O invicto que veio para ficar

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Subversivo, marginal, underground. Também poeta, filosófico e sentimental. O carioca Filipe Ret vive um momento de explosão nas redes sociais e, aqui, fala sobre a sua trajetória, o novo álbum e política brasileira. Ainda afirma: “Eu não quero pertencer a nenhum clube que me aceite como membro”.

O rapper de 30 anos parafraseia do ator e comediante americano Groucho Marx (1890 – 1977), citada acima, para explicar sua linguagem subversiva.  “Marginalize-se”, é a voz de comando do seu blog (maximasretianas.blogspot.com.br). “É preciso estar em constante movimento e fugindo do fácil”, acredita. A cara de bad boy camufla o poeta que vive ali dentro. Afinal, nem toda poesia é, assim, florida. “Parei de escrever só textos. Hoje, eu canto sobre a resistência deste poeta imortal que mora em mim”, se explica. É possível entender essa resistência ao ouvir o disco Revel lançado em setembro de 2015. As letras falam sobre amor, lutas e superações. A inspiração? Vem do próprio cotidiano e dos amores efêmeros da estrada, garante ele.

Esse som encontra espaço nos jovens, o público que mais se identifica. Não é novidade que a juventude não procura mais a música do modo tradicional. A internet ajudou a democratizar os gêneros e a abrir caminhos para artistas independentes. Filipe Ret é prova disso. No YouTube, onde está disponível para acesso, seu álbum tem cerca de 4,7 milhões de visualizações. Isso só confirma o que o cantor já acredita: “o Rap já está estabelecido no Brasil. Não depende de ninguém para acontecer”. E sonha: “Ainda vou ver o gênero dominar o mainstream junto com o Sertanejo”.

O poeta jogador sobe no palco do Imperator, no próximo domingo, às 19h, com ingressos a partir de R$ 25. O álbum Revel também está disponível nas plataformas digitais.

Link para o disco: www.youtube.com

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Confira abaixo a entrevista completa:

Quando começou a escrever Rap?
Comecei a ouvir com 8 anos, ouvindo o primeiro disco do Gabriel Pensador, de 1993. Mas só fui começar a escrever com 16 anos.

E quando começou a participar das batalhas de MC’s?
2000 e pouco. Postei recentemente no meu instagram (@filiperet) fotos de 2002 em que apareço numa roda de freestyle na Lapa. As fotos foram me enviadas por um antigo amigo, Bruno Inácio, dono do antigo site Rapevolusom.

Em algum momento você viu que o caminho da música tinha chegado pra você? Quando foi isso?
Em 2011, eu ganhava 500 reais por mês num estágio numa agência de publicidade. Mas quando consegui fechar um show por 600 reais, larguei a publicidade para me dedicar somente ao Rap.  

O Rap é um gênero que tem crescido muito no país. Como você vê o progresso do rap carioca? Como é participar disso?
O Rap já está estabelecido no Brasil. Não depende de ninguém pra acontecer. Dependia apenas de nós mesmos e nós já sabemos fazer o nosso. Agora é estruturar mais, melhorar mais as produções. Ainda vou ver o Rap dominar o mainstream junto com o sertanejo.

Como foi dividir palco com Marcelo D2, Gabriel Pensador, grandes mestres do Rap? Gente grande como Emicida e Edi Rock também te elogiaram. 
São todos mestres. É uma honra e uma responsabilidade estar próximo deles hoje em dia. A estrada faz você aprender as coisas de uma forma muito intensa. Eu tô aprendendo muito com tudo isso.

A gente tem visto que a juventude não procura mais a música do modo convencional. Isso serviu muito para o desenvolvimento de artistas independentes. Inclusive, você. O que você acha disso?
Acho ótimo. A internet democratizou tudo isso. Tem muito lixo também, mas faz parte. Estamos aprendendo a lidar com o mundo pós-revolução digital. A maioria do giro de mercado musical hoje é independente. 

“Marginalize-se”, está escrito no seu blog. Me fala um pouco dessa sua linguagem subversiva.
Vou responder com uma citação que não lembro de quem é: “não quero pertencer a nenhum clube que me aceite como membro”. É preciso estar em constante movimento e fugindo do fácil. 

O álbum Revel fala sobre suas lutas, superações e amor. De onde vem toda a sua inspiração?
Do cotidiano, do jogo da música, dos amores intensos que vem e vão, dos amores efêmeros da estrada. 

Você, além de rapper, se reconhece como um poeta. Vi também que gosta do Nietzsche. Qual é a sua relação com a poesia?
Sempre gostei muito de escrever. Com o tempo, parei de escrever frases e textos e comecei a musicar em rap porque achava que fazia mais sentido e deixaria a poesia mais viva. Ainda mora um poeta imortal dentro de mim, apesar de todo esse jogo real que me obriga a ser mais objetivo. Eu canto sobre a resistência deste poeta que mora em mim.

Suas letras, além de filosóficas, são politizadas. Como você vê o cenário político do país?
O país está esquisito, o tempo fechou e isso também me abateu de certa forma. É muito ruim ver o povo dividido e se odiando por causa de uma classe que não tá nem aí pro povo. Eu também fiquei muito dividido com tudo isso, ainda sofro a crise junto com o país. Minha cabeça também vai pra lá e pra cá. Mas por tudo que li, por tudo que vivi, por tudo que sei, acredito que tudo que se faz pra reduzir as desigualdades sempre vai valer a pena. Torço muito pra que tudo dê certo, a economia volte a funcionar e as famílias mais pobres sofram menos.

 

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