“Os Intolerantes”, texto inédito de Carla Faour e Henrique Tavares, dupla responsável por espetáculos que têm se destacado na cena teatral carioca, toma como ponto de partida um fato real, ocorrido no Rio de Janeiro e amplamente noticiado nos jornais e nas TVs, para extrapolar a realidade e discutir, com humor, como a intolerância está presente no nosso cotidiano. Com direção de Henrique Tavares, cenário de José Dias, figurinos de Patricia Muniz, iluminação de Aurélio de Simoni e elenco composto por Ivone Hoffmann, Carla Faour, Celso Taddei, Day Mesquita, Eder Martins de Souza, Juliana Guimarães, Leandro Santanna e Sérgio Abreu, “Os Intolerantes” é mais um texto da nova safra de autores brasileiros, que nos últimos anos comprova a renovação da dramaturgia nacional com textos que falam da nossa sociedade, que refletem a condição humana dentro da realidade brasileira.

Um jovem acusado de roubar a bolsa de uma senhora é capturado por um morador de Copacabana. As manifestações de apoio e de repúdio à atitude do morador provocam um acalorado debate entre as pessoas que passam pelo local. Entre eles estão um casal que estava indo para uma festa, uma estudante, um ciclista e a própria senhora, vítima do roubo. Nessa atmosfera entre a realidade, o pesadelo, e o delírio, estamos num dia atípico no Rio de Janeiro. Uma manifestação paralisa a cidade. A polícia foi toda deslocada para a área do conflito. O trânsito caótico deixa os personagens à deriva: “náufragos urbanos”. Perdidos numa Copacabana isolada, entregues à própria sorte. Eles se acusam mutuamente, à espera da polícia que nunca chega. O tempo passa e eles têm que decidir sobre o destino de um garoto preso a um poste. “Tenho a sensação de que estamos aqui à séculos”, diz um dos personagens, numa referência ao acúmulo dos vários tipos de intolerâncias e preconceitos ao longo dos tempos.

“No Brasil e no mundo, a convivência entre pessoas de diferentes culturas, classes sociais, etnias, credos e opções sexuais, está na pauta das discussões que norteiam as relações comportamentais de nossa época. A peça lança, através do humor, uma lente de aumento sobre os personagens, a situação absurda, a cidade e o próprio país”, comenta a autora Carla Faour. “Estamos numa cidade-paraíso à beira do caos e acompanhamos personagens que escapam à nossa compreensão. O público torna-se testemunha de uma cena tão inverossímil quanto assustadora, cotidiana e risível. O espetáculo se equilibra sobre esta linha tênue, entre a perplexidade e o delírio”, completa o diretor Henrique Tavares.

Com “Os Intolerantes”, Ivone Hoffmann comemora 50 anos de carreira
Natural de Ajuricaba/RS, Ivone Hoffmann é atriz, diretora de teatro e professora de interpretação. Iniciou sua carreira artística na dança clássica. Abandona o balé para fazer o Curso de Arte Dramática. Em 17 de outubro de 1964 estreia profissionalmente em Porto Alegre em As Bruxas de Salém de Artur Miller, direção de Lineu Dias (pai da Júlia Lemmertz). No mesmo ano estreia em São Paulo Ópera dos Três Víntens de Bertolt Brecht, direção de José Renato. Seus principais trabalhos como atriz são: Hedda Gabler, de Henrik Ibsen, direção de Walter Lima Jr, O Rim, de Patrícia Mello, direção de Elias Andreatto, Velhas raposas, de Lillian Hellman, direção de Naum Alves de Souza, Medéia, de Eurípedes, direção Bia Lessa. Como Aprendi à Dirigir um Carro, de Paula Vogel, direção Felipe Hirsch, A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Durrenmatt, Tango, Bolero e Chá Chá Chá, de Eloy Araújo, direção Bibi Ferreira, Gata em Teto de Zinco Quente, de Tenessee Willians, Peer Gynt, de Ibsen e Antígona, de Sófocles, todos sob a direção de Moacyr Góes, Mistérios de Curitiba, de Dalton Trevisan, direção de Ademar Guerra, Suburbano Coração, de Naum Alves de Souza, direção do próprio autor, Gardel, Uma Lembrança, de Manuel Puig, direção de Aderbal Freire Filho, Um Grito Parado no Ar, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Fernando Peixoto, o clássico Hoje é dia de Rock, de José Vicente, direção de Rubens Corrêa, Hair, de James Rado e Jerome Ragni, direção de Ademar Guerra, O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekov, direção de Ivan de Albuquerque. Em 1984, recebeu o Troféu Gralha Azul na categoria Melhor Atriz, por seu trabalho em Gritaria nos Muros da Cidade de Tankred Dorst, direção de Fernando Rodrigues de Souza. Por sua interpretação em Como Diria Montaigne, de Wilson Sayão, direção de Luiz Arthur Nunes, recebeu o Prêmio Shell de 1995. Pelo conjunto de seus trabalhos como atriz de teatro foi agraciada em Curitiba com o Prêmio de Melhor Atriz de teatro em 1981. Seus trabalhos mais recentes foram A Carpa, direção de Ary Coslov, Amores, Perdas e Meus Vestidos, direção de Alexandre Reinecke, Na sobremesa da vida, com Emiliano Queiroz e, em 2014, Dona Saudade, de Bernardo Florim, direção de Camila Amado. Na TV participou de novelas e seriados: Caras & Bocas, Chamas da Vida, Belíssima, Da Cor do Pecado, Celebridade, Aquarela do Brasil, Andando nas Nuvens, Anjo Mau (1997), A Justiceira, Vira Lata, Memorial de Maria Moura, Tereza Batista. Ivone também dirigiu muitas peças, entre elas: O Jovem Törless, de Robert Musil; O Cavalo do Cão, de Clara de Góes, O Casaco Encantado, de Lucia Benedetti, a mais recente, Pessoas Vivas, em 2013. Em setembro filmou, com Cláudio Torres e Carolina Jabor, participação no novo seriado da HBO Magnifica 70, cujo cenário é a Boca do Lixo, no coração de São Paulo, onde a pornochanchada emergiu, durante a época é a de maior repressão da ditadura: os anos 1970. Ivone interpreta uma Mãe de Santo.

Carla Faour, atriz e autora
Autora de duas adaptações literárias para o teatro, A Força do Destino (2006) de Nélida Piñon e Nenê Bonet (2008) de Janete Clair. O primeiro texto original de Carla Faour, A Arte de Escutar (2008) alcançou sucesso de público e crítica, sendo indicada aos prêmios SHELL, APTR e Contigo de Teatro. O texto foi traduzido para o inglês com o título The Art of Listening e montado em Toronto, Canadá. Em 2009, a convite da Editora Agir, lança seu primeiro romance, A Arte de Escutar, baseado na peça homônima. Em 2010 foi indicada ao Prêmio Contigo de Teatro 2010 de Melhor Autor pela peça Açaí e Dedos. Em 2012 estreou Obsessão pelo qual recebeu os prêmios APTR e FITA de Melhor Autor e foi indicada ao Prêmio SHELL. Obsessão foi traduzido para o espanhol e integra a coletânea: Teatro Contemporâneo Brasileiro, promovida pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Como roteirista, desenvolveu projetos e séries para a Conspiração Filmes. Foi roteirista da primeira temporada de Vai que Cola do Multishow, e da série Amor Veríssimo do GNT. Desde 2013 é roteirista da Rede Globo, onde foi colaboradora da novela Além do Horizonte e, atualmente, integra a equipe de roteiristas de Tapas e Beijos. É coordenadora do Núcleo de Dramaturgia do SESI-RJ, junto a Henrique Tavares.

Henrique Tavares, diretor e autor
É hoje um dos mais atuantes autores e diretores cariocas. A qualidade do seu trabalho é reconhecida pelo público e pela crítica especializada. Dirigiu os espetáculos À Sombra das Chuteiras Imortais (2014) de Nelson Rodrigues, Obsessão (2012) de Carla Faour – pelo qual foi indicado ao Prêmio SHELL de Melhor Diretor, Cowboy (2012) de Daniela Pereira de Carvalho, Jantando com Isabel (2012) de Furio Lonza, Açaí e Dedos (2010) e A Arte de Escutar (2008) de Carla Faour; Inquieto Coração (2008) de Eduardo Rieche, baseado na obra de Santo Agostinho e A Força do Destino (2006) de Nélida Piñon, eleito pelo jornal O Globo como um dos dez melhores espetáculos do ano. Entre seus textos mais recentes estão: Epheitos Kolaterais – Novas Metamorfoses (2010), Cidade Vampira (2005), em parceria com o escritor Fausto Fawcett, Cine Teatro Drive-in (2004), Telecatch (2002), indicado ao Prêmio Shell – Categoria Especial, além do aclamado Bárbara Não lhe Adora (2000). É diretor e autor roteirista da Rede Globo, professor de interpretação na CAL e coordenador do Núcleo de Dramaturgia do SESI-RJ, junto a Carla Faour.

Ficha Técnica
Texto: Carla Faour e Henrique Tavares
Direção: Henrique Tavares
Cenário: José Dias
Figurinos: Patricia Muniz
Iluminação: Aurélio de Simoni
Diretor Assistente: Anderson Cunha
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Programação Visual: Claudia Wolter
Fotos de divulgação: Flávia Fafiães
Direção de Movimento: Hayla Barcellos
Visagismo: Evânio Alves
Assistente de Figurino: Gabriela Coimbra
Gravação de vídeo: Bernardo Palmeiro

Elenco
Ivone Hoffmann (Edith)
Carla Faour e Juliana Guimarães (Suzana)
Celso Taddei (Amadeo)
Day Mesquita (Guida)
Eder Martins de Souza (Caco)
Leandro Santanna (Batman)
Sergio Abreu (Pan)

Serviço

Sinopse: A captura de um jovem acusado de roubar uma idosa é o ponto de partida para essa comédia que traça um panorama da sociedade brasileira atual e suas contradições.
Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro I
Rua Primeiro de Março 66, Centro do RJ. Tel. 21 3808-2020
Pré-Estreia para convidados: 29 de outubro, quarta-feira, às 19h.
Temporada: 30 de outubro a 21 de dezembro, de quarta a domingo, 19h.
Não recomendado para menores de 14 anos.
Ingressos: R$ 10,00
Duração: 80 minutos
Comédia

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