Polêmico livro de Hilary Mantel, O assassinato de Margaret Thatcher chega ao Brasil pela Record

Windsor, Inglaterra, 6 de agosto de 1983. Margaret Thatcher se recupera em um hospital após uma cirurgia ocular. Próximo dali, uma mulher a observa pelo prédio da frente. Fosse ela uma terrorista, Thatcher estaria em apuros. A política britânica só viria a falecer 30 anos mais tarde, vítima de um acidente vascular cerebral. Mas na literatura, a chefe de Estado foi assassinada. A mentora do crime literário é Hilary Mantel, a escritora que fitava a Dama de Ferro pela janela na vida real.

O Assassinato de Margaret Thatcher, que chega ao Brasil pela Recordneste mês de junho, é uma coletânea de 11 contos, entre eles o que dá nome à obra. Os textos trazem à tona impulsos humanos sombrios, que emergem em irônicas cenas do cotidiano. Os conflitos conjugais aparecem em destaque em alguns contos, como em O QT longo e em Delitos contra a pessoa. Um tenebroso universo infantil se descortina em OCoração Para sem Aviso e no conto Vírgula.

Em Desculpe Incomodar, Mantel faz alusão aos anos em que morou na Arábia Saudita e retrata temas como a opressão feminina e a tensão nos relacionamentos interpessoais, especialmente a “amizade forçada” com um visitante inesperado. As visitas retomam o enredo no conto sobre o assassinato da Dama de Ferro, em que uma mulher que esperava um encanador vira cúmplice de um atirador do IRA. Sem violência, o terrorista invade o apartamento e se posiciona para alcançar Thatcher, que estava hospedada em uma clínica do outro lado da rua.

O conto O assassinato de Margaret Thatcher descontentou alguns leitores ingleses que o consideraram de mau gosto. Em suas entrevistas, no entanto, Mantel não parece se importar com os comentários e também não esconde a antipatia que nutria pela chefe de Estado. O que importa é que a destreza literária da escritora supera qualquer ousadia temática que possa gerar desconforto. Além disso, na literatura todo crime já nasce prescrito, ainda que a fúria inspiradora seja real.

Trecho:  “É a falsa feminilidade o que não suporto, e a voz ensaiada. A forma como ela se vangloria de seu pai verdureiro e do que ele ensinou a ela, mas todo mundo sabe que ela mudaria tudo se pudesse para nascer numa família rica. […] Por que ela precisa de uma operação no olho? Será porque não consegue chorar?”

Críticas

“Hilary Mantel pontua o enredo dos contos com toques de mestre verdadeiramente esplêndidos”
The New York Times

“Hilary Mantel evoca uma região sombria na qual as fronteiras se tornam indistintas, onde o que poderia ter acontecido tem o mesmo peso do que de fato aconteceu. Apesar da presença expressiva de aspectos sociais nos contos, eles abordam outras potenciais realidades. Até a mais mundana das histórias retém um leve quê de coisa de outro mundo”
Washington Post

Hilary Mantel é um dos maiores fenômenos da literatura contemporânea e já vendeu mais de 5 milhões de exemplares em todo o mundo. É autora de 13 livros, incluindo A sombra da guilhotina, Um experimento amoroso eAlém da escuridão (finalista do Orange Prize de 2006). Suas duas primeiras obras da trilogia sobre a Era Tudor, Wolf Hall e O Livro de Henrique, foram unanimidade na crítica mundial e renderam à autora o mais importante prêmio de literatura inglesa (Man Booker Prizer) por duas vezes, em 2009 e em 2012, respectivamente. Atualmente, os dois livros fazem sucesso numa montagem da Royal Shakespeare Company, na Broadway.

Ficha Técnica

O ASSASSINATO DE MARGARET THATCHER
Hilary Mantel
Tradução: Heloísa Mourão
R$ 35
Record/ Grupo Editorial Record

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