O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha, com Ester Jablonski e Fernanda Nobre, estreia dia 26 de maio, no aço SESC

Espetáculo do romeno Matéi Visniec é dirigido por Fernando Philbert e retrata a violência contra a mulher nas guerras e no dia a dia

Duas mulheres se cruzam depois do conflito bósnio, uma terapeuta norte-americana e uma bósnia violentada. Ambas revelam suas histórias numa tentativa desesperada de encontrar forças para continuar suas trajetórias. O corpo da mulher como campo de batalha, de Matéi Visniec, estreia dia 26 de maio, na sala Multiuso do Espaço SESC. O espetáculo retrata duas mulheres arrasadas, feridas, que tentam reconstruir a percepção sobre si mesmas e sobre o mundo.

Através de Kate (Ester Jablonski), uma psicoterapeuta americana que trabalha como voluntária, e Dorra (Fernanda Nobre), uma refugiada bósnia vítima de estupro, Visniec deflagra um grito sobre a condição da mulher durante a guerra, quando o estupro era a tática mais utilizada para humilhar e derrotar o inimigo de ambos os lados. A dramaturgia de Matéi Visniec, aliada à direção de Fernando Philbert, tem a potência de traduzir o ser humano ao trazer para a cena a questão da violência contra a mulher sem derrotismo, mas sob o ponto de vista da luta e resistência em todas as guerras, até mesmo as do dia a dia.

O autor romeno, naturalizado francês após pedir asilo político em 1987, é considerado por muitos “o novo Ionesco”, por dar continuidade ao gênero do teatro do absurdo. Outro traço de seus trabalhos é o olhar crítico do autoritarismo e as contradições inerentes ao ser humano. ” Descobri quando vim morar no Ocidente, que as pessoas podem ser manipuladas mesmo em uma sociedade livre e democrática e que isso pode ser feito em nome da liberdade e da democracia. Descobri que a luta pelo poder pode tornar-se um espetáculo grotesco, que a demagogia tem sutilezas que se pode facilmente confundir com reflexão filosófica; e que, o que é ainda mais grave, a demagogia casa-se muito bem com os poderes das mídias. Descobri que a liberdade pode ter um lado selvagem, que a informação pode matar a comunicação, que nada jamais é definitivamente adquirido e que o ser humano deve lutar sempre por seus direitos, para preservar sua liberdade ameaçada pelos efeitos da liberdade. Acho que o teatro pode e deve falar disso, falar dos múltiplos paradoxos da sociedade industrial, moderna e democrática. A sociedade civilizada, evoluída, não está protegida dos numerosos poderes obscuros que a rondam, que a desumanizam(…)”, define Matéi.

Nada mais atual. Embora escrito nos anos 90, a atualidade é uma das marcas mais contundentes do espetáculo.

O corpo da mulher como campo de batalha é parte do projeto Mulheres Em Cena: Corpo e Violência, que vai reunir filmes, leituras e debates sobre a condição da mulher, além de uma temporada da peça Bonecas Quebradas (estreia dia 9 de junho, às 21h), das atrizes Ligia Tourinho e Luciana Mitkiewicz, com dramaturgia compartilhada delas com João das Neves, Verônica Fabrini e Isa Kopelman, que também trata da violência contra o corpo da mulher, tendo como pano de fundo os assassinatos e esquartejamentos ocorridos desde a década de 90, na Ciudad Juarez, no México. Mulheres em Cena abre sua programação dia 24 de maio com leituras de ambos os espetáculos, exibição de documentários seguida de um debate sobre o tema “violência contra as mulheres” com ativistas, juristas e advogadas.

Retratos da guerra:
“Este espetáculo fala objetivamente de uma jovem que foi uma das milhares de mulheres estupradas na guerra da Bósnia e que ficou grávida. Nasceram após a guerra mais de trezentos bebês, resultado de mais de duas mil mulheres grávidas devido aos estupros.

O espetáculo busca ampliar o universo desta personagem, sua dor, seu isolamento em uma clínica, o ódio de sí mesma, a revolta com o mundo, a impotência, mas entende que a vida é mais forte e ela, a vida, vai voltando para a personagem, vai expulsando a dor e a revolta.

No contraponto a psicóloga que veio para Bósnia para trabalhar com as equipes que abrem as valas comuns aonde os corpos das vítimas de execuções em massa foram jogados. Ela também sofreu a violência da crueza dos fatos, da imagem descomunal de muitos corpos enterrados, e, não suportando mais, pede para ir trabalhar nesta clínica entre a Suíça e Alemanha que recebe algumas mulheres refugiadas da guerra. É lá que ela descobre que para ter um equilíbrio precisa interagir e buscar tirar do isolamento voluntário Dorra, a jovem refugiada.  

Apesar de contar uma história dura e verdadeira, o espetáculo encontra caminho na força que a vida tem, na força que a vida exerce sobre cada um mesmo vivendo a pior das tragédias, pois lá fora tem gente e o dia segue, e, mesmo não acreditando que se possa contar tudo, que o tempo cure tudo, como diz a jovem violentada, o espetáculo se lança na força destas mulheres que sobreviveram e estão diante da vida”. _ Fernando Philbert _ diretor

 

Ficha Técnica:

Texto: Matei Visniec

Tradução Alexandre David

Direção: Fernando Philbert

Elenco: Ester Jablonski

            Fernanda Nobre

Iluminação: Vilmar Olos

Cenário e Figurino: Natália Lana

Trilha / Música Original: Tato Taborda

Direção de Movimento: Marina Salomon

Direção de Produção: Sergio Canizio

Realização: Jablonsky Produções Artísticas Ltda

Assessoria de Imprensa: Lu Nabuco Assessoria em Comunicação

Coordenação dos debates: Adriana Novis Leite Pinto

 

SERVIÇO:

O CORPO DA MULHER COMO CAMPO DE BATALHA
Temporada: 26 de maio a 19 de junho
Horários: Quintas aos sábados, às 19h e domingos, às 18h
Local: Sesc Copacabana / Sala Multiuso – Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana – Rio de Janeiro/RJ
www.sescrio.org.brTel.: 21 2547 0156
Valor Ingresso: R$20,00 (inteira), R$10,00 (meia-entrada), R$5,00 (associados SESC)
Bilheteria: Terça a domingo a partir das 15h às 19h. Vendas antecipadas no local.  
Duração: 70 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama