Ponto de Equilíbrio estreia turnê “Essa é a nossa música” no Circo Voador

Foto: João Paulo Racy
Foto: João Paulo Racy

No dia 6 de setembro, terça-feira (véspera de feriado), os fãs cariocas do Ponto de Equilíbrio vão assistir pela primeira vez, e “em casa”, ao novo show da banda, “Essa é a nossa música” (Som Livre). A turnê que já excursiona o país é inspirada no CD homônimo lançado em abril desse ano e que contou com participações especiais de Ivete Sangalo, Emicida, Gabriel O Pensador, Alexandre Carlo e do multi-instrumentista italiano Alborosie. No Circo, o grupo também celebra a marca de 1 milhão e meio de visualizações do clipe “Nossa música” na internet.

Nascido há 16 anos em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, o Ponto de Equilíbrio é reconhecido como um dos mais importantes grupos de reggae do país. Formado por Helio Bentes (vocal), Pedro ‘Pedrada’ Caetano (baixo), Márcio Sampaio (guitarra), Tiago Caetano (teclado), Lucas Kastrup (bateria) e Marcelo Campos (percussão), o conjunto ganhou respeito no universo do reggae desenvolvendo um trabalho 100% autoral com os álbuns “Reggae a vida com amor” (2004), “Abre a janela” (2007), “Dia após dia lutando” (2010) e “Juntos somos fortes” (2013) e o recém-lançado “Essa é a nossa música”.

No Circo Voador o show será pra lá de especial e terá no repertório as canções do novo disco como “Nossa música”, “Direitos iguais”, “Estar com você”, e antigos sucessos como “Jajah me leve”, “Ponto de Equilíbrio” e “Só quero o que é meu”.  Um espetáculo criado para fãs de todas as vertentes do reggae, como aponta Marcelo Yuka na apresentação do álbum: “salta aos olhos a coragem e a autonomia da banda em passear por vários estilos diferentes sem perder a originalidade nem o vínculo estreito com o reggae de raiz”.

Mais sobre o disco “Essa é a nossa música”

-por Marcelo Yuka-

Não sei exatamente qual o seu gosto musical, mas se você ainda acha que reggae é uma música toda igual, com uma guitarrinha que se repete do começo ao fim, com algum maluco com o cabelo diferente gritando “oi oi oi”, você está severamente enganado. Esse ritmo, tipicamente jamaicano, fez daquela pequena ilha no Caribe um reflexo não só da cultura local, mas da diáspora africana pelo mundo. O Brasil, com todas as suas matrizes negras, culturais não podia ficar de fora. De uma maneira ou de outra, o reggae como estilo musical começou o seu namoro com o Brasil há uns 40 anos (alguns dizem que o shot já era um tipo de reggae ou que o reggae já era um tipo de shot).

Uma das primeiras citações sobre o reggae no Brasil seria da música “Nine out of ten”, do disco Transa, do Caetano Veloso. Mas há evidências de gravações propriamente ditas antes do Caetano Veloso, dessa palavra reggae, no Maranhão, e até mesmo o Movimento Roraimeira – movimento cultural, como o nome diz, vindo de Roraima, nossa capital mais perto do Caribe. Eu não sei dizer. Só sei que depois de tanto tempo e de tantas afinidades rítmicas e sociais, o reggae se estabeleceu no Brasil, não só para um público fiel, mas também por artistas que seguram o seu cajado como proposta principal. É nesse terreno que o Ponto de Equilíbrio cresceu e se estabeleceu.

Me lembro da primeira vez que vi os meninos no palco do Circo Voador. Foi uma grata surpresa ter essa banda de Vila Isabel, subúrbio carioca, tocando com propriedade o ritmo jamaicano, com um público que lotava as dependências do lugar, cantando quase todas as músicas com devoção – uma clara referência que as pessoas que estavam ali não precisavam da rádio para construir tamanha empatia. Era o talento da banda e o espaço que o reggae exigia no país e fazia toda a conexão. Cinco discos depois, a turma de Helinho, Lucas, Marcio, Tiago, Marcelo e Pedrada estão, com certeza, mais ainda estabelecidos não só no cenário do reggae, mas no cenário pop brasileiro. Me salta aos olhos, agora, nesse novo trabalho “Essa é a nossa música”, a coragem e a autonomia da banda em passear por vários estilos diferentes, sem perder a originalidade, nem o vínculo estreito com o reggae de raiz.

O disco começa com “Fio da Fé”, um reggae moderno com riff de guitarra distorcido e uma métrica vocal flertando com os DJs e toasters jamaicanos. Depois, damos uma guinada na canção “Nossa Música” com participação do Gabriel o Pensador, uma melodia linda com tendência atual da mistura que o ritmo adota derivado do encontro com hip hop. “Chances”, a terceira faixa, já se desdobra num roots ensolarado que assume de vez a relação da banda com o rastafarianismo. Em seguida, temos “Direitos Iguais”, que agrada e muito aqueles que, assim como eu, são fãs do Reggae Dub. “Estar Com Você”, a faixa seguinte, já cai com uma pegada mais romântica com participação de Ivete Sangalo e é mais uma grande melodia do disco. Perto da metade do disco, tenho que ressaltar a qualidade dos timbres que tem nele, principalmente a cozinha “baixo e bateria” da banda.

A oitava faixa, “Vou Me Tacar”, já tem um enfoque mais urbano e eletrônico, o que mostra a versatilidade e a capacidade do vocalista Helinho em passear por várias métricas diferentes. O disco segue com “Fogo e Água”, talvez a faixa mais bombástica. A faixa onze, “A Vida de Um Rastafaman”, conta com participação de Alexandre Carlo, do Natiruts. As duas vozes combinam muito bem e seguem com a pegada rasta e melódica. “Peleja” é outra canção que abre espaço para o hip hop entrar, onde a participação do Oriente dá o tom sem perder a pegada que os fãs da banda já estão acostumados. As duas últimas canções “Etiópia Sagrada” e“Diamante Rubi” propõem, mais uma vez, pelo ponto de vista rastafári, um sossego, uma certeza e uma fé que, independente da crença de cada um, é um aconchego espiritual musicado em gratidão.

Minha intenção, quando comecei esse texto, não era falar de tantas canções, mas colocar apenas os meus sentimentos, minha visão, em decorrência do disco, mas confesso que fui capturado pela diversidade dentro do gênero reggae, que a maturidade do Ponto de Equilíbrio impõe. Os garotos cresceram e se fortaleceram não só na autenticidade, para defender o reggae, mas na coragem de passar com tanta autonomia pelas mais diversas nuances do gênero. O Ponto agora é do Equilíbrio que a música pop brasileira contemporânea de origem jamaicana tem para se alicerçar, no coração desse país complexo e multifacetado, ainda se definindo, numa democracia religiosa, racial e política. Depois de tanto tempo, fico feliz por ser e perceber que o reggae, em sua essência seja como for, ainda carrega os mesmos compromissos dos seus mentores, sem temer a época, os conflitos e as possibilidades urgente dos dias de hoje. Valeu, Ponto. Obrigado pelo compromisso.

Serviço:

PONTO DE EQUILÍBRIO – Lançamento do álbum ‘Essa É A Nossa Música’

Abert.: André Sampaio & Os AfroMandinga
Data: Terça, dia 06 de setembro de 2016 (Véspera de feriado)
Abertura dos portões: 22h

INGRESSOS:
R$ 50 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos)
R$ 50 (ingresso solidário válido com 1 kg de alimento)
R$ 50 (cliente Odeon que apresentar ingresso de algum filme do cinema ou cliente Sou + Rio)*
R$ 100 (inteira)

*O desconto é válido apenas para ingressos comprados na bilheteria do Circo. É necessário apresentar o ingresso Odeon/Voucher Sou +Rio no ato da compra.
Capacidade: 2.000 pessoas
Classificação: 18 anos (de 14 a 17 somente acompanhado dos pais)
Bilheterias: terça à quinta: das 12h às 19h; sexta: das 12h às 24h (exceto feriados) e sábado a partir das 14h.
Web: www.ingressorapido.com.br

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