Os desafios das crianças na vida e na escola

Magda Asenete, pedagoga

Os desafios que as crianças enfrentam são constantes, pois tudo é novo. O simples ato de nascer já provoca mudanças nas vidas delas. A zona de conforto do útero deixa de existir e a criança precisa aprender a buscar sua própria sobrevivência, como, por exemplo, conseguir alimentar-se, respirar por conta própria, lidar com ruídos, poluições, vontades e desejos.

Quando os filhos nascem, principalmente os primogênitos, geralmente os pais os recebem como se fossem troféus e não pessoas comuns. Paira uma necessidade paternal de que nada pode atingir aquela criança, o que provoca grande ansiedade dos pais, familiares e, principalmente, nas crianças.

Por isso que temer o primeiro dia na escola ou na creche é normal. Quando elas ainda são só bebês, ou em idade maternal, é preciso ficar atento quanto a rotina, até que se adapte bem ao novo ambiente. Quando já estão maiores, a liberdade vigiada a ajuda a adquirir confiança e autonomia.

Mas o pai pode ajuda na preparação dessas grandes mudanças com naturalidade. Muitas vezes, o filho inicia sua vida escolar com ansiedade, pois na verdade está carregando nas costas a ansiedade dos pais, principalmente da mãe e das avós. O processo de integração na vida escolar deve ser criterioso, porém simples. Ter tempo hábil para procurar a creche ou a escola é fundamental. Levar a criança para conhecer o espaço antes da matrícula é ação inteligente, pois, na realidade, é ela quem vai estudar naquele lugar. Logo, não pode ser excluída dessa escolha. Muitas vezes, no ato da visita, ela já sinaliza se ali será o lugar ideal. Os pais precisam estar atentos para entender esse momento e perceber se o filho está se sentindo confortável.

Porém, o ir para a escola precisa ser prazeroso. Quando a criança tem em casa uma “rotina”, essa inserção no ambiente educativo apresenta-se como uma continuidade daquilo que já se realiza em casa. A instituição de ensino tem regra e planejamento. Mas é também um local de encantamento, onde as ações são facilitadas. A escola deve ser encarada como lugar de autonomia, construção saudável da personalidade e do saber. É o local para abrir espaço para as descobertas e para os erros seguidos de acertos. Até para o perdão.

Mas quando a criança volta da escola triste ou sem desejo de retornar, é preciso saber o que está acontecendo. Pode ser pelo desconforto com esse novo ambiente, mas pode ser também uma dominação inteligente da criança usando a “dor” familiar causada pela alteração da rotina. Caso a criança perceba que a família está sofrendo com essa separação, pode se apropriar para exercer dominação. Em todo caso, é importante ter bastante atenção em todos os sinais e averiguar com muito cuidado.

Definitivamente o que atrapalha o desenvolvimento integral delas na atualidade é a dominação chocante da família. E digo mais, não só a dominação como também o abandono. Muitas vezes os filhos são jogados dentro desse ambiente com o intuito de receber aquilo que não se dá em casa. A escola chega para lapidar aquilo que já foi absorvido num determinado nível de valores, além de informar e socializar. Porém, não faz milagres. Então, compartilho a frase de muitos educadores: “Educação se dá em casa”.

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