“Nem mesmo todo o oceano” de Alcione Araújo, na Caixa Cultural Rio

Teatro que reflete sobre a alienação, a ditadura e o Brasil
 
Leonardo Bricio protagoniza o thriller contemporâneo “Nem Mesmo Todo o Oceano”
, baseado no romance homônimo de Alcione Araújo, de 11 a 28 de maio, na Caixa Cultural Rio. 
 
Os instantes que antecederam o golpe militar no Brasil e os primeiros momentos de repressão estruturam o espetáculo “Nem Mesmo Todo o Oceano”. Protagonizado pelo ator Leonardo Bricio, a montagem resulta da adaptação que a premiada diretora Inez Viana fez em 2013 do romance homônimo do escritor, dramaturgo e pensador Alcione Araújo. A peça, que desde a sua estreia, se mantém em circulação pelo país, foi indicada ao Prêmio APTR na categoria Melhor Produção e ao Prêmio Questão de Crítica nas categorias Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora. Durante a temporada, a cada semana, logo após a apresentação, um convidado debate com o público a respeito da temática do espetáculo e o atual momento brasileiro.
 
– Na peça, fatos reais se misturam à ficção, nos trazendo imediata identificação de uma das mais agravantes e dolorosas épocas do nosso país, a era da inocência perdida –, comenta a diretora Inez Viana.
 
O espetáculo levanta questões de ética e valores morais, contando a história fictícia de um médico recém-formado. O público conhece a difícil infância de menino pobre no interior de Minas, os primeiros tempos de estudante vivendo em pensões no Rio de Janeiro, as decepções amorosas, as frustrações existenciais, a difícil sobrevivência em meio às feras do asfalto selvagem, enfatizando sobretudo o seu processo de perversão espiritual. A montagem é um thriller contemporâneo dentro de um romance histórico.
 
– É a história de tantos outros brasileiros. Gente que se formou, mas não tinha nenhuma cultura geral. Um alienado. Você não pode estar desconectado da vida política de seu país. Ele chegou aonde chegou, por conta de sua alienação –, diz Inez.
 
Na encenação, os atores Leonardo Bricio, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell, intercalam-se nos diversos personagens da trama, trajam figurino simples porém elegante, e atuam com a liberdade do espaço vazio (não há cenário). Com isso a diretora privilegia o ator, colocando-o como centro do espetáculo, valorizando o jogo teatral e a imaginação do espectador.
 
A estreia de “Nem Mesmo Todo o Oceano” aconteceu em 2013, na Arena do Espaço Sesc, Rio de Janeiro. A peça esteve em mais duas temporadas de sucesso no Rio, nos teatros Glaucio Gill e Alcione Araújo, depois se apresentou no Galpão Gamboa e cumpriu um circuito de 14 Lonas Culturais Municipais pela periferia da cidade. Em circulação pelo Brasil, realizou o Circuito Sesc do Cariri (Juazeiro do Norte, Iguatu e Crato), se apresentou em temporadas em Campina Grande, Belo Horizonte, Curitiba (durante o Festival de Curitiba), Fortaleza, Passo Fundo, Lajeado, Pelotas e Recife. Em novembro o espetáculo será apresentado em Salvador.
 
– É impressionante como essa peça, que fala dos anos de chumbo, acontece em ocasiões críticas do país: estreamos em agosto de 2013, no meio das manifestações contra o aumento das passagens de ônibus, e meio ano antes de se completar os 50 anos da ditadura militar. Fizemos depois várias temporadas e agora voltamos com ela, em março na Caixa Cultural do Recife e em maio na Caixa Cultural Rio de Janeiro, no momento em que nossa democracia está ameaçada. No mínimo, simbólico –, conclui Inez.
 
“Nem Mesmo todo o Oceano” é um projeto da Cia OmondÉ com direção de Inez Viana, que também assina a adaptação da obra de Alcione Araújo, direção de produção de Claudia Marques, iluminação de Renato Machado, direção musical de Marcelo Alonso Neves, figurino de Flávio Souza e consultoria dramatúrgica de Pedro Kosovski.
 
Com patrocínio da Caixa, as apresentações na Caixa Cultural Rio, localizada na Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro, acontecem de 11 a 28 de maio de 2016, quarta a sábado, às 19h, com ingressos até 10 reais. Classificação 16 anos.
 
Sobre a Cia Omondé
A Cia OmondÉ surgiu no final de 2009 da vontade da diretora e atriz Inez Viana em formar um grupo com atores vindo de várias partes do Brasil, para o aprofundamento de uma pesquisa cênica, onde a diversidade, a brasilidade e o diálogo com a cena mundial contemporânea (tendo como grande mentor o diretor inglês Peter Brook) fossem concomitantemente estudados. Trata-se de uma busca aos signos do teatro, infinitos se pensarmos na precisão de um gesto ou na magia do aparecimento de um objeto em cena, levando o espectador a ser cúmplice não-passivo, co-autor e não somente voyer do espetáculo. O repertório da OmondÉ compõe-se das peças: “As Conchambranças de Quaderna” (2009) de Ariano Suassuna, “Os Mamutes” (2011) de Jô Bilac, “Nem Mesmo Todo o Oceano” (2013) de Alcione Araújo e “Infância, Tiros e Plumas” (2015) de Jô Bilac.
 
Ficha Técnica
 
Autor: Alcione Araújo
Adaptação e Direção: Inez Viana
Direção de Produção: Claudia Marques
Elenco: Cia OmondÉ – Leonardo Bricio, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell
Iluminação: Renato Machado
Direção Musical: Marcelo Alonso Neves
Figurino: Flávio Souza
Consultoria Dramatúrgica: Pedro Kosovski
Assistentes de Direção: Carolina Pismel, Debora Lamm e Juliane Bodini
Programação Visual: Dulce Lobo
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Produção Executiva: Jéssica Santiago
Assistente de Produção: Thamires Trianon
Patrocínio: CAIXA
 
Sinopse
 
Thriller contemporâneo que conta os instantes que antecederam o golpe militar no Brasil e os primeiros momentos da repressão, enfatizando o processo de perversão espiritual do ser humano.
 
Serviço
 
Nem Mesmo Todo o Oceano
Local: Caixa Cultural, Av. Almirante Barroso, 25, Centro (tel. 21 3980-3815)
Temporada: 11 a 28 de maio, quarta a sábado, às 19h.
Ingressos: R$ 10 (inteira)
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 80 minutos
Teaser do espetáculo: http://vimeo.com/73329373

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