Mostra destaca o papel da arte contemporânea para a cultura nacional

Obras dos artistas premiados na 5º edição do Prêmio Marcantonio Vilaça estão expostas até o dia 12 de junho no Museu Histórico Nacional

Obra de André Komatsu e Marcelo Cidade: O peso do regime (2013) - na exposição “Quando o Tempo Aperta”
Obra de André Komatsu e Marcelo Cidade: O peso do regime (2013) - na exposição “Quando o Tempo Aperta”

Está aberta ao público a partir da última quarta-feira, 20 de abril, a mostra da 5º edição do Prêmio Marcantonio Vilaça, que ficará exposta no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro até 12 de junho. Além de obras dos cinco artistas premiados, este ano a exposição também conta com obras de Amelia Toledo, artista homenageada nesta edição. O público poderá conferir também com a exposição “Quando o tempo aperta”, do curador carioca Raphael Fonseca, que junto com o goiano Divino Sobral, foi vencedor na categoria “curadoria”. Essa foi a primeira edição em que curadores também foram contemplados.

Iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizado pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o Prêmio Marcantonio Vilaça já se consolidou como uma das mais importantes premiações do país, e busca refletir a diversidade estética característica da arte contemporânea. Além disso, ao estar exposta em um museu, a mostra propõe uma importante reflexão sobre o diálogo dos tempos. “O antigo fala sobre o novo, tanto quanto o atual fala sobre o passado. Essa perspectiva sublinha a parceria do Museu Histórico Nacional com o Prêmio Marcantonio Vilaça. Para pensar a história do Brasil, nada melhor do que reunir obras contemporâneas nessas galerias antigas”, destaca Paulo Knauss, diretor do museu.

Para Sergio Jamal Gotti, gerente executivo de educação do SESI, que representou a direção nacional da entidade na abertura oficial da mostra, ocorrida nesta terça-feira, 19 de abril, a diversidade das abordagens das diversas obras expostas comprova a relevância do prêmio no contexto nacional. “Nessa edição do prêmio foi estruturada a intenção de intensificar as relações entre os processos de criação artística e o de produção industrial, reafirmando o papel da pesquisa artística como ação fundamental para o desenvolvimento do conhecimento humano e da pesquisa tecnológica”, destacou.

O curador da exposição “Quando o tempo aperta”, Raphel Fonseca, ressaltou a importância do prêmio ao investir também na área de curadoria, fato que, segundo ele, se reflete no equilíbrio de representatividade de artistas. “É um prêmio muito importante que contribui para institucionalização da carreira de curador, e que investe numa estrutura adequada e itinerante, sendo vista em várias cidades do Brasil. Além disso, o prêmio também tem a potência de não ser restrito apenas a artistas consagrados, e nem somente a jovens. Isso é ótimo”, comemorou.

Essa diversidade de artistas também amplia a experiência dos visitantes, de acordo com o curador da mostra, Marcus Lontra. Ele explica que os cinco artistas premiados têm, por exemplo, diferentes abordagens sobre o corpo. Assim, ao longo da mostra o corpo pode ser interpretado como um agente definidor do espaço e dos limites, como referência da memória, como instrumento do poder, como sujeito da sexualidade, ou ainda como arena da violência da paixão.

Segundo Lontra, essa pluralidade contribui com a experiência individual de cada um que visitar a mostra, mas também dialoga com o contexto cultural mais amplo. “A arte contemporânea não está apenas à espera de uma contemplação, ela está propondo um diálogo, um intercâmbio. A arte é fundamental para o destino do nosso país, que passa por um momento tão difícil. É fundamental restaurar a coragem, a vontade e a crença que só a arte pode transmitir. Somente o conhecimento permite ao ser humano superar a prisão e a miséria da sua própria ignorância”, conclui o curador.

Após o Rio de Janeiro, a mostra, que já esteve exposta em Brasília e Belo Horizonte, seguirá para as cidades de Curitiba e Recife. Na oportunidade, contará com a exposição do outro curador premiado, Divino Sobral.

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