O Sesc Tijuca realiza espetáculo inédito em homenagem à Madame Satã

No monólogo “Satã, um show para Madame”, ambientado na musicalidade da Lapa dos anos 30, o protagonista conta histórias sobre o polêmico personagem

Uma grande homenagem a um dos personagens mais emblemáticos da marginalidade e do universo underground carioca. O espetáculo inédito “Satã, um show para Madame” estreia no Sesc Tijuca no dia 6/10 (sexta), às 20h. Ele mostra o fascínio de um artista, interpretado por Leandro Melo, por Madame Satã, uma figura meio endiabrada e muito conhecida na Lapa no início do século XX. Em um universo sedutor, ousado e irônico, repleto de canções que transportam a plateia para a primeira metade do século passado, o monólogo, dirigido por Édio Nunes e com texto de João Batista, fica em temporada até o dia 27/11. Na história, o protagonista é seduzido pela história de João Francisco dos Santos, um transformista que passou a usar o codinome Madame Satã no Carnaval de 1942, ao desfilar no bloco de rua Caçador de Veados com a fantasia Madame Satã, inspirada no filme homônimo do diretor Cecil B. DeMille, lançado em 1930.

A montagem mistura canções da época com outras atuais, com um repertório que embala o público com “A dona do lugar”, de Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves; “Na batucada da vida”, de Ary Barroso e Luís Peixoto; até “Basta um dia”, de Chico Buarque, entre outras. Este cenário musical eclético e com um olhar levemente romântico do submundo aproxima o público de histórias e fatos peculiares de Madame Satã contados sob a ótica do protagonista.

Falecido em 1976, aos 76 anos, Madame Satã enfrentou preconceitos por ser negro, homossexual, analfabeto e pobre. Criado em uma família de 17 irmãos, há quem diga que ele foi trocado por uma égua quando criança. Sobrevivia fazendo bicos como entregador de marmitas e segurança. Mas também cometeu crimes e respondeu a 20 processos, dentre eles por desacato, agressão e homicídio. No entanto, defendia as prostitutas de estupros e violências com golpes certeiros de capoeira.

Neste cenário obscuro, mas com uma energia contagiante, o espetáculo também é uma homenagem à revitalização da Lapa, bairro turístico que pulsa no Centro do Rio com sua musicalidade, malandragem e boemia incomparáveis, que em 2002 também foram retratadas através do filme homônimo de Karim Aïnouz, com Lázaro Ramos no papel título.

Leandro Melo
Leandro Melo

Repertório:
1 – Fui pedir as almas santas – Clementina de Jesus 
2 – Sai de baixo – Eduardo Marques 
3 – A dona do lugar – Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves
4 – Alegria – Assis valente 
5 – Urubu malandro – Louro
6 – Linda flor – Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Marques Porto e Cândido Costa 
7 – Na batucada da vida – Ary Barroso e Luís Peixoto
8 – Meu mundo é hoje – Wilson Batista e José Batista
9 – Tic Tac do meu coração – Synval Silva, Alcyr Pires Vermelho e Walfrido Silva
10 – Basta um dia – Chico Buarque
11 – Boneca de pano – Assis valente
12 – Imperador do samba – Waldemar Silva
13 – A coroa do rei – autor desconhecido
14 – Bolero de satã – Paulo Cesar Pinheiro 

Serviço

“Satã, um show para Madame” – Sesc Tijuca
Estreia 6/11 (sexta), às 20h
Temporada até 29/11, de sexta a domingo, às 20h
Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539. Tijuca.
Local: Teatro 1.
Tel.: (21) 3238-2139.
Classificação: 14 anos.
Preço: R$5 (associados Sesc), R$10 (estudantes e idosos) e R$20
Duração: 60 minutos.

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