuam na comunidade reclamam que falta, também, conscientização dos moradores com o próprio lixo. “Eu tenho certeza absoluta que a grande maioria, se não todos, que jogam lixo no valão, não sabem que esse lixo todo vai parar na praia. E a praia é o principal lazer de toda comunidade”, pontua Fabrini Tapajós, criador do movimento Salvemos São Conrado. Percy Justino, morador da Rocinha que acompanha os trabalhos realizados pelos grupos voluntários de coleta de lixo na comunidade, faz coro. “A demanda do lixo é tão grande que é, como se diz no popular, enxugar gelo”.

Na praia, considerada um dos melhores lugares do Rio para a prática do surfe, o esgoto que jorra no mar repele os banhistas. Os que insistem nas ondas de São Conrado colecionam histórias de doenças de pele e infecções. É o caso do jovem surfista e morador da Rocinha, David Barbosa, que disputa campeonatos internacionais representando o Brasil. Promessa do esporte, ele conta no episódio que já teve doenças de pele, mas que mesmo assim treina diariamente nas águas de São Conrado. “Quando eu comecei a surfar, em 2007, eu peguei pano branco duas vezes. Depois eu criei anticorpos. Mas eu já vi vários amigos que tiveram infecções e infecção urinária, e outros já tiveram que sair da água diretamente para o hospital”, conta o surfista.

“Pra Onde Corre o Rio” tem oito episódios – inéditos sempre às sextas, às 20h – nos quais são desvendados os grandes problemas que, há décadas, afetam a natureza do Rio de Janeiro, como a poluição da Baía de Guanabara, dos rios e lagoas; a ocupação irregular de áreas preservadas; a falta de conservação nas áreas de mata; a falta de saneamento básico e as ações de impacto das indústrias poluentes.

SEXTA DA SOCIEDADE

Pra Onde Corre o Rio – São Conrado e Rocinha – Dois mundos unidos pelo esgoto
Às vésperas das Olimpíadas, o Rio de Janeiro se vê obrigado a lidar com os problemas ambientais que o assolam há décadas: poluição da Baía de Guanabara, dos rios e lagoas da cidade e de todo o estado, ocupação irregular de áreas de preservação, falta de preservação de áreas de mata, falta de saneamento básico, indústrias poluentes. Existe solução? Com a participação do biólogo Mario Moscatelli, militante ambiental incansável há mais de vinte anos, a série nos conduz por uma viagem pelas outrora maravilhosas terras e águas do Rio de Janeiro, montando um panorama da realidade ambiental e seus principais personagens, de moradores de locais críticos a agentes políticos, e o que pode ser feito para mudar o curso do Rio, que no momento parece correr o desastre. 

Diretora: Paula Fiuza 
Duração: 32 min.
Exibição: 23 de setembro, sexta-feira, às 20h
Classificação: Livre

Horários alternativos:
Dia 24 de setembro, sábado, à 0h;
Dia 26 de setembro, segunda-feira, às 2h;