Nagisa Oshima

Retrospectiva do ousado e genial cineasta japonês com grandes clássicos, como O Império dos Sentidos e Furyo, em nome da honra, e filmes raros do início da sua carreira

O imperio dos sentidos - Tamasa Distribution
O imperio dos sentidos - Tamasa Distribution

Nagisa Oshima, o mais conhecido e rebelde cineasta japonês, é homenageado pelos CCBBs Rio de Janeiro e São Paulo com uma mostra que faz um panorama de sua obra. Com o apoio da Fundação Japão, serão exibidos 12 longa metragens, uma seleção que inclui seu primeiro filme, Uma cidade de amor e de esperança (1959), raramente apresentado por aqui, sua obra-prima O Império dos Sentidos (1976), que o tornou famoso mundialmente, Império da Paixão (1978), que lhe deu a Palma de Ouro de Melhor Direção no Festival de Cannes, e Furyo, em nome da honra, com os atros pops David Bowie e Ryuichi Sakamoto.

Nagisa Oshima (1932-2013) foi um dos mais firmes defensores da liberdade de expressão e um crítico do cinema comercial de Hollywood e do Japão. Sua carreira se iniciou, como a de muitos cineastas japoneses da época, no famoso estúdio Shochiku, onde trabalhou como assistente de direção. Em 1959, dirigiu seu primeiro filme, Uma cidade de amor e de esperança, que tratou da pobreza e das diferenças de classe no Japão pós-guerra, com estética do realismo social. Críticos classificaram seus filmes dos anos 60 como a “nova onda” japonesa, um cinema inspirado pela Nouvelle Vague francesa. Depois de seu terceiro longa-metragem, Oshima rompeu com a Shochiku, após o estúdio retirar Noite e névoa no Japão (1960) de circulação devido ao conteúdo político. O cineasta continuou, então, a fazer filmes com sua produtora independente.

Seus filmes dos anos 60 têm frequentemente como protagonistas personagens rebeldes ou criminosos – como em O túmulo do sol (1960) e Prazeres da carne (1965) – ou tratam de violência e sexualidade – como em Violência ao meio-dia (1966) e Duplo suicídio forçado: verão japonês (1967). Os filmes Canções lascivas do Japão (1967) e O regresso dos três bêbados (1968) experimentam com a narração e as formas cinematográficas, empregando cenas surreais e experimentais.

Baseado em uma história real famosa no Japão, sua obra-prima Império dos Sentidos explora os limites entre a arte e a pornografia e a relação entre o erotismo e o impulso de morte. Considerado o maior sucesso comercial de Oshima, marca o início do uso de imagens de sexo explícito no cinema de arte. O filme sofreu severa censura em alguns países na época de seu lançamento e sua versão integral continua proibida no Japão até hoje. Em uma audiência no tribunal, Oshima respondeu à pergunta sobre o filme ser obsceno: “Nada do que é mostrado é obsceno. O que é obsceno é o que está oculto”. Durante o festival de Berlim, a cópia do filme foi confiscada pela polícia. O juiz a liberaria mais tarde, alegando que a obra não era pornográfica mas mostrava a proximidade entre o impulso dos sentidos e o impulso da morte. Seu último filme, Tabu (1999), que participou da competição oficial do festival de Cannes, explora a homossexualidade dentro do fechado ambiente masculino dos samurais.

“Nagisa Oshima sempre foi um rebelde contra convenções impostas, seja no mundo real – onde ele protestou contra o racismo, o militarismo no Japão pós-guerra e contra a guerra no Vietnã; seja no mundo do cinema – onde tratou de violência e sexualidade de forma radicalmente direta, renovando nosso olhar sobre essas temáticas. Seus filmes revelaram a ligação entre o político e o erótico, entre a sexualidade e a morte, e seu radicalismo sempre implicou a luta pela liberdade do indivíduo e do corpo. Esse radicalismo com que enfrentou as convenções morais e cinematográficas – o que podia ser mostrado e o que o público aguentava assistir na tela – atribuiu-lhe a fama de rebelde político e anarquista no cinema”, comenta o curador da mostra Arndt Röskens.

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Programação Rio de Janeiro –  15 a 27 de julho

Dia 15/07 –  quarta-feira:

16h30 – Violência ao meio-dia (Hakuchu no torima), de Nagisa Oshima. Japão, 1966. 99 min. P&B. 18 anos.

Duas mulheres que possuem diferentes vínculos com um violento criminoso – uma é sua esposa e a outra uma sobrevivente de um de seus ataques sexuais. Através de flashbacks, entendemos melhor as relações entre eles e as circunstâncias que as levam a protegê- lo.

19h – Furyo, em nome da honra (Merry Christmas, Mr. Lawrence), de Nagisa Oshima. Japão/Reino Unido, 1983. 123 min. Cor. 18 anos. Com David Bowie e Ryuichi Sakamoto. Competição oficial do Festival de Cannes em 1983.

Em 1942, o oficial britânico Jack Celliers, prisioneiro dos japoneses em um campo de concentração na ilha de Java, inicia um conflito quando resolve não acatar as regras ditadas pelo Capitão Yonoi, um cruel comandante. Entre os prisioneiros, está o Coronel John Lawrence, um intérprete e apreciador da cultura japonesa que tenta acalmar os ânimos e parece entender ambos os lados. Quando o capitão se apaixona por Jack, as tensões no campo aumentam.


Dia 16/07 – quinta-feira:

16h30 – Duplo suicídio forçado: verão japonesa (Muri shinju Nihon no natsu), de Nagisa Oshima. Japão, 1967. 98 min. P&B. 18 anos.

Uma jovem ninfomaníaca conhece na rua um rapaz que pretende suicidar-se. Os dois, então, se juntam, por acaso, a uma gangue de delinqüentes que os leva a seu esconderijo subterrâneo. Os personagens lembram caricaturas e cada um personifica o que o próprio diretor descreve como a pulsão de morte na cultura japonesa, a obsessão com o erotismo, com a autodestruição e com a violência.

 

19h – Juventude Desenfreada (Seshun zankoku monogatari), de Nagisa Oshima. Japão, 1960.  96 min. Cor. 18 anos.

O jovem universitário Kiyoshi começa uma relação com Makoto, uma adolescente que logo é convencida a participar de um esquema obscuro. Os dois passam, então, a chantagear homens de meia-idade que sucumbiram às investidas da charmosa Makoto.

 

Dia 17/07 – sexta-feira:

16h30 – Uma cidade de amor e de esperança (Ai to kibo no machi), de Nagisa Oshima. Japão, 1959. 63 min. P&B.18 anos.

Após a morte de seu pai, o jovem Masao decide largar a escola para sustentar sua família vendendo pombos. Mas, as aves são treinadas para sempre retornarem à sua casa. Um dia, Masao conhece Kyoko uma rica jovem que também cai em sua armadilha. Primeiro longa- metragem dirigido por Nagisa Oshima, o estilo do neorrealismo revela as diferenças entre as classes na sociedade japonesa.

19h – O regresso dos três bêbados (Kaette kita yopparai), de Nagisa Oshima. Japão, 1968. 80 min. Cor. 18 anos.

Após terem suas roupas roubadas enquanto passavam uma tarde na praia, três jovens amigos japoneses são confundidos com imigrantes coreanos ilegais e precisam fugir das autoridades locais. No decorrer da história, o filme, de repente, volta para a cena inicial mas a história se desenrola de uma maneira diferente denunciando desta forma o racismo e o militarismo na sociedade japonesa pós-guerra.

 

Dia 18/07 – sábado:

16h30 – O túmulo do sol (Taiyo no hakaba), de Nagisa Oshima. Japão, 1960. 87 min. Cor. 18 anos.

O filme retrata as diferenças sociais em um Japão em plena ascensão econômica depois da II Guerra Mundial. Nas favelas de Osaka, a prostituta Hanako mantém um negócio lucrativo vendendo sangue de marinheiros para empresas de cosmética no mercado negro. Gangues rivais logo começam a disputar o negócio, obrigando Hanako a jogar em um ambiente de poderes alternados e alianças que mudam a todo instante.

 

19h – O império dos sentidos (Ai no corrida), de Nagisa Oshima. Japão, 1976. 104 min. Cor.18 anos.

Baseado em uma história real famosa no Japão. Sada Abe é uma ex-prostituta que acaba se envolvendo em um obsessivo caso com seu novo patrão. A relação dos dois se intensifica e seus jogos eróticos os levam a níveis perigosos. Considerado o maior sucesso comercial de Oshima, marca o início do uso de imagens de sexo explícito no cinema de arte

 

Dia 19/07 – domingo:

16h30 – O império da paixão (Ai no borei), de Nagisa Oshima. Japão, 1978. 108 min. 35mm. Cor. 18 anos. Melhor Direção no Festival de Cannes de 1978.

Em uma aldeia japonesa no final do século XIX, Seki, junto com seu jovem amante, decide matar seu marido e jogá-lo dentro de um poço. Após alguns anos vivendo com esse segredo, o fantasma do marido ressurge e acompanhamos a decadência física e emocional do casal.

 

19h – Duplo suicídio forçado: verão japonesa, de Nagisa Oshima. Japão, 1967. 98 min. P&B. 18 anos.

 

Dia 20/07 – segunda-feira:

16h30 – Prazeres da carne (Etsuraku), de Nagisa Oshima. Japão, 1965. 90 min. Cor. 18 anos.

O jovem Atsushi, alvo de uma chantagem, e é obrigado a cuidar de uma mala cheia de dinheiro roubado até que seu dono saia da prisão. Tentado pelo dinheiro, Atsushi resolve gastar tudo em uma corrida libidinosa mesmo sabendo que poderá ser descoberto e morto.

 

19h – Tabu (Gohatto), de Nagisa Oshima. Japão, 1999. 100 min. Cor. 18 anos. Competição oficial do festival de Cannes de 2000.

Durante a era dos Shoguns no Japão, os Shinsengumi eram uma tropa de samurais especialmente selecionados e treinados para matar quem se opusesse ao regime. Sozaburo Kano, um jovem membro dessa tropa, se envolve com alguns dos guerreiros do grupo gerando uma série de conflitos emocionais.

 

Dia 22/07 – quarta-feira:

16h30 – O império dos sentidos (Ai no corrida), de Nagisa Oshima. Japão, 1976. 104 min. Cor.18 anos.

19h – O império da paixão (Ai no borei), de Nagisa Oshima. Japão, 1978. 108 min. 35mm. Cor. 18 anos. Melhor Direção no Festival de Cannes de 1978.

 

Dia 23/07 – quinta-feira:

17h – Canções lascivas do Japão (Nihon shunkako),  de Nagisa Oshima. Japão, 1967. 103 min. Cor. 18 anos.

Um grupo de estudantes chega em Tóquio para fazer os exames finais da universidade. Politicamente desinteressados, eles andam por uma cidade cheia de protestos contra a guerra do Vietnã, manifestações sindicalistas e discursos sobre a xenofobia contra os coreanos. Com gestos de niilismo, os jovens ignoram os movimentos políticos ao redor deles e se concentram em beber e desenvolver fantasias eróticas de estupro e violência.

 

19h – Violência ao meio-dia (Hakuchu no torima), de Nagisa Oshima. Japão, 1966. 99 min. P&B. 18 anos.

 

Dia 24/07 – sexta-feira:

17h – Prazeres da carne (Etsuraku), de Nagisa Oshima. Japão, 1965. 90 min. Cor. 18 anos.

19h – O túmulo do sol (Taiyo no hakaba), de Nagisa Oshima. Japão, 1960. 87 min. Cor. 18 anos.

 

Dia 25/07 – sábado:

17h – O regresso dos três bêbados (Kaette kita yopparai), de Nagisa Oshima. Japão, 1968. 80 min. Cor. 18 anos.

19h – Furyo, em nome da honra (Merry Christmas, Mr. Lawrence), de Nagisa Oshima. Japão/Reino Unido, 1983. 123 min. Cor. 18 anos.

Dia 26/07 – domingo:

17h  – Tabu (Gohatto), de Nagisa Oshima. Japão, 1999. 100 min. Cor. 18 anos.

19h – Uma cidade de amor e de esperança (Ai to kibo no machi), de Nagisa Oshima. Japão, 1959. 63 min. P&B.18 anos.

 

Dia 27/07/05 (Segunda-feira)

16h30  – Juventude Desenfreada (Seshun zankoku monogatari), de Nagisa Oshima. Japão, 1960.  96 min. Cor. 18 anos.

19h – Canções lascivas do Japão (Nihon shunkako), de Nagisa Oshima. Japão, 1967. 103 min. Cor. 18 anos.

NAGISA OSHIMA
Patrocínio: Banco do Brasil
Apoio: Fundação Japão
Curadoria: Arndt Röskens
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
www.bb.com.br/cultura
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
15 a 27 de julho de 2015 (quarta a segunda-feira)
Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020
Salas de Cinema 1 (98 lugares) – Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia).
www.twitter.com/ccbb_rjwww.facebook.com.br/ccbb.rj

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