Pietá faz show de volta ao Rio, sexta, dia 05, no Teatro Ipanema, depois de seis meses em São Paulo

Pietá (foto: Clarice Lissovsky)
Pietá (foto: Clarice Lissovsky)

Depois de integrarem o elenco do musical “Gabriela”, de Jorge Amado e dirigido por João Falcão, motivo pelo qual ficaram seis meses em São Paulo, o trio volta com mais força aos palcos cariocas, apresentando o elogiado show do disco “Leve o que quiser”, lançado ano passado e que contou com a presença de nomes como Chico César, Claudio Nucci e Carlos Malta.

A banda promete uma apresentação ainda mais poderosa do que aquelas que chamaram atenção de público e crítica cariocas, no três primeiros anos de existência do Pietá. Com forte veia teatral, devida à grande experiências dos três, também atores, com encenações e dramaturgias, o show do trio sempre se preocupa em levar a apresentação para um lugar de experiência realmente audiovisual. Engana-se quem acha que os elementos cênicos,  iluminação,  roteiro, figurinos,  estão ali para camuflar possíveis deficiências musicais. Pelo contrário. O disco, “Leve o que quiser”, foi bastante elogiado em críticas, tendo saído em algumas listas de melhores do ano de 2015 justamente por apresentar uma qualidade de composições, arranjos e execução surpreendentes.

Surgida no quintal de uma casa em Santa Teresa, onde se deram as primeiras apresentações da banda, o grupo há três anos circula por palcos do Rio de Janeiro e de Natal (RN) – onde nasceu a vocalista do grupo . O trio composto por Frederico Demarca, Rafael Lorga e Juliana Linhares acumula apresentações esgotadas, premiações (foram aclamados pelo júri e pelo público, no palco do Circo Voador, como melhor banda no WebFestWalda 2014, quando Juliana ainda levou o prêmio de melhor cantora) e elogios de artistas como Chico César que, fã declarado do grupo, participou da faixa que dá nome ao álbum.

Indo na direção contrária das experimentações eletrônicas tão exploradas por artistas contemporâneos, “Leve O Que Quiser” – financiado coletivamente por quase 350 fãs do grupo – se destaca pelo apuro estético das harmonias e dos arranjos do trio, trazendo provocações rítmicas e melódicas ao longo de suas dez faixas. Ancorados no canto de Juliana Linhares, cantora e atriz apontada como uma das grandes vozes da nova geração, a banda conjuga a tradição e o popular em dez composições próprias.

Pietá
Pietá

Frederico Demarca – compositor já gravado por Paula Santoro, Marília Schanuell, Daíra Sabóia – assina seis das nove canções do disco, dentre elas uma faixa oculta ao fim do repertório, a única não interpretada por Juliana. Ora sozinho, ora em parceria com nomes como Marcelo Fedrá, Renato Frazão e Thiago Thiago de Mello, o jovem compositor percorre momentos distintos do cancioneiro popular com a soltura e a força de um estreante. Já Rafael Lorga – violonista e percussionista que já tocou com Danilo Caymmi, Zé Renato, e que integrou a banda de Claudio Nucci – é responsável por outras três composições, todas em parceria com Elvis Marlon e Elisa Ottoni.

O show, espelho do disco, foi construído, da mesma forma: colaborativa. Muitos artistas parceiros estiveram na concepção do show “Leve o que quiser”. Direção, cenário, figurino, iluminação, tudo criado com muito carinho, de uma forma que se assemelha aos processos teatrais. No repertório, a totalidade das canções do disco , permeadas por jóias da música brasileira e surpresas que podem surgir a cada show.

O disco
Um trabalho corajoso, de longas introduções, sessões instrumentais e letras que passeiam por temáticas que contam o Brasil, seja pelo viés regional e folclórico, seja pelo político, onde o amor é tratado de forma delicada, ora quase ingênuo, ora amadurecido. Futuro e passado se intercalam como lugares de esperança e de segurança, dialogando com o que musicalmente o disco, por fim, propõe: um olhar para o agora, ancorado na tradição, mas com o futuro nas mãos.

Referenciando a canção brasileira – e não propriamente a reverenciando -, o grupo apresenta no seu disco de estreia um trabalho marcante e um percurso dramatúrgico que passeia do regional nordestino ao samba carioca, atravessando um mundo de possíveis “Brasis”, marcado principalmente por fronteiras diluídas e embalos polifônicos. Um convite à musica e à poesia. A casa é sua, leve o que quiser.

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