Nora na Sede das Cias

Pesquisa cênica transformada em espetáculo é baseada em texto de Henrik Ibsen e aborda o papel da mulher na sociedade 

Projeto Nora (foto: Diana Herzog)
Projeto Nora (foto: Diana Herzog)

De 30 de setembro a 23 de outubro a Sede das Cias recebe o projeto Nora, que teve a sua pesquisa cênica patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura. Com direção de Diana Herzog, a apresentação tem como ponto de partida a personagem Nora de Casa de Bonecas, peça teatral do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Para compor a pesquisa cênica, a equipe do projeto foi as ruas do Rio para ouvir histórias reais de diferentes mulheres. Esse resultado é revelado no palco, numa pesquisa de linguagem de teatro documentário, onde a dramaturgia mistura ficção e fatos reais.

O projeto parte do teatro para rua; de uma personagem para mulheres. É um trabalho que chega nas vozes coletadas na rua, e nas vozes das atrizes através da voz da Nora – um dos grandes símbolos feministas na história do teatro. “Nosso objetivo é entender como ‘Nora’ continua presente nos dias de hoje. E de que maneira ela como símbolo é atual e necessária, para que mulheres continuem a ganhar voz numa sociedade ainda patriarcal. Por isso o trabalho da pesquisa de campo, de ir para a rua ouvir mulheres é essencial. Entendemos que o próprio ato da fala para a mulher é em si transgressor.” Afirma Diana.

A personagem de Ibsen despontou à época como uma transgressora ao optar por deixar casa, marido e filhos após anos de dedicação à família. Ela decide seguir sua vida em busca de uma prioridade: si mesma. Símbolo do feminismo, que começava a tomar corpo na Europa, Nora subverteu padrões de comportamento considerados ideais para a mulher do final do século XIX.

“Quando encenada pela primeira vez, em 1879, Casa de Bonecas provocou polêmica por questionar a função e valor da mulher na sociedade. Nora é a personificação e desconstrução destes papeis. Ela se tornou um símbolo feminista – mulher não mais como um papel social, como mãe, como esposa, e sim como pessoa, indivíduo. Passados mais de 100 anos da estreia da peça, ela segue transgressora”, declara a diretora.

Para compor o projeto Nora, Diana utilizou além do texto original de Ibsen, uma outra  versão contemporânea do autor para última cena de Eleanor Marx (filha de Karl Marx) e Israel Zangwill para a mesma obra, intitulada “A Doll’s House Repaired” “Casa de Bonecas Consertada, “Casa de Bonecas é um dos textos mais continuados da história. O autor finaliza com reticências. A personagem bate à porta e sai”, explica.

A segunda temporada de Nora conta com algumas mudanças, uma delas inspirada pelo trabalho do diretor Holandês Jorgërn Tjon, que esteve recentemente no Rio de Janeiro participando da residência artística HOBRA, onde apresentou o trabalho Invisível, no qual Diana fez a sua assistência. Jorgërn pesquisa teatro documentário, uma das técnicas utilizadas no Invisível foi verbatim – técnica que se propõe a reproduzir as palavras exatas de pessoas reais gravadas em entrevistas e conversas. E a partir desse contato, Diana experimentou a técnica em uma das cenas, onde a atriz reproduz uma série de respostas de diferentes mulheres para a mesma pergunta. São sempre três perguntas, que variam a cada apresentação do final de semana, Sexta, Sábado e Domingo.

Valéria Martins comanda a produção criativa do projeto, que conta com Duda Maia na direção de movimento, além iluminação de Luiz André Alvim e cenário e figurino de Elisa Faulhaber. No elenco da peça estão jovens e talentosas atrizes, que se revezam no papel de Nora. São elas: Joana Lerner, que integra a Cia. Pequena Orquestra desde 2008 e atuou em novelas como Senhora do destino, Tempos Modernos e Fina Estampa; Priscila Assum, que protagonizou na TV série As Canalhas (GNT), participou de novelas como Passione e Tapas e Beijos e atuou no espetáculo Sonhos de um Sedutor; Natasha Melman, que participou de montagens como Arcamann,Nem sei mais como tudo começou, A Casa de Bernarda Alba e Alice no país das maravilhas; Renata Ravani, que participou do Festival de Teatro do Rio de Janeiro com a peça premiada Fando e Lis e fez parte do elenco do musical Pop Kamikaze; e Lilia Wodraschka, que já atuou nas peças: Malandrices, Abracadabra, Nirvana e A Bruxinha que era boa.

O projeto tem patrocínio da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e o apoio da Base Dinâmica, Unirio, In House, Prana, Água Donna Natureza, Café 3 Corações e Sede das Cias.

O projeto Nora
Nora é fruto do trabalho de conclusão do curso de Teoria do Teatro de Diana Herzog, que se desdobrou em um blog, um canal do youtube e ferramenta de mídias sociais, que se tornaram um espaço relevante de discussão e disseminação de conceitos sobre questões de gênero e feminismo. O projeto é a construção e o resultado de uma pesquisa teórica, de campo e por fim, cênica. Para a pesquisa teórica foram realizadas 4 palestras de livre acesso sobre a construção dos conceitos feminino e masculino e compreensão das estruturas do patriarcado. Na pesquisa de campo, a equipe foi às ruas do Rio de Janeiro e ouviu relatos de mulheres de diferentes faixas etárias. Finalizando a pesquisa cênica, foi ministrado um workshop sobre o universo feminino, a partir do tripé sexualidade-maternidade-envelhecimento para a equipe do projeto.

Link do vimeo: https://vimeo.com/165923576
Blog: http://projetonora.com/
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCjNDjMWkTxgkE8X_xGYDs9w
Facebook: https://www.facebook.com/Noraprojetonora/?fref=ts 

FICHA TÉCNICA
Direção/pesquisadora – Diana Herzog
Produção criativa/pesquisadora – Valéria Martins
Atrizes/pesquisadoras – Joana Lerner, Lilia Wodraschka Priscila Assum, Natasha Melman e Renata Ravani
Direção de Movimento/pesquisadora – Duda Maia
Iluminação – Luiz André Alvim
Cenário e Figurino – Elisa Faulhaber
Assistência de direção/pesquisadores – Maíra Kestenberg
Produção Executiva: Cida de Souza 

SERVIÇO

Teatro – Projeto Nora

De 30 de setembro a 23 de outubro

Horário: De sexta a domingo às 20h
Local:
Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro 10, Lapa, Rio de Janeiro – RJ

Duração: 1h

Gênero: ficção documental

Classificação etária: 12 anos

Preço ingresso: R$30 inteira e R$15 meia

Endereço: R. Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón – Lapa

Telefone: Diana 98138-4915

Estacionamento perto da Sede: Rio Antigo Park – Rua Teotônio Regatas, s/n.o (ao lado da Sala Cecília Meireles)