Nós do Morro 30 anos de Arte no Sesc Copacabana

Bataclã (foto: Diego Najurieta)
Bataclã (foto: Diego Najurieta)

 

Três décadas atrás, uma turma do Vidigal tinha o sonho conjunto de transformar a vida através da arte. Foi desse desejo comunitário que nasceu o bem-sucedido Grupo Nós do Morro, hoje referência de trabalho cultural e social na cidade. Dando continuidade às atividades que celebram essa trajetória, a companhia leva, ao Sesc Copacabana a partir de 30 de setembro, o Nós do Morro 30 anos de Arte, com dois espetáculos autorais – o inédito Bataclã, dirigido por Fernando Mello da Costa, e Abalou, um musical funk, com direção de Guti Fraga, ambos com dramaturgia de Luís Paulo Corrêa e Castro – e a performance poética musical Batalha de poesia, com organização de texto e direção de Guti Fraga.

O grupo também leva ao espaço da Zona Sul o Cine Nós do Morro, uma mostra de cinema com sessões voltadas para crianças e outras para adultos; a exposição Nós do Morro 30 anos, que conta a história do grupo através de fotos, maquetes de cenários e figurinos; e organiza ainda oficinas de teatro com Guti Fraga e de cinema para crianças com Luciana Bezerra e Luciano Vidigal.

Em 30 anos de atividades ininterruptas, o Grupo Nós do Morro comemora diversas conquistas. O cunho artístico-social, que deu origem à fundação, permanece forte e atuante – seja pelo atendimento à comunidade, com sua política de transformação da vida através da arte, seja pelas campanhas sociais que desenvolve no Vidigal (conscientização sobre o lixo, prevenção da dengue, da gripe etc.) –, mas hoje ele também é reconhecido como polo de referência em formação e realização artística.

Uma trajetória premiada

O Grupo Nós do Morro já montou 29 espetáculos profissionais e mais de 100 espetáculos experimentais. Recebeu inúmeros prêmios, dentre eles: IX Prêmio Shell de Teatro (1996); Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem (1997); e Prêmio Shell de Direção Musical com o espetáculo “Noites do Vidigal” (2002). Seu derradeiro espetáculo, “Domando a Megera” (2015) comprovou, mais uma vez, a excelência artística do Grupo.

Na área audiovisual, a companhia produziu seis curtas-metragens em película, um longa-metragem digital, além de ter formado profissionais como os cineastas Gustavo Melo, Luciana Bezerra e Luciano Vidigal, que têm em seu currículo participação nos Festivais de Cannes e Berlim.

O Nós do Morro permite aos jovens da comunidade o desenvolvimento de seus talentos artísticos, atuando pela formação de plateia local e, sobretudo, formando atores, técnicos e agentes multiplicadores que, ultrapassando os limites do Vidigal, possam apresentar a magia do teatro ao Rio de Janeiro e ao mundo. Do sonho à realidade. Hoje o Nós do Morro atende, anualmente, 200 alunos – entre crianças, jovens e adultos – que participam, de forma inteiramente gratuita, de suas oficinas de formação artística.

Transformar a vida através da arte requer mais do que aulas técnicas e teóricas. Por isso, além das oficinas de formação artística em interpretação, técnica vocal, canto, expressão corporal, técnica circense e instrumentos percussivos – que ocupam de 12 a 40 horas semanais de cada integrante – o Grupo ensina noções de ética, cidadania e educação, pontos imprescindíveis ao desenvolvimento de um artista-cidadão. A metodologia é democrática e parte do diálogo: todas as ações do Grupo são discutidas entre diretores, professores e alunos e, de seis em seis meses, as metas e objetivos são analisados de forma coletiva e individual, possibilitando, além do autoconhecimento, um cotidiano em que todos trabalham em função da arte, e não de si próprios.

BATACLÃ

Estreia: 30 de setembro

De sexta a domingo, até 29 de outubro.

Com direção de Fernando Mello da Costa, a montagem relembra o clima do Vidigal no final dos anos 70, quando o morro recebeu diversos artistas e intelectuais que subiram suas ladeiras para morar num conjunto de prédios recém-construídos. Atores, cantores, artistas plásticos, produtores e realizadores de cinema, universitários e outras tribos da classe média – que atravessavam o período da desilusão da luta contra a ditadura militar –, se encontraram com sambistas, mulatas e demais moradores da comunidade, que ainda não tinha sido atingida pelo crescimento desordenado e pelos problemas sociais, que se agravariam nas décadas seguintes. Os dois grupos se encontravam em bares e biroscas localizados no alto do morro.

Um dos pontos de encontro, que ficou marcado na memória das novas gerações formadas a partir dessa mistura de culturas, era uma casa, localizada na parte alta da favela. No espaço, eram realizadas grandes festas, frequentadas por integrantes destas duas tribos, onde as informações e experiências eram trocadas e se experimentava uma vivência comunitária, com uma circulação intensa de jovens e adultos. Como uma república, a casa reunia moradores da favela e os artistas e intelectuais e recebeu o nome de Bataclã. Nesse lugar, romances se iniciaram e terminaram; jovens tiveram suas primeiras experiências sexuais e com um mundo que até então só conheciam no cinema e na televisão.

Personagens que entraram para a história do Vidigal e que foram a base para a formação intelectual de toda uma geração de moradores do morro passaram pelas portas do Bataclã.

“Ali vivenciamos histórias que ficaram guardadas na memória, um tempo que não volta mais. Só quem viveu é que pode falar. Só quem experimentou é que pode explicar”, lembra Luiz Paulo, que assina o texto. “Depois desta história, o Vidigal nunca mais foi o mesmo e virou um lugar de cultura, onde a vida artística floresce de todos os cantos, becos e vielas. O Grupo Nós do Morro é fruto desse contexto e essa é a nossa história”, destaca Guti Fraga, que, ao lado de Luiz Paulo e Fernando Mello da Costa, fundaram o grupo na década de 70.

FICHA TÉCNICA

Texto: Luiz Paulo Corrêa e Castro

Direção: Fernando Mello da Costa

Elenco: Eduardo Bastos, Hélio Rodrigues, Hugo Alves, Juliana Melo, Lorena Baesso, Luís Delfino, Melissa Arievo, Marcello Melo, Renan Monteiro, Sabrina Rosa, Sandro Mattos e Wendel Barros.

Direção Musical e Trilha Sonora: José Luiz Rinaldi

Figurinos: Kika de Medina

Cenografia: Fernando Mello da Costa

Designer de luz: Renato Machado

Direção de Movimento: Marcia Rubim

Preparação Corporal: Vanessa Garcia

Técnica Vocal: Leila Mendes

Instrutora de canto: Gabriela Geluda

Operação de luz: Lívia Ataíde

Costureira: Cláudia Ramos

Produção Executiva: Tatiana Delfina

Direção de Produção: Dani Carvalho

ABALOU, UM MUSICAL FUNK

Estreia: 5 de outubro.

Quartas e quintas, até 27 de outubro.

Maestro, estudante secundarista, fica impressionado com a efervescência do mundo do rap e do funk, em meados da década de 90, no Rio de Janeiro.  Pressionado pela necessidade de ascensão social dos jovens moradores de favela e bairros da periferia da cidade, resolve criar um novo estilo de rap, com bases sonoras inspiradas nas composições de Beethoven e letras inspiradas nas composições de Caetano Veloso. Certo de que sua ideia seria um sucesso imediato e o ajudaria a conquistar um lugar de destaque como MCs do bairro, Maestro leva sua ideia para o grande empresário Big Ben, que, de imediato, rejeita a novidade.

Maestro conta com alguns apoios inesperados. Três fantasmas, ex-moradores do Vidigal que, incomodados no céu com o barulho dos bailes funk, resolvem voltar à Terra para descobrir a origem daquela bagunça e vão parar no baile do Vidigal. Lá, aparece Tininha, líder de um grupo de meninas que frequentam o baile e têm nela a sua fonte inspiradora, mas não compreendem suas esquisitices. Tininha sonha em deixar a favela para morar em Copacabana e, secretamente, alimenta uma paixão não correspondida por Maestro.

O grupo de Tininha tem por antagonista a turma da Martinha, que são seguidoras fiéis dos MCs Pilantra e Lagartão, empresariados por Big Ben e antagonistas de Maestro. Os fantasmas Ricardo, um dono de equipes de soul dos anos 70; Eládio, frequentador assíduo das gafieiras na década de 60; e Waldemar, um dançarino e admirador dos bailes das grandes orquestras americanas das décadas de 40 e 50, começam, então, a manobrar para juntar Maestro e Tininha e, desta forma, influenciam a vida dos demais personagens do espetáculo.

A peça estreou em 1997, na Casa de Cultura Laura Alvim, e recebeu seis indicações ao Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem (melhor atriz, espetáculo, coreografia e categoria especial), das quais ganhou coreografia, cenário e categoria especial. Na montagem atual, o texto foi reescrito, considerando as circunstâncias político-sociais do Brasil, o crescimento e as novas formas de conflito e conciliação no espaço da favela.

FICHA TÉCNICA

Texto: Luís Paulo Corrêa e Castro

Direção: Guti Fraga

Assistente de Direção: Sabrina Isnard

Elenco: Alexandre Cipriano, Alice Coelho, Bruno Borges, Camila Monteiro, Clara Nery, Danilo Martins, Danilo Martins, Deivison Santos, Dhonata Augusto, Flavio Mariano, Iohanna Carvalho, João Gago, Leilane Pinheiro, Mariana Alves, Marília Coelho, Murilo Sampaio, Nathalia Altenbernd, Ramon Francisco, Sonia Magalhães, Taiana Bastos, Thais Dutra, Thiago Vicente e Vandinho Ribeiro.

Cenografia: Fernando Mello da Costa

Iluminação: Márcia Francisco

Figurinos: Gorette Bezerra

Direção Musical e músicas originais: João Gurgel e Júnior & Leonardo

Direção de Movimento e Coreografias: Johayne Hildefonso

Preparação Corporal: Vanessa Soares

Técnica Vocal: Isabel Schumann

Instrutora de canto: Letícia Vasconcellos

Operação de som: Danilo Martins

Operação de luz: Lívia Ataíde

Visagismo: Angélica Ribeiro

Camareiras: Cláudia Ramos

Costureira: Cláudia Ramos

Assistentes de Produção: Tatiana Delfina e Kiko de Moraes

Produção Executiva: Márcio Lopes

Direção de Produção: Dani Carvalho

BATALHA DE POESIA

Estreia: 11 de outubro.

Terças, às 18h30.

Espetáculo performático, aberto à participação do público, em que o elenco, composto por um grupo de jovens, se reúne para conversar sobre a vida e as perspectivas de futuro, desenvolvendo uma “batalha” de ideias em forma de rap com muita música e poesia. O texto, organizado por Guti Fraga, é uma colagem de poesias de escritores brasileiros e conta, também, com intervenções musicais executadas ao vivo pelo elenco.

FICHA TÉCNICA

Direção e organização de texto: Guti Fraga

Elenco: Alexandre Cipriano, Alice Coelho, Bruno Borges, Camila Monteiro, Dani Dillan, Deivison Santos, João Vitor Nascimento, Iohanna de Carvalho, João Gago, João Paulo Gonçalves, Leilane Ribeiro, Marilia Coelho, Micael Gomes, Murilo Sampaio, Nathalia Mattos, Ramon Francisco, Rosângela Gonçalves, Thais Dutra, Evandro Ribeiro e Thiago Vicente.

Figurinos: Gorete Bezerra

Concepção cenográfica: Guti Fraga

Designer de luz: Lívia Ataíde

Preparação Corporal: Vanessa Soares

Direção de Movimento e Coreografias: Johayne Hildefonso

Instrutora de canto: Letícia Vasconcellos

Técnica Vocal: Isabel Schumann

Instrutor de Percussão: Wellington Soares

Produção Executiva: Márcio Lopes e Tatiana Delfina

Direção de Produção: Dani Carvalho

EXPOSIÇÃO NÓS DO MORRO 30 ANOS

De 4 a 29 de outubro.

Nesta exposição, aberta à visitação de terça a domingo, será compartilhada com o público a história dos 30 anos de existência do Grupo Nós do Morro, exposta através de livros, fotos, matérias de jornal, vídeos, música, maquetes de cenários e projetos de espetáculos. O público terá acesso ao processo de formação e consolidação do Grupo; detalhes e as curiosidades dessa história.

MOSTRA DE CURTA-METRAGEM CINE NÓS DO MORRO

  • Cine Nós do Morro para Crianças

Dia 12 de outubro

Domingo, às 10h e às 15h.

Cinco curtas-metragens, feitos para o público infantil, serão exibidos. “Picolé, Pintinho e Pipa”, 35mm – 15 minutos / Direção: Gustavo Melo – 2006, “Lá do Alto”, HD – 5 minutos – Direção / Direção: Luciano Vidigal – 2015, “Os Donos da Mata”, HD – 13 minutos / Direção: Luciana Bezerra – 2012, “A tangerina do Vidigal”, SUPER 8 – 3 minutos / Direção: Jonathan Haagensen e Gorette Bezerra – 2002, “A distração de Ivan”, HD – 15 minutos / Direção: Gustavo Melo – 2010. Após a exibição, será realizada a Oficina de Experimentação Cinematográfica, com brincadeiras e atividades lúdicas ligadas ao universo do cinema.

  • Cine Nós do Morro para Adultos

Dia 26 de outubro.

Quarta, de 19h às 20h30.

Exibição dos curtas e médias-metragens premiados do grupo: “Mina de fé”, “Picolé, pintinho e pipa”, “A distração de Ivan”, “Amanhã já é outono” e “Caixa preta”.

OFICINAS NÓS DO MORRO

  • Teatro para adolescentes

De 18 a 20 de outubro.

Terça, quarta e quinta. Horário: das 15h às 18h.

O objetivo é realizar uma oficina de teatro para adolescentes, com ou sem experiência, como forma de dividir e multiplicar a metodologia do aprendizado teatral desenvolvida pelo Grupo. A oficina será ministrada pelo diretor Guti Fraga e será oferecida para um grupo de 20 pessoas.

Inscrições pelo e-mail nosdomorro.producao@yahoo.com.br

Título do e-mail: Oficina de Teatro

  • Oficina de experimentação cinematográfica para crianças

Dia 12 de outubro. Horário: Domingo, às 11h e às 16h.

As oficinas serão ministradas pelos cineastas Luciana Bezerra e Luciano Vidigal, destinadas a todas as crianças presentes nas sessões de cinema e com o objetivo de aproximar as crianças da magia do cinema. Eles aprenderão a dinâmica das câmeras confeccionando as próprias caixas pretas e compartilhando desenhos que serão apresentados quadro a quadro, de acordo com narrativas desenvolvidas coletivamente. Cada oficina terá duração de sessenta minutos.

Inscrições pelo e-mail nosdomorro.producao@yahoo.com.br

Título do e-mail: Oficina de cinema

 

SERVIÇO NÓS DO MORRO 30 ANOS DE ARTE

Temporada: de 30 de setembro a 29 de outubro de 2016.

Local: Sesc Copacabana

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana

Informações: (21) 2548-1088

BATACLÃ

30 de setembro a 29 de outubro de 2016.

Dias e horários: Sexta e sábado, às 20h30. Domingo, às 19h.

*Domingo, dia 23, duas sessões: 16h e 19h.

*Sábado, dia 29, duas sessões: 18h e 20h30.

Teatro

Capacidade: 147 lugares. Acesso para deficientes físicos

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Duração: 96 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Gênero: Musical

 

ABALOU, UM MUSICAL FUNK

De 5 a 27 de outubro de 2016.

Dias e horários: Quartas e quintas, às 20h30

Sala:Teatro

Capacidade: 147 lugares. Acesso para deficientes físicos

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Duração: 80 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Gênero: Musical

BATALHA DE POESIA

De 4 a 25 de outubro de 2016.

Dias e horários: Terças, às 18h30.

Sala: Teatro

Capacidade: 147 lugares. Acesso para deficientes físicos

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Duração: 75 minutos.

Classificação indicativa: livre.

Gênero: performance

EXPOSIÇÃO NÓS DO MORRO 30 ANOS

De 4 a 29 de outubro de 2016.

Dias e horários: De terça a domingo, de 14h às 19h.

Sala: Foyer do Teatro

Capacidade: 50 lugares. Acesso para deficientes físicos

Entrada franca.

Classificação indicativa: livre.