Oportunidade de ouro

Ellen Braga comemora a chance de estar na seleção feminina de vôlei, que busca o tricampeonato olímpico em 2016

Foto: Hérica Yumi Suzuki.

Medalha de ouro nos Jogos de Pequim-2008 e de Londres-2012, a seleção brasileira de vôlei feminino chega como forte favorita às Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mas José Roberto Guimarães, o técnico da seleção, sabe que qualquer time que pretenda se manter campeão por muito tempo precisa se renovar constantemente. Das jogadoras incorporadas à equipe bicampeã olímpica, um dos destaques é Ellen Braga, de 24 anos. Com 1,81 m e 72 kg, a ponta pernambucana está cotada para aparecer na lista das que irão brigar pelo tricampeonato olímpico em 2016 “Estamos quase no último ano de um ciclo e a maioria das meninas jogaram as duas Olimpíadas que disputaram e ganharam! Estão renovando para o ano depois das Olimpíadas de 2016. Acho ótimo, é uma oportunidade e tanto pra nós que estamos chegando agora!”, comemora Ellen.

Revelação da Superliga 2012/2013 pelo Pinheiros, Ellen jogou no time da capital paulista por três temporadas. Em maio desse ano, acertou com o Sesi-SP para defender o clube paulistano na temporada 2015/2016. Lá, jogará ao lado das bicampeãs olímpicas Jaqueline e Fabiana. Na seleção, passou pelas categorias, infantil, infanto-juvenil e juvenil – até que, em 2013, chamou a atenção do técnico José Roberto Guimarães. No mesmo ano, com a seleção principal, conquistou a medalha de ouro no Montreux Volley Masters e também no Torneio de Alassio. E ainda foi capitã da Seleção Brasileira Sub 23 no Mundial do México – no qual o Brasil ficou com o sétimo lugar. Madura para a idade, Ellen tem consciência de que ainda tem bastante que evoluir. “Acho que meu ataque e saque funcionam bem, mas preciso treinar mais passe e bloqueio”, avalia.

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação
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Jogos Cariocas – Como o vôlei surgiu na sua vida?
Ellen Braga – Meu irmão jogava vôlei, mas não tinha altura pra jogar como profissional. Ele percebeu que eu poderia dar certo por ser alta. Através dele, comecei a jogar, com 13 anos. No juvenil, pensei até em parar, porque achava que não conseguiria jogar profissionalmente. Mas, um ano antes de chegar à categoria adulta, comecei a acreditar mais em mim e que eu poderia ser uma jogadora de alto nível! Com a ajuda de Deus, consegui!

Jogos Cariocas – Qual é a parte boa de ser uma jogadora de vôlei? E a parte chata?
Ellen Braga – Coisa legal tem de monte! Você faz o que gosta ganhando dinheiro, conhece muita gente, viaja bastante… Muitas pessoas acham que então é só brincar de vôlei. Mas aí entra a parte chata – você abdica de muitas coisas pra estar sempre em alta performance, desde família a férias que muitas vezes não temos… O bom é saber que, no final, tudo vale a pena!

Jogos Cariocas – Como é seu ritmo de treinamentos?
Ellen Braga – A rotina é acordar umas 8 h, treinar com bola das 9 h até as 11 h, depois musculação até as 12:30 h. Aí eu almoço e descanso à tarde. Acordo às 16 h e às 17 h começa o treino tático com o grupo todo, até umas 20 h. E assim vai. É bem corrido e cansativo, Principalmente aqui na seleção, onde o ritmo é bastante forte!

Jogos Cariocas – Qual foi seu momento mais emocionante, dentro do esporte?
Ellen Braga – O título mais importante e o momento mais emocionante foi em janeiro desse ano, na final da Copa Brasil. Já tínhamos ganhado do Praia Clube e do Rexona-Ades, e a final foi contra o Sesi-SP. Estávamos perdendo de 2 sets a 1 e conseguimos virar o jogo em 3 a 2. Foi o primeiro título nacional do vôlei feminino do Pinheiros, uma satisfação imensa pra mim!

Jogos Cariocas – Como estão suas chances para as Olimpíadas de 2016?
Ellen Braga – Meu sonho é disputar as Olimpíadas! Tenho treinado pra isso. Mesmo a seleção já tendo um grupo de ponteiras fortes e experiente para os Jogos Rio 2016, sempre vou dar o meu melhor nos treinamentos e nos jogos.

Jogos Cariocas – O fato de disputar o tricampeonato olímpico “em casa” pode representar uma vantagem para o vôlei feminino brasileiro? Ou pode atrapalhar?
Ellen Braga –  Soube que os ingressos para o vôlei foram os primeiros a se esgotar! Acho a torcida brasileira uma das mais animadas do mundo, mas ao mesmo tempo também acho que são muito críticos e não aceitarão nada menos que o primeiro lugar. Daí temos os dois lados dessa possível vantagem de jogar aqui. Temos a torcida ao nosso favor e tem também a pressão de ser pela terceira vez campeãs olímpicas, o que pesa bastante.


 

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
jogoscariocas@gmail.com

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