“Pânico – A série” é uma afronta à obra original

Assistir a nova série de TV baseada no filme de 1996 é irritante. Para os fãs de terror, o primeiro “Pânico” (1996), dirigido por Wes Craven, é uma homenagem aos cultuados “slasher movies”, como “Sexta Feira 13” e “Halloween”. A obra original abusa dos clichês de forma genial e autoral, cujo sucesso acabou resultando em três sequências não tão populares assim, mas ainda com um relativo sucesso. “Pânico – a série”, lançada em 2015 tenta retomar a atmosfera, mas falha miseravelmente.

Na série produzida pela MTV, é apresentada a protagonista Emma (Willa Fitzgerald), que possui um passado conturbado em decorrência de algum evento envolvendo um assassino em série. (Hello Sidney…) Após ela e seus amigos participarem da filmagem de um vídeo envolvendo Audrey (Bex Taylor-Klaus) e o disponibiliza-lo online, uma onda de assassinatos começa a acontecer.

Logo na primeira cena a personagem Nina (Bella Thorne) é assassinada brutalmente por um ser mascarado, que lembra o clássico “Ghostface”, personagem icônico da série, porém sem seu carisma. Vale ressaltar que a sequência é basicamente uma replicação da primeira cena original, encenada por Drew Barrymore. Após a morte de Nina, a cidade de Lakewood entra em estado de alerta e todos passam a ser suspeitos do crime. A temática segue a linha do original, mas para por aí.

Tudo que fez a obra original ser cultuada é copiado nesta, mas sem as atualizações e o charme necessário. Os personagens seguem o padrão Hollywoodiano da década de 90, com estereótipos pré definidos e personalidade nulas. Pode-se perceber o Esportista forte, a menina inteligente, o Nerd do grupo, etc. Todos são artificiais possuindo uma quantia considerável de maquiagem e gel no cabelo. Se fosse uma emissora como a HBO, o espectador poderia pensar em ironia ou deboche, mas vindo da MTV, possivelmente visa atingir ao público mais jovem, porém poderá falhar, já que os jovens não se comportam exatamente como os personagens.

O festival de absurdos é tanto, que um simples vídeo de duas garotas se beijando torna-se o assunto mais falado na escola. Atualmente a notícia seria esquecida facilmente após um dia. Os diálogos tentam replicar o que “Pânico” original fazia, discutindo gêneros de terror e apontando características, fato que poderá chamar a atenção no primeiro instante, mas após a repetição contínua, acaba levando o espectador a entender o caminho que a série irá seguir. Não admira, tendo em vista que os criadores foram responsáveis por séries como Revenge, que acabou se perdendo.

Para que a morte de personagens choque, é necessário criar empatia com os mesmos; “Game of Thrones” conseguiu isso. “Pânico, a série” não. É basicamente impossível criar empatia com algum personagem. Talvez o assassino, se a máscara fosse a mesma do original (aterrorizante e cômica). As atuações são medíocres e impossibilitam qualquer relação maior. A série no geral tem uma aparência falsa e construída através de uma colcha de retalhos dos filmes anteriores.

Mudanças são bem vindas. Revigorar e contextualizar algo é interessante e pode criar uma nova roupagem. O remake de “Evil Dead” foi assim. “Os Doze Macacos” era um filme que virou uma série decente, entre outras. O problema de “Pânico” é que tenta atualizar apenas mudando a tecnologia e esquecendo o comportamento. Algumas vezes parece que ao assistir a série, o telespectador se encontra em um festival anacrônico, com fatos e narrativas totalmente fora de época e contexto.

DEIXE UM COMENTÁRIO