Mostra na Caixa Cultural exibe filmes que propõem imersão ao som do cinema

De 3 a 15 de novembro, Mostra Sonoridade Cinema apresentará 17  filmes, além de debates, sessões comentadas e performance do grupo O Grivo (BH)

Leviathan
Leviathan

De 3 a 15 de novembro, a Mostra Sonoridade Cinema apresentará na Caixa Cultural Rio 17 filmes que apresentam um trabalho expressivo na construção de sonoridades, dando a dimensão de como o som no cinema se tornou um elemento cada vez mais importante para pensar a linguagem cinematográfica. A mostra tentará responder como o som, aberto a múltiplas possibilidades, se tornou um campo de investigação e criação instigante para cineastas contemporâneos. Para abrir esta discussão  tão relevante para cineastas, músicos, artistas sonoros e curiosos, a mostra terá dois debates e duas sessões comentadas. A abertura da mostra ficará com a apresentação especial do premiado grupo O Grivo (de Belo Horizonte), produzindo sons em cima de imagens de filmes. Será o primeiro encontro para debater o som no cinema contemporâneo, com direito a um catálogo com textos inéditos de pessoas que trabalham o som no Brasil e no mundo.

A Mostra Sonoridade Cinema reúne filmes em que o som é pensado como parte integrante e influente da linguagem cinematográfica. Não trata-se de reivindicar para o som um espaço para além do filme, mas justamente de pensar de que forma ele se relaciona, influência e colabora para a construção cinematográfica. Segundo a curadoria, composta pelos realizadores Guilherme Farkas e Jô Serfaty, a mostra vem amplificar o tema, tão importante para o cinema. “A Mostra  Sonoridade Cinema não tem a intenção de investigar onde o som no cinema tem enfrentado barreiras, mas abrir espaço para a escuta, e nesse gesto inclui-se também a reflexão dos filmes. De assistir com o ouvido atento como a voz, o silêncio, o ruído e a música se deslocam de suas funções e lugares previstos, e criam outras composições e arranjos sonoros que tensionam e modificam a percepção de um filme”, enfatiza Jô Serfaty.

Durante a mostra serão exibidos curtas e longas, em HD, DVD e 35mm, com um recorte de obras produzidas entre 2002, ano de lançamento do longa-metragem americano “Gerry”, e 2014, ano do curta-metragem brasileiro “Nada É”, ambos dentro da programação. Nomes como o da realizadora argentina Lucrecia Martel (“A Mulher sem Cabeça”, presente na mostra), que pensa o som plano a plano – em processo colaborativo com o diretor de som de seus longas, Guido Berenblum –  é um exemplo de como atingir uma sonoridade específica para cada trabalho.

Inéditos no Rio de Janeiro, os filmes americanos “Leviathan” e “Sweetgrass” vieram do Sensory Ethnography Lab, um espaço de experimentação da Universidade de Harvard que integra professores e estudantes de pós-gradução das faculdades de Antropologia, Cinema e Artes. Ambos tiveram o som produzido pelo compositor, artista sonoro e sound desinger Ernst Karel (http://ek.klingt.org/). A eles se juntam “La Casa” e “A Spell to Ward Off The Darkness”, que também pela primeira vez serão exibidos na cidade. A programação segue com os filmes “Gatinha inquieta”, “Mal dos trópicos”, “Aboio”, “Transeunte”, “A cidade é uma só”, “Avanti Popolo”, “Doce amianto”, “O Rio nos pertence”, “Noite” e “Costa da Morte”.

Um importante legado da mostra será o catálogo, especialmente elaborado para ser uma fonte de pesquisa, rico em informações sobre o som no cinema contemporâneo. Entre artigos e ensaios, há entrevistas inéditas (realizadas na sua maioria por jovens pesquisadores e realizadores), com destaque para duas: uma com Akaritchalerm Kalayanamitr, responsável pelo som de “Mal dos Trópicos”, e Ernst Karel, pelo som de “Leviathan” e “Sweetgrass’.

Som ao vivo
Para amplificar esta ideia para o público, a dupla de artistas sonoros O Grivo (formado por Nelson Soares e Marcos Moreira), de Belo Horizonte, abrirá a mostra (dia 3) com uma apresentação especial utilizando caixa de fósforos, latas e gambiarras, entre outros artefatos, para produzir uma trilha sonora ao vivo, conectando o som à imagem do telão. (veja mais aqui  http://ogrivo.com/?page_id=76). Formada em 1990, a dupla vem desenvolvendo sua linguagem musical. Em função da busca por “novos” sons e por possibilidades diferentes de orquestração e montagem, O Grivo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de “máquinas e mecanismos sonoros”, e com a utilização, não convencional, de instrumentos musicais tradicionais.

Debates e sessões comentadas
Nos dias 5 e 12  serão acontecerão  debates logo após as sessões, com entrada gratuita. O primeiro será sobre “Práticas de realização da banda sonora dos filmes”, e contará com o realializador Fred Benevides, o pesquisador de som Giuliano Obici e os integrantes do grupo O Grivo, que lidam com a materialidade e pesquisa do som no dia a dia em diversas funções – seja com captação de som, edição de som e imagem.  O segundo debate terá à mesa o filósofo, produtor e crítico musical Bernardo Oliveira, o especialista em som Guile Martins e sound designer Edson Secco, e abordará “O cinema enquanto campo de representação de sonoridades”. Na pauta: como os filmes soam, como se dá a relação entre o real e o reproduzido, quais as relações do som com a música e como pensar a materialidade do som nos filmes.

Uma outra chance de ficar por dentro do tema da mostra é assistir às sessões comentadas. A primeira será no dia 11 com Guile Martins sobre o som do filme “A cidade é uma só”. Ele explicará como foi o processo de criação do som do filme. Guile Martins é formado em Audiovisual pela ECA/USP. Pratica sound design em filmes e instalações sonoras, além de produzir barulhos, silêncios e rumores. Atualmente é professor no curso de bacharelado em Cinema e Vídeo no Instituto Federal de Goiás. A segunda, no dia 14, falará sobre o som no filme “Transeunte”. Edson Secco (http://www.edsonsecco.com.br/) falará como foi o processo de construção da banda sonora do filme. Edson Secco é artista sonoro com formação em Música, Tecnologia e Cinema, Produtor, Compositor e Sound Designer. Ganhador de 3 prêmios de Melhor Desenho de Som, compôs a sonoridade de diversos longas no Brasil e no exterior. A segunda sessão comentada,  Entrada a  R$4 (inteira) e R$2 (meia).

Como bem define o texto dos curadores para o catálogo, “A mostra Sonoridade Cinema é um convite a uma imersão em filmes e pesquisas que abordam e ampliam o campo de atuação do som no cinema. Um desvio para um mundo propositivo e de encontro com diversas abordagens. Uma pausa para contemplação. Como diz Michel Chion: sem o som não veríamos ou veríamos de maneira diferente”, diz Guilherme Farkas.

Programação

3 de novembro (Terça-feira)
Sala 1 |

19h – Abertura grupo O GRIVO (90min)

O Grivo é uma dupla de artistas sonoros de Belo Horizonte, conhecidos pela realização do som de filmes de Cão Guimarães como Andarilho, Alma do Osso, entre outros. Fez também o som do filme Aboio, de Marília Rocha, exibido na mostra. A apresentação de abertura será um híbrido de show e performance sonora. Com imagens de alguns filmes que eles fizeram o som, haverá uma improvisação ao vivo com engenhocas e gambiarras sonoras acompanhando a projeção das Imagens.

4 de novembro (Quarta-feira)
Sala 2  

15h –  Avanti Popolo (2012),  Michael Wahrmann, 72 min, Brasil, Livre, HD

17h – A Mulher Sem Cabeça (2008), Lucrécia Martel, 87 min, Argentina/ França/ Italia/ Espanha, 14 anos, HD

19h – Gatinha Inquieta  (2013), Ramon Zurcher, 72 min, Alemanha, Livre, HD

5 de novembro (Quinta-feira)  
Sala 2

14h15 – Gerry (2002), Gus Van Sant, 103 min, EUA, 14 anos, DVD

Sala 1

16h15 – Nada É (2014), Yuri Firmeza, 32 min, Brasil, Livre,  HD + Aboio (2007), 73 min, Brasil, Livre, 35mm)

18h30 – DEBATE 1: O Grivo, Giuliano Obici e Fred Benevides

6 de novembro (Sexta-feira)

Sala 2

15h – Doce Amianto (2013), Guto Parente e Uirá dos Reis, 70 min, Brasil, 16 anos, HD

Sala 1

16h45  – O Rio Nos Pertence (2013), Ricardo Pretti, 75 min, Brasil, 14 anos, HD

18h30 – Mal dos Trópicos (2004), Apichatpong Weerasethakul, 118 min,Tailândia, 14 anos, 35mm)

7 de novembro – Sábado

Sala 2

15h – La Casa (2012), Gustavo Fontán, 61 min, Argentina,  16 anos, HD

16h20 – Sweetgrass (2009),  Lucien Castaing-Taylor, 101 min,  EUA, 14 anos, 35mm

Sala 1

18h30 – Leviathan (2012),Véréna Paravel e Lucien Castainga-Taylor,  87 min, França , EUA , Reino Unido, Livre, HD

8 de novembro (Domingo)

Sala 2

14h– A Costa da Morte (2013),  Lois Patiño, 84 min, Espanha, 16 anos, HD

16h – A Spell To Ward Off The Darkness (2013), Ben Rivers e Ben Russel, 98 min, ESTONIA / FINLANDIA / NORUEGA, , Livre,   HD

Sala 1

18h –  Nada É (2014), Yuri Firmeza, 32 min, Brasil, Livre,  HD + Aboio (2007), 73 min, Brasil, Livre, 35mm)

10 de novembro (Terça-feira)

Sala 2

16h –  Avanti Popolo (2012),  Michael Wahrmann, 72 min, Brasil, Livre, HD

17h40 – A Mulher Sem Cabeça (2008), Lucrécia Martel, 87 min,  Argentina/ França/ Italia/ Espanha, 14 anos, HD

19h30 – Gatinha Inquieta  (2013), Ramon Zurcher, 72 min, Alemanha, Livre, HD

11 de novembro (Quarta-feira)

Sala 1

16h – Transeunte (2010), Eryk Rocha, 100 min,  Brasil, 14 anos, 35mm

Sala 1

18h – A Cidade É Uma Só? (2011), Adirley Queirós, 79 min, Brasil, 12 anos, HD e 35mm +

sessão comentada sobre a produção de som do filme A Cidade É Uma Só – com Guile Martins (editor de som do filme)

12 de novembro (Quinta-feira)

Sala 2

14h30 –  Sweetgrass (2009),  Lucien Castaing-Taylor, 101 min, EUA, 14 anos, 35mm

16h30 – Leviathan (2012),Véréna Paravel e Lucien Castainga-Taylor,  87 min, França , EUA , Reino Unido, Livre, HD

Sala 1

18h – DEBATE 2: Guile Martins, Bernardo Oliveira e Edson Secco

13 de novembro (Sexta-feira)

Sala 2

14h30 – Gerry (2002), Gus Van Sant, 103 min, EUA, 14 anos, DVD

16h30 – A Costa da Morte (2013),  Lois Patiño, 84 min, Espanha, 16 anos, HD

Sala 1

18h15 –  Mal dos Trópicos (2004), Apichatpong Weerasethakul, 118 min,Tailândia, 14 anos, 35mm)

14 de novembro (Sábado)

Sala 2

14h40 – A Spell To Ward Off The Darkness (2013), Ben Rivers e Ben Russel, 98 min, Estônia / Finlândia /Noruega , Livre,   HD

Sala 1

16h40 – Transeunte (2010), Eryk Rocha, 100 min,  Brasil, 14 anos, 35mm  +  sessão comentada sobre a produção do som no filme Transeunte – com Edson Secco (sound designer do filme)

15 de novembro (Domingo)

Sala 2

14h50 – Noite (2015), Paula Gaitan, 80min, Brasil, 14 anos, HD

16h30 – Doce Amianto (2013), Guto Parente e Uirá dos Reis, 70 min, Brasil, 16 anos, HD

Sala 1

18h30 –La Casa (2012), Gustavo Fontán, 61 min, Argentina,  16 anos, HD

Serviço

Mostra SONORIDADE CINEMA
Data: 3 a 15 de NOVEMBRO de 2015 (terça-feira a domingo)
Horário: Consultar Programação
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 E 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815

Ingressos: R$4 (inteira) e R$2 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia-entrada.

Debates (Gratuitos): 5 de novembro (quinta-feira), às 18h30 e 12 de novembro as 18h45 (quinta feira) – as senhas serão distribuídas gratuitamente no dia do debate

Sessões comentadas: R$4 (inteira) e R$2 (meia).

  • 11 de novembro (quinta feira) as 18h30 com Guile Martins logo depois do filme “A cidade é uma só”

  • 14 de novembro (quinta feira) com Edson Secco logo depois do filme “Transeunte”

Classificação Indicativa: Consultar Programação

Bilheteria: terça-feira a domingo, das 10h às 20h

Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

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