O teatro a partir do que fala ao coração

A Cia Atores de Laura surgiu em 1992, com o intuito de aprofundar questões que o coletivo de artistas julgasse urgentes. São oito atores e o diretor Daniel Herz, que, nesta entrevista para a página da Lona Carlos Zéfiro, fala sobre a fundação da Companhia e os temas que inspiraram “O Enxoval”, “Beatriz” e “O Filho Eterno”. As peças serão apresentadas neste fim de semana, na Lona Carlos Zéfiro, com entrada franca.

COMO SURGIU A COMPANHIA?

Daniel Herz
Daniel Herz

DANIEL HERZ – A única forma de você aprofundar, de fazer um trabalho de pesquisa em teatro, é em ambientes de grupo. Desde cedo eu percebi isso. A partir daí, começou a brincadeira. Eu dava aula na Casa de Cultura Laura Alvim, junto com a Suzana Kruger. Cheguei para ela e propus a criação do grupo, cujo nome foi dado em homenagem à Laura Alvim, uma mulher que sempre quis ser atriz e nunca pôde, pois ela viveu numa época em que havia preconceito contra as atrizes. Ela era de uma família rica, que se posicionou contra. 

QUAL É A PROPOSTA DA CIA ATORES DE LAURA? 

DANIEL HERZ – Nós procuramos entender, a cada momento, o que está urgente em nosso coração para levarmos à cena. Então, nos debruçamos sobre essa questão, que leva a uma ideia e a um projeto, que pode ser um texto já existente, ou uma criação coletiva. A partir de alguma inquietude, de alguma coisa que a gente ache importante compartilhar com o mundo, é desbravado um caminho para o espetáculo. 

 AS PEÇAS QUE SERÃO APRESENTADAS NA LONA CARLOS ZÉFIRO (“O ENXOVAL”, “BEATRIZ” E “O FILHO ETERNO”) SURGIRAM A PARTIR DE QUE INQUIETUDE? 

DANIEL HERZ
– “O Filho Eterno” surge a partir da urgência de falar sobre as dificuldades de se conviver com as diferenças. É a história de um pai que tem um filho com Síndrome de Down. “O Enxoval” é sobre solidão e amizade, e conta a história de duas mulheres idosas que vivem juntas. E “Beatriz” fala das impossibilidades de se lançar numa nova paixão, por conta das cicatrizes e recalques que vão sendo criados ao longo da vida, a partir de relações passadas. 

A CIA TEM UM VIÉS EDUCATIVO. PODE FALAR SOBRE ESSA VERTENTE?

DANIEL HERZ – O ator Leandro Castilho é quem está representando a Companhia no trabalho das Oficinas. Além de ator, ele é o diretor musical de muitas de nossas peças, e faz um trabalho com exercícios que misturam a dramaturgia do teatro com questões rítmicas. A vertente educativa é uma característica da Companhia, pois todos nós somos professores, e ministramos oficinas no Teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping; na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema; ou nas Lonas Culturais do Rio. 

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