“Ponto Zero”, primeiro longa-metragem de José Pedro Goulart

Diretor apostou em ousado processo de produção para retratar conflitos típicos da adolescência

Ponto Zero (foto: Amanda Copstein)
Ponto Zero (foto: Amanda Copstein)

Em 02.06 a Pandora Filmes lança “Ponto Zero” nos cinemas do Rio de Janeiro. O filme é o primeiro longa-metragem de José Pedro Goulart, codiretor de um dos mais festejados curtas do cinema nacional, “O Dia em que Dorival encarou a Guarda”, que completa 30 anos em 2016. Ponto Zero vem chamando a atenção da crítica. Ao construir um retrato visceral sobre os conflitos que rondam a adolescência em meio a uma cena familiar claustrofóbica, Goulart lança a pergunta a espectadores de todas as idades: “qual o peso que cada um pode suportar?”.

Ponto Zero foi filmado em sequência (cena por cena, como aparece na montagem final), sem que a maioria dos integrantes da equipe, inclusive o elenco, tivesse acesso ao roteiro. Dessa maneira, o menino Sandro Aliprandini teve sua estreia diante das câmeras às cegas; um jogo arriscado, pactuado com o diretor, ou seja, um projeto de ficção, filmado como se fosse real e fazendo com que cada tomada contivesse uma surpresa ou uma descoberta. 

Antes de “Ponto Zero”,além de “Dorival…”, Goulart dirigiu curtas premiadíssimos no Brasil e no exterior, como “O Pulso”, e ainda o episódio “Sonho”, em “Felicidade é…”, longa-metragem dividido em quatro episódios dirigidos por diferentes cineastas (além de Goulart, Jorge Furtado, Cecílio Neto e José Roberto Torero), vencedor de Melhor Filme no Festival de Brasília.

Sinopse: Ao tentar escapar de uma claustrofóbica cena familiar, Ênio, um menino de 14 anos, desafia uma noite tempestuosa que o levará a um choque brutal com o destino.

Curiosidades:

– A pré-produção de Ponto Zero envolveu a equipe em um processo  de construção criativa  e colaborativa liderada pelo diretor, José Pedro Goulart, que incluiu análise de filmes e discussões sobre o universo a ser criado. Denny Chang colaborou desenhando quadrinhos a partir do roteiro do filme (mas sem uma decupagem prévia do diretor, ou seja, teve que interpretar à sua maneira – José Pedro conta que isso é uma inversão do processo normal e desta forma pode utilizar-se de algumas ideias propostas pelo desenhista).

– Durante as filmagens de Ponto Zero, as luzes de vários  postes de ruas do Quarto Distrito de Porto Alegre eram trocadas ao fim da tarde e recolocadas no final do set, pela manhã.

-Para resolver o som direto na cena do ônibus, placas de grama sintética foram implantadas em toda a extensão do teto, o que amenizou o barulho da chuva sobre o veículo.

-Metade do filme foi gravada no fuso horário invertido: produção equipe e elenco tiveram que adaptar  seus relógios biológicos e afazeres cotidianos durante o período.

Protagonistas:

-Estreante em cinema, Sandro Aliprandini, o garoto de Passo Fundo, foi descoberto para fazer Ênio a partir de uma notícia de jornal sobre uma premiação de teatro com a turma da escola. Do primeiro contato com a produção até o momento em que o filme começou a ser rodado, foi preciso esperar um ano inteiro, tempo necessário para que ele fizesse aulas de preparação vocal e também ficasse mais próximo da idade do personagem, de 14 anos. A pedido do diretor, Sandro deixou de cortar os cabelos durante todo este ano até o término das filmagens.

-Patrícia Selonk está a frente de um dos principais grupos teatrais do Brasil, o Armazém Companhia de Teatro, e acumula premiações nacionais e internacionais em seus mais de 25 anos de carreira, inclusive o Prêmio Shell de Melhor Atriz pelo trabalho em Inveja dos Anjos. José Pedro Goulart a viu no palco pela primeira vez na peça “A Marca D’água”, e decidiu convidá-la para interpretar a mãe de Ênio.

-Eucir de Souza  é o Virgílio de Ponto Zero. Mineiro radicado em São Paulo, ele vem construindo uma notável carreira como ator. Entre seus trabalhos no cinema estão o curta-metragem “Palíndromo” de Philippe Barcinski, e os longas “Salve Geral”, de Sérgio Rezende, e “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro.

–  O cineasta José Pedro Goulart é também jornalista e gestor de atividades criativas desde que foi diretor de programação da TVE RS, nos anos 80. É cofundador da Casa de Cinema de Porto Alegre e da produtora Zeppelin. Atualmente dirige a Mínima, empresa multiplataforma que produz cinema, séries de TV  e publicidade e engloba web radio e editora. Com quatro livros publicados, José Pedro foi colunista por 15 anos do jornal Zero Hora e da pioneira revista eletrônica Terra Magazine. É também realizador de filmes publicitários – em 2004, foi considerado o melhor diretor do Brasil, destacado pelo prêmio Folha/Meio & Mensagem. Dirigiu o histórico registro  em vídeo “Tangos e Tragédias na Praça da Matriz” e o espetáculo musical “Onde está o amor”, de Nico Nicolaiewsky. Como cineasta foi um dos protagonistas da chamada “ Primavera do Curta Brasileiro”. Dirigiu filmes como “O Dia em que Dorival Encarou a Guarda” (com Jorge Furtado) e o “O Pulso”, ambos amplamente premiados em festivais nacionais e estrangeiros, e o episódio “Sonho”, do longa “Felicidade É”. Produziu, entre outros,  o documentário “O Cárcere e a rua”, de Liliana Sulzbach.

– Larissa Tavares, que vive Beatriz,  está estreando em longa-metragem. Destaque na cena teatral gaúcha, ela atuou em espetáculos como o musical “O Bom, O mal e A Sua Esposa” e “A Bilhauebrada”, que lhe rendeu o Prêmio Açorianos de teatro 2011 como Melhor Atriz Coadjuvante.

Trilha sonora:
Leo Henkin compôs quatro músicas especialmente para Potno zero: “Terra”, “Elipse”, “Atmosfera” e “Sonho”. A trilha foi executada por uma orquestra especialmente criada para o filme, com regência de fernando Cordella.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: José Pedro Goulart
Produção: José Pedro Goulart e Aletéia Selonk
Produção executiva: Aletéia Selonk
Direção de fotografia: Rodrigo Graciosa
Montagem: Federico Brioni
Direção de Arte: Valéria verba
Figurino: Adriana Borba
Trilha sonora: Léo Henkin
Som direto: Gabriela Bervian
Desenho de som: Kiko Ferraz e Chrístian Vaisz
Direção de Produção: Marília Garske  e Sandro Dreher

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