O trio Metá Metá lança hoje seu novo trabalho no Rio

Foto Divulgação

Nesta sexta-feira (10), a banda, que é uma das principais referências da nova música brasileira, apresenta o seu novo álbum MM3 no Circo Voador. De forma muito única, o trio Juçara Marçal, Kiko Dinnuci e Thiago França, traz a música de matriz africana como principal referência. Inclusive no nome do grupo. Na língua Iorubá, ‘metá’ significa ‘três’.

Depois de Metá Metá (2011) e MetaL MetaL (2012), o novo trabalho, que foi gravado ao vivo e em apenas três dias, oferece um misto do punk rock, jazz e groove polifônico, além de explorar o som de países africanos, como Marrocos, Etiópia, Nigéria e Mali. Tudo isso, sob a ótica brasileira contemporânea.  Não adianta nem procurar. O álbum não está disponível em mainstream. Mas, como é de costume ao grupo paulista, o disco está pode ser baixado gratuitamente no site da banda (faça o download aqui). “A distribuição gratuita da nossa música é primordial para gente”, conta Juçara Marçal, que comanda o vocal com seu timbre forte.

Confira o bate-papo completo. 

Sopa Cultural:  Como foi o processo do novo trabalho, que é um pouco diferenciado dos outros álbuns? A gravação do álbum durou três dias, certo? Foi, no mínimo, intenso.
JUÇARA MARÇAL: Sim, durou 3 dias. No ano passado resolvemos que era hora de começar a preparar o repertório do novo disco. Fizemos encontros, só o trio, num primeiro momento. Íamos testando coisas: um riff, uma melodia, ideias meio soltas que fomos guardando. A primeira composição a sair desse processo foi a ‘Corpo Vão’, que terminamos no meio da temporada na Europa e começamos a tocá-la em alguns shows.

Ele mantém a identidade afro dos discos anteriores?
JUÇARA: Se se refere ao fato de haver músicas que remetem aos orixás, pontos de candomblé, sim. Isso aparece nesse disco também. Mas acho que a sonoridade do Metá Metá é um pouco mais abrangente.

Qual é a relação de vocês com a música afrobrasileira?
JUÇARA: A música de matriz africana é uma das nossas referências.

Desde o início foi combinado entre vocês que explorariam a musicalidade africana ou tudo aconteceu naturalmente?
JUÇARA: Tudo aconteceu naturalmente. Nada combinado. Afinidades musicais e de vida.

No lançamento do novo álbum, o site de vocês saiu do ar. Como foi a sensação de ter “quebrado a internet”?
JUÇARA:Tivemos problemas por causa do bloqueio para os ouvintes dos Estados Unidos e Europa. Fora isso, parece que bastante gente quis baixar o (álbum) MM3 rapidinho. É sempre bom, né?

Os seus álbuns estão disponíveis nas plataformas digitais. Hoje, a juventude consome música de outro jeito. Como vocês veem esse novo cenário do mercado musical?
JUÇARA: Vamos nos adaptando ao que aparece, desde que nossa música continue chegando gratuitamente pra quem quiser. Distribuição gratuita é primordial pra gente.

Como foi o primeiro encontro do Metá Metá?
JUÇARA: No show de lançamento do Padê, em 2006, convidamos (Juçara e Kiko) o Thiago para participar. E desde então passamos a tocar juntos e preparar um repertório para tocar onde desse. No início, na Casa de Francisca (Casa de show de São Paulo). Depois isso foi se desdobrando até chegar no primeiro disco.

Todos os integrantes da banda têm carreiras paralelas intensas. Como é conciliar a carreira pessoal com o ritmo da banda?
JUÇARA: É tranquilo. Somos todos amigos. Tudo flui tranquilamente, apesar da agenda ser um pouco movimentada.

A posição política de vocês é bem clara nos seus shows, nas suas músicas e em vocês num modo geral. Como artistas, de que forma vocês veem o cenário político do país, desde o processo contra a presidente até o MinC?
JUÇARA: Só vemos retrocesso nesse cenário político que se instalou desde que esses usurpadores deram o golpe.

O Kiko também é ilustrador e, recentemente, algumas ilustrações dele sobre o #ForaTemer ganharam repercussão por todo o Brasil. Aqui mesmo no Rio de Janeiro, em alguns postes, muros, estão algumas imagens dele. Como foi isso?
JUÇARA: Foi ótimo. Queremos mais.

circo

Serviço
O que? A banda METÁ METÁ lança o MM3, acompanhado por Sergio Machado (bateria), Marcelo Cabral (baixo) e Samba Ossalê (percussão)
Quando? Hoje, 10 de junho.
Onde? Circo Voador.
Quanto? Ingressos: R$ 40 (meia-entrada para estudantes, menores de 21 anos e maiores de 60 anos/ingresso solidário válido também com 1 kg de alimento).
Quem pode ir? Classificação para maiores de 18 anos.
Que horas? Abertura da casa é às 22h.
Mais informações aqui.

 

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