“O Bigode” estreia no Teatro Maison de France

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Adaptação inédita, para os palcos, da obra “O Bigode”, do francês Emmanuel Carrère, estreia dia 20 de maio, sexta-feira, no Teatro Maison de France. O espetáculo narra a história de um homem que enfrenta uma crise de identidade após decidir raspar seu bigode.
 
Com patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa de Fomento “Viva a Arte” 2015, realização do LUPA e Alessandra Reis 27 Produções Artísticas, o espetáculo “O Bigode” cumpre temporada de 20 de maio a 19 de junho de 2016, no Teatro Maison de France, sexta e sábado às 20h e domingo às 18h. Adaptação inédita, para os palcos, da obra homônima de Emmanuel Carrère, o espetáculo narra a história de um homem que enfrenta uma crise de identidade após decidir raspar seu bigode.
 
Dezenove anos após seu lançamento, O bigode foi adaptado para o cinema, roteirizado e dirigido pelo próprio Carrère. Mas, até hoje, a obra nunca havia sido adaptada para o teatro. Diante do desafio de tornar dramaturgia a literatura, a presente adaptação, assinada Ricardo Leite Lopes, dirigida por Eduardo Vaccari e interpretada por Vicente Coelho, Dulce Penna e João Lucas Romero, que juntos formam o Grupo LUPA, pretende alcançar o ritmo vertiginoso da narrativa original, explorando desde seu humor patético até a inevitável tragédia.
 
O enredo da peça
Numa manhã, um homem, ao se barbear, pergunta a sua esposa: “E se eu raspasse o bigode?” De saída, ela responde encorajando-o ao ato. Ele aproveita sua rápida ausência e decide fazer-lhe esta surpresa. Raspa o bigode que usava há anos. Porém ao retornar ao apartamento ela não faz nenhum comentário e parece ignorar a mudança no visual do marido. De início, parece se tratar de uma troça da esposa. Aos poucos a situação vai se tornando mais curiosa, pois as outras pessoas que ele encontra também não notam ou, pelo menos, não comentam a diferença. Já irritado e desgostoso com a suposta brincadeira de mau gosto, ele finalmente decide perguntar: “Você não vai falar nada sobre eu ter raspado o bigode?” Ao que ela responde: “Que bigode? Você nunca teve bigode!”
 
Este é o ponto de partida de “O Bigode”. O advento que desencadeia a crise de identidade deste personagem sem nome, esta trama que flerta com o absurdo, um conto de terror psicológico. Estaria ele louco? Nunca teria usado bigode? Ou seria a esposa, quem teria enlouquecido?
 
Emmanuel Carrère
O francês Emmanuel Carrère assina títulos como A colônia de férias, Um romance russo, Outras vidas que não a minha, Limonov e O bigode. A novela O bigode foi escrita em 1986, a obra possui um enredo aparentemente simples, começa quase como uma brincadeira. A leveza das primeiras páginas chega a pregar peças na emoção do leitor, que logo se vê desconcertado ao perceber que da serenidade, vem o horror. O tema da identidade é explorado sob o prisma conjugal. Como é possível ser íntimo de alguém e, ao mesmo tempo, um completo estranho? E por que a imagem que o outro tem de nós pode ser tão poderosa, capaz de desestabilizar até mesmo quem somos? Os limites do autoconhecimento, a incomunicabilidade amorosa, os parâmetros de normalidade social são magistralmente explorados em O bigode.
 
A força da narrativa está no fato de Carrère ser um escritor que sabe manipular as loucuras secretas de todos nós e espalhar o horror com uma calma que só faz reforçar o impacto de sua história. A literatura de Emmanuel Carrère pode ser a realidade ou a ficção, a psicanálise ou a ação, a vontade de se expor ou o desejo de autocompreensão. São essas ambiguidades que fazem de Carrère um dos mais interessantes autores franceses contemporâneos e que o fizeram participar da Festa Literária Internacional de Paraty – Flip, de 2011.
 
Adaptação inédita para o teatro
O desejo de montar “O Bigode” surgiu em 2003, ao primeiro contato da atriz Dulce Penna com o livro. Mas foi apenas em 2011, quando Emmanuel Carrère visitou o Brasil, por ocasião da Festa Literária Internacional de Paraty – Flip, que Dulce vislumbrou a oportunidade de concretizar o seu desejo. Junto a Vicente Coelho e Alessandra Reis, encontrou Carrère pessoalmente e falou-lhe da intensão de fazer uma adaptação da obra para o teatro. Curioso pelo resultado, Carrère incentivou a levar a cabo a adaptação e cedeu legalmente os direitos autorais. O processo foi mediado pela equipe da Aliança Francesa. Assim conquistou-se o privilégio e responsabilidade de revelar para os palcos esse expoente da literatura contemporânea, tão celebrado no exterior e tão pouco conhecido no Brasil.
 
O Grupo LUPA
O LUPA é oriundo de uma parceria, iniciada ainda no curso de direção teatral da UFRJ, entre Dulce Penna, Eduardo Vaccari, Vicente Coelho, João Lucas Romero e Ricardo Leite Lopes. Em 2010 estreou o espetáculo “201”, com texto de Dulce Penna, que conta a história de dois homens que viveram em um mesmo apartamento, mas em épocas diferentes. A encenação cumpriu temporada no Espaço Cultural Sérgio Porto, como parte do Projeto Entre, e na Sala Paraíso do Teatro Carlos Gomes, em 2013. “O Bigode” é o segundo projeto do LUPA.
 
Ficha Técnica
Autor: Emmanuel Carrère
Adaptação: Ricardo Leite Lopes
Direção: Eduardo Vaccari
Elenco: Vicente Coelho, Dulce Penna e João Lucas Romero
Cenário e Figurinos: Carla Ferraz
Iluminação: Vitor Emanuel
Trilha Sonora Original: Arthur Ferreira
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Programação Visual: Evee Avila e Fernanda Guizan  – Balão de Ensaio
Direção e Execução de Produção: Paula Valente e Rubi Schumacher – Curiosa Cultural
Realização: LUPA e Alessandra Reis 27 Produções Artísticas
Patrocínio: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa de Fomento “Viva a Arte” 2015
 
Sinopse
O espetáculo narra a história de um homem que enfrenta uma crise de identidade após decidir raspar seu bigode.
 
Serviço
O Bigode
Local: Teatro Maison de France – Av. Pres. Antônio Carlos, 58, Centro, Rio de Janeiro (tel. 21 2544-2533)
Capacidade de público: 352 lugares
Estreia: 20 de maio, sexta-feira, às 20h
Temporada: 20 de maio a 19 de junho. Sexta e sábado às 20h e domingo às 18h.
Ingresso: R$ 40,00 (sexta-feira) R$ 50,00 (sábado de domingo) www.ingressorapido.com.br
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 80 minutos
Gênero: Drama