Nova exposição no Museu do Amanhã celebra força inovadora de Santos Dumont

Com conteúdo audiovisual e atividades interativas, mostra terá réplicas do aviões 14bis e Demoiselle em tamanho real

Uma invenção que reconfigurou o planeta, um inovador à frente do seu tempo. A exposição “O Poeta Voador, Santos Dumont” abre dia 26 de abril no Museu do Amanhã destacando a capacidade de inovação do inventor brasileiro, um visionário que se dedicou à ciência e à tecnologia inspirado pela arte. Com linguagem audiovisual e atividades interativas, a expografia inclui protótipos das principais criações de Santos Dumont e duas réplicas em tamanho real: o avião Demoiselle, mais completo projeto do inventor, e, na entrada do museu, o pioneiro 14bis.

Concebida e realizada pela Fundação Roberto Marinho, “O Poeta Voador, Santos Dumont” ocupa a sala de exposições temporárias do Museu, com curadoria de Gringo Cardia e consultoria científica do biofísico e pesquisador Henrique Lins de Barros. Seu objetivo é apresentar Santos Dumont como um jovem empreendedor adepto de conceitos ainda hoje atuais – disponibilizava seus projetos para que fossem replicados, ao invés de registrar patente, em uma espécie de creative commons antes de o termo ser criado –; um dos primeiros designers contemporâneos do país, com traços precisos, simples e funcionais; um dos brasileiros mais célebres do mundo (que lançou moda em Paris, capital do mundo no início do século passado) e ícone da capacidade brasileira de fazer ciência.

“É muito significativo que Santos Dumont seja tema de exposição no Museu do Amanhã, porque ele tinha a inovação como diretriz. Assim como o Museu, Santos Dumont pensava a inovação para o bem comum. Santos Dumont inaugura o século XX, a era dos avanços tecnológicos”, afirma o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto. “Por meio de sua história, mostramos como a pesquisa, o conhecimento científico e a educação podem ser transformadores”. A instituição desenvolveu o conceito do Museu do Amanhã e foi responsável por seu conteúdo, além de já ter assinado exposições como “Grande Sertão: Veredas” (2006), que inaugurou o Museu da Língua Portuguesa; “Roberto Burle Marx 100 anos: A Permanência do Instável” (2008), no Paço Imperial; “Fernando Pessoa: Plural como o Universo” (2010), montada em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Lisboa; e “Cazuza mostra sua Cara” (2013), esta última também com curadoria de Gringo Cardia.

santosExpografia audiovisual e interativa
Em diálogo com a linguagem do Museu, a expografia reúne conteúdo audiovisual, atividades interativas, jogos e ambientes imersivos. “Destacamos o lado poético e artístico de Santos Dumont, daí o título ‘o poeta voador’. Ele era um homem de ciências que se inspirava na arte – foram as histórias de Júlio Verne, por exemplo, que o despertaram para o sonho de voar. Na exposição, mostramos que exercitar a criatividade é uma forma de impulsionar descobertas”, diz Gringo Cardia. “As pessoas guardaram Santos Dumont numa prateleira de clichês, mas ele era e ainda é muito moderno e inovador. Faz parte da história de uma invenção que ‘reconfigurou’ o mundo, transformou a maneira como nos relacionamos com o tempo e o espaço”, define o curador, ele mesmo um apaixonado por aviação – seu pai era meteorologista em aeroportos e Gringo passou a infância vivendo ao lado de hangares.

No ano em que se comemoram 110 anos do voo do 14bis – o primeiro oficialmente homologado da História –, Santos Dumont é o fio condutor para um passeio pela história do voar. “Queremos valorizar a capacidade brasileira de inovar e de fazer ciência, motivando jovens e crianças para a atividade científica”, define o curador do Museu do Amanhã, Luiz Alberto Oliveira, que destaca a importância de celebrar o inventor brasileiro em um período em que o Rio de Janeiro receberá muitos turistas, por conta das Olimpíadas. “Santos Dumont é uma figura icônica. Ele criou não só um artefato que voa, mas determinou o processo de voar.”

A exposição “O Poeta Voador, Santos Dumont” tem concepção e realização da Fundação Roberto Marinho, patrocínio exclusivo da Shell Brasil e apoio do Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. “Santos Dumont teve uma contribuição transformadora para a mobilidade global. Cento e dez anos após o voo do 14bis, dezenas de milhares de aviões cruzam os céus todos os dias graças a mentes inovadoras e corajosas como a dele”, destaca o presidente da Shell Brasil, André Araujo.

Para o diretor geral do Museu do Amanhã, Ricardo Piquet, a exposição reforça as diretrizes da instituição. “A inovação sempre terá espaço em nossas atividades, mas é emblemático que um dos maiores inventores brasileiros tenha uma exposição em sua homenagem. Santos Dumont é atemporal e, por isso, está alinhado à nossa essência de examinar o passado, apresentar tendências do presente e explorar cenários possíveis para as próximas décadas. Sua ousadia foi revolucionária, ainda é referência, e suas invenções continuarão a contribuir para as próximas gerações”, analisa Piquet.

Visitante poderá experimentar avião
A exposição se divide em cinco ambientes (leia mais abaixo). Na sala principal, protótipos dos sete modelos criados por Santos Dumont – do balão Brasil ao avião Demoiselle, síntese de todos os seus projetos, passando pelo 14bis – mostram a evolução da tecnologia desenvolvida pelo inventor. Ali, o design arrojado e as formas minimalistas de Santos Dumont se destacam. Em telas interativas, desdobram-se várias camadas de conteúdo, reunindo documentos, imagens e fotos históricas digitalizadas. Um Demoiselle em tamanho natural estará em exposição e os visitantes concorrem a um “voo” virtual por Paris e Rio de Janeiro do início do século XX, por meio de uma edição de vídeo.

Um documentário sobre a trajetória de Santos Dumont ocupa a sala Cinema, enquanto na Sala dos Balões um filme passeia pelas invenções que inspiraram o poeta e a evolução do sonho de voar, desde os desenhos de Leonardo Da Vinci. De forma lúdica, o visitante tem contato com conceitos de Física como aerodinâmica e mecânica de motores na sala da Oficina de aviões de papel: lançados em uma pista, os aviõezinhos acionam o Jogo das Curiosidades, em que vídeos mostram informações sobre o funcionamento das aeronaves e muitas outras curiosidades. “Com uma linguagem acessível a todos os públicos, mostramos como Santos Dumont se inspira nos criadores que vieram antes dele até chegar aonde ninguém havia chegado ainda”, conta o biofísico Henrique Lins de Barros, também consultor do Museu e especialista em Santos Dumont, autor de livros e documentários sobre o aviador.

O Educativo do museu tem papel central na experiência da exposição, com atividades e oficinas que extrapolam o espaço do Museu e ocupam a Praça Mauá, em parceria com o Museu de Arte do Rio (MAR). A exposição contará também com audioguia em inglês e espanhol, para o público estrangeiro, videolibras e audiodescrição.

Serviço

O Poeta Voador, Santos Dumont

Museu do Amanhã. Praça Mauá 1, Centro – Tel.: 3812-1800
Período: De 26 de abril a 30 de outubro
Funcionamento: De terça-feira a domingo, das 10h às 18h (com encerramento da bilheteria às 17h)
Ingressos (A exposição temporária está incluída no valor da entrada para o Museu):
Inteira: R$ 10,00;
Meia-entrada: R$ 5,00;
O Museu tem entrada gratuita às terças-feiras;
Bilhete Único dos Museus (Museu do Amanhã + MAR):
R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia-entrada).
www.museudoamanha.org.br

PASSO A PASSO DA EXPOSIÇÃO:

1 – Salão Principal
Na primeira sala da exposição, o público conhece os sete principais inventos de Santos Dumont: Balão Brasil; dirigíveis números 3, 6 e 9; o avião 14bis; o Demoiselle (modelo 19) e o Demoiselle 20, escolhidos por serem criações que trouxeram inovações importantes à arte de voar. As réplicas dos aeromodelos planam numa grande vitrine, presas por cabos de aço, cercadas por telas interativas, em que o visitante é convidado a se aprofundar em informações, curiosidades e imagens históricas de cada uma das máquinas voadoras. Ali, descobre-se, por exemplo, que Santos Dumont criou o hangar, ao construir um galpão para guardar seus balões de hidrogênio (que antes eram montados e desmontados a cada voo).

Em vídeos que dialogam com as maquetes, o ator Cássio Scapin interpreta Santos Dumont, “desenhando” cada um dos modelos: o ator gravou sobre fundo chroma key e, em seguida, foram aplicadas animações com os croquis. Cássio já interpretou o aviador na minissérie “Um Só Coração”, da TV Globo, e conta ter feito intensa pesquisa para o personagem. “Foi muito prazeroso poder reencontrar um personagem muito importante para a memória e a identidade nacional”, diz o ator.

Completam a ambientação 60 miniaturas motorizadas do Demoiselle, que voam de um lado ao outro da sala, também presas por cabos de aço.

2 – Estúdio – Simulação do Demoiselle
Uma réplica do Demoiselle em tamanho real vai inserir o público na História. Suspenso por um equipamento a dois metros acima do chão, o avião simulará um voo sobre a Paris da época e o Rio de Janeiro antigo – mas com o Museu do Amanhã na paisagem, numa licença poética temporal. Os visitantes concorrem a entrar no Demoiselle – são cerca de seis pessoas por hora – e fazer um “voo” filmado sobre chroma key. Simultaneamente, paisagens são inseridas na ilha de edição instalada na própria exposição. Depois da visita, o participante recebe o vídeo em que “pilota” o avião.

3 – Sala dos Balões
Dedicada à história do voo e ao sonho de voar, a sala investe em ambiente lúdico, com balões de gás hélio que podem ser manipulados pelos visitantes. “A ideia é criar um clima mágico: quando os balões flutuam, parecem dirigíveis”, descreve Gringo Cardia. A sala é envolvida por um vídeo que passeia pela história dos voos: desde o italiano Leonardo Da Vinci – o primeiro a estudar, de forma científica, formas de levar os homens aos céus, baseado nos pássaros e nos morcegos – até o voo do 14bis, em 1906, quando Santos Dumont entrou para a História ao fazer seu avião decolar, voar e pousar com sucesso. A partir daí, milhares de aviões foram construídos e aperfeiçoados e a aviação decolou como meio de transporte, reduzindo distâncias, unindo povos e mudando para sempre a relação do homem com o planeta.

4 – Sala de Cinema – Um brasileiro célebre em todo o mundo
Um documentário exibido em tela grande conta a história de Santos Dumont desde a infância em Minas Gerais, quando sonhava voar inspirado nos livros de Júlio Verne, até se tornar o aviador recebido com entusiasmo por autoridades como a rainha da Inglaterra e o presidente dos Estados Unidos. Ainda muito jovem e num período de cerca de 10 anos – dos 25 aos 35 anos – realizou as conquistas que o transformaram em um dos grandes personagens do século XX.

Designer elegante, criava artefatos de traços simples, econômicos e funcionais. Responsável não só por uma invenção capaz de voar, mas pela definição do processo que permite o voo – o Demoiselle instaurou princípios técnicos que são os mesmos dos aviões modernos. Santos Dumont conquistou Paris – e, consequentemente, o mundo. Suas invenções e aventuras eram manchete nos jornais da Europa e dos Estados Unidos. Tudo o que ele vestia ou usava virava moda: seus ternos de risca de giz, o chapéu panamá, as camisas de colarinho alto.

O inventor usou sua fama para difundir a aviação – em vez de patentear seus inventos, liberou os direitos de todos eles e chegou a publicar os estudos do Demoiselle para que ele fosse reproduzido de forma gratuita, transformando o modelo no seu avião mais popular.

5 – Oficina de Aviões e Jogo das Curiosidades
No último espaço da exposição, o público participa de um jogo educativo. O visitante produz seus aviões de papel numa grande mesa de construção, com instruções para diferentes modelos e aerodinâmicas, e arremessa-os a partir de uma plataforma de lançamento sobre uma pista de pouso dividida como um tabuleiro dividido em 18 quadrados. Cada quadrante aciona um vídeo diferente, que traz informações sobre a ciência da aviação e o funcionamento das aeronaves, entre outras.

6 – Painéis Fotográficos e Outras Invenções
Painéis fotográficos nos quais o visitante pode se inserir – entre as imagens estão o 14bis, o voo em torno da Torre Eiffel e o primeiro balão criado pelo inventor – expandem a ambientação de “O Poeta Voador, Santos Dumont” para além do espaço da Exposição Temporária. Na entrada do Museu, uma réplica do avião 14bis dá as boas-vindas aos visitantes.

Ao lado da entrada da exposição, uma vitrine mostra outras curiosidades sobre Santos Dumont, como os inventos que criou para sua casa em Petrópolis.

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