O Homossexual ou a dificuldade de se expressar

O Teatro de Extremos, companhia criada por Fabiano de Freitas  em 2005, faz jus a seu nome – busca desde sua estreia “os extremos da cena e dos temas, os limites do humano, a radicalidade da pesquisa cênica”, conta Fabiano. Surgida com o apoio de nomes como Roberto Alvim e Ana Kfouri,  a companhia se dedica aos temas da contemporaneidade e celebra os dez anos de existência com esta montagem de “O homossexual ou a dificuldade de se expressar”, inédito no Brasil, apresentada de quinta a sábado às 20h30 e, aos domingos, às 19h.

[quote_right]Nós podemos falar o quanto você quiser. 
Não são as palavras que mudam o mundo (a Madre)[/quote_right]

A peça, escrita em 1971, coloca em cena a jovem Irina e a Madre, exiladas na Sibéria, rodeadas por lobos, neve e um misterioso vírus das estepes. Seu crime: mudaram de sexo. Irina está grávida e não sabe quem é o pai, se a professora de piano, algum cossaco, um vizinho ou um oficial. Garbo, Nikita, Sra Simpson são os nomes alusivos dos personagens. Entre o melodrama e o absurdo, O HOMOSSEXUAL OU A DIFICULDADE DE SE EXPRESSAR se embrenha por um labirinto de frases, ideias, situações e personagens, marcado pela ironia, pelo absurdo e pela escatologia.  

[quote_left]Como castigo pela morte do meu filho, meu pai me enxertou
um sexo de homem, e depois ele morreu de desgosto (Garbo)[/quote_left]

Os figurinos seguem a linha do surrealismo, mas repeltos do “travestismo” copiano; a arena estará cercada por tubos, configurando os espaços “de dentro”, que é o palco, e “de fora”, onde a plateia está e que é “a zona de perigo a que o texto alude a todo momento”, define Fabiano de Freitas.

[quote_right]Você tem certeza de que a Senhora Simpson não é o tio Pierre? (Garbo)[/quote_right]

Os personagens femininos e transgêneros – como Loretta Strong, Eva Perón, as 4 Gêmeas e seu mais famoso personagem dos cartoons, a Mulher Sentada – são talvez os principais motores da sua dramaturgia e dos seus cartuns.

“A obra de Copi dialoga com as vozes caladas de todos os tempos”, diz o diretor, que está em cena como o General Pouchkine. “Seu trabalho – e sua atuação, já que ele representava os próprios textos – circula sempre na temática marginal, e sempre original em seus temas recorrentes – o exílio, o fim iminente, a opressão. Copi, em si é uma linguagem”, define.

“O homossexual ou o travesti em cena é o canal que Copi escolhe para falar do humano. Ele lança uma série de perguntas que a sociedade talvez seja incapaz de responder agora”, prossegue. “E a gente não tem essa pretensão: queremos formatar essas questões cenicamente, formulá-las publicamente”, encerra Fabiano.

O HOMOSSEXUAL OU A DIFICULDADE DE SE EXPRESSAR

Texto de Copi | Tradução: Giovana Soar
Direção: Fabiano de Freitas  
com Higor Campagnaro, Leonardo Corajo, Mauricio Lima, Renato Carrera e Fabiano de Freitas
Espaço Sesc ( ARENA) – Capacidade: 242 lugares
De 11 de junho a 5 de julho
De quinta a sábado às 20h30; domingo às 19h
Duração: 70 minutos | Classificação: 18 anos
Ingressos R$ 20 (inteira); R$ 5 (associados do Sesc) e R$ 10 (jovens de até 21 anos, maiores de 60 anos, estudantes e classe artística)

Espaço Sesc
Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – (21) 2547-0156
Funcionamento da bilheteria: de terça a domingo, das 15h às 21h
Pagamento em dinheiro. Ingressos antecipados somente no local

 

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