Mostra 3M de Arte Digital ganha edição carioca na Fundição Progresso

Sexta edição da mostra acontece a partir de 8 de outubro. O tema escolhido pela curadora Claudia Gianetti é 'Whatsappropriation - A arte de revistar a arte'

Asado - foto: Marcos Lopez
Asado - foto: Marcos Lopez

Depois de cinco edições de sucesso em São Paulo, a Mostra 3M de Arte Digital chega ao Rio de Janeiro pela primeira vez no dia 8 de outubro, ocupando o primeiro andar da Fundição Progresso. A Elo3, produtora do evento, convidou a teórica e pesquisadora Claudia Giannetti para ser a curadora deste ano e esta foi  buscar artistas de vanguarda num segmento artístico em constante mudança: cinema, fotografia, videoarte, instalação audiovisual  e internet. Claudia elegeu como tema desta sexta edição “WhatsAppropriation — A arte de revisitar a arte”, para investigar o diálogo criado por 22 artistas nacionais e internacionais com obras de pintores dos últimos cinco séculos, entre elas, telas famosas como “A liberdade guiando o povo”, de Delacroix; “O Nascimento de Venus”, de Botticelli; ou pinturas de Edward Hopper, Frans Post, Guignard, entre outros.

A exposição estará dividida em sete salas temáticas. Os temas são: Imaginário brasileiro, Imaginário feminino, Grandes microrrelatos, Iconografias, Naturezas-mortas, Relatos privados e Performáticos. Entre os artistas convidados estão os brasileiros Vik Muniz, Nelson Leirner, Cao Guimarães, Felipe Cama, Carlos Fadon e Marcelo Coelho. E o time de estrangeiros conta com o desbravador Bill Viola, a videoartista americana Martha Rosler, a portuguesa Patricia Reis, a turca Sükran Moral, a alemã Ulrike Rosenbach, a espanhola Cristina Lucas, o israeli Ori Gersht, a dupla italiana Eva e Franco Mattes, os argentinos Nicola Costantino e Marcos Lopez, o performático holandês Max Zorn e o mexicano Guillermo Gómez-Peña. Destacam, ademais, cineastas tão famosos como o austríaco Gustav Deutsch, o polonês Lech Majewski e Humberto Mauro, presente na exibição com fragmentos do famoso filme “O descobrimento do Brasil”, de 1936, longa inspirado no quadro “A primeira missa no Brasil”, de Victor Meirelles, de 1861.

– Elegemos dois eixos para a curadoria das obras: a migração das imagens, que saltam das telas para o suporte digital e audiovisual, estabelecendo pontes temporais entre a representação estática de pinturas dos séculos XV até XX e as atuais imagens técnicas, e a articulação performática – explica Claudia –, com cenas pictóricas que servem de inspiração para narrativas audiovisuais, dando vida às imagens num processo de revisitação das temáticas; e, por outro, plataformas sociais online, que levam ações reais ao universo do simulacro virtual.

O título da mostra é uma pergunta (o que é a apropriação?), e a exposição sugere respostas, com a intenção de ampliar o debate e trazer artistas e propostas que ofereçam ao público a oportunidade de pensar sobre a arte de revisitar a arte.

A 3M do Brasil segue como parceira e patrocinadora da Mostra desde sua gênese. Para Luiz Eduardo Serafim, head de marketing da 3M, “a Mostra traduz perfeitamente o espírito da empresa que aplica ciência para melhorar a vida, pois tanto o projeto cultural como a Inovação da 3M vivem da valorização extrema da criatividade, tecnologia, colaboração e da combinação positiva entre o legado de gerações passadas e investigações entusiasmadas sobre o futuro”.

O artista holandês Max Zorn, conhecido por seu trabalho com fitas adesivas sobre backdrop, está produzindo obras inspiradas na arte brasileira e virá ao Brasil realizar uma performance dentro da programação da Mostra. E o Parque Lage, na zona sul do Rio, sediará um workshop com Patrícia Reis, no dia 10 de outubro. Às sextas-feiras, enquanto acontece a Mostra, serão exibidos filmes relacionados com o tema no cinema da Fundição Progresso.

Núcleos temáticos

Imaginários brasileiros – A história imagética brasileira foi construída a partir do olhar estrangeiro. Como salienta a curadora Claudia Giannetti. O Brasil pré-colonial não tinha – como nossos vizinhos andinos ou o México, por exemplo – um conjunto de imagens que nos representasse. Foi a partir da chegada de artistas estrangeiros ao país que começamos a ser representados: uma identidade construída de fora para dentro. Claudia faz uma ponte dessa construção através de Frans Post, Victor Meirelles até Guignard. E vai buscar nos artistas do século XXI uma nova leitura sobre essas obras fundadoras da nossa identidade brasileira: Felipe Cama e Cao Guimarães.

Imaginário feminino – Cinco artistas formam um conjunto de olhares sobre a representação do feminino na arte. “Enquanto Martha Rosler ocupa-se do rol da mulher no entorno doméstico e privado, Nicola Constantino, Sükran Moral, Patricia Reis e Ulrike Rosenbach abordam, em contraste, a representação feminina como Vênus ou Diana mitificadas, ou como musas ou femme fatale secularizadas”, explica Claudia. Neste núcleo/sala, encontramos apropriações de obras emblemáticas e de artistas facilmente reconhecíveis como Botticelli e Velásquez.

Grandes microrrelatos – “Os trabalhos expostos no núcleo dedicado aos Grandes microrrelatos parecem, à primeira vista, díspares. Uma observação mais sensível permite reconhecer diálogos profundos entre as obras de Cristina Lucas, Lech Majewski, Vik Muniz e Bill Viola”, diz a curadora sobre a sala cujo foco é a fragmentação que coloca em debate a narrativa linear, assim como a construção da história do povo e da condição humana, analisada em microcosmos espaço temporais. Os artistas selecionados por Claudia já buscam, na origem, obras fragmentadas para construir suas próprias narrativas, como Bosch e Pieter Bruegel.

Naturezas mortas – O auge desse estilo de pintura realista foram os séculos XVII e XVIII. Claudia chama a atenção para o fato de que talvez, “a maioria das pessoas não seja consciente da forma como este modelo de representação perdura até nossos dias e como está profundamente presente na vida cotidiana do consumo. Fotografias publicitárias de alimentos ou objetos se apropriam das composições pictóricas dos quadros de natureza-morta. (…)  Agora, como na época, o objetivo destas representações é captar a atenção do cliente potencial: os então compradores de arte e os atuais consumidores”. Os artistas selecionados para esse núcleo são Ori Gersht e Carlos Fadon Vicente.

Iconografias – Num mundo essencialmente iconográfico, Claudia elege duas imagens religiosas profundamente disseminadas no imaginário popular para tratar do assunto: a Pietà e a Última Ceia. “Gómez-Peña, López, Majewski e Leirner entenderam o paradoxo intrínseco à imagem clichê: seu uso alastrado a tornam uma imagem vulgar” e de domínio público.  As experiências iconoclastas, como a do artista performático Gómez-Peña, a fotografia burlesca de Marcos López ou as obras sempre irônicas de Leirner, contrastam com a reencenação de Majewski da crucificação de Jesus.

Performáticas –  Uma das questão mais debatidas hoje em dia em relação à performance é seu modelo de “conservação”. Como uma obra efêmera poder sobreviver? Eva e Franco Mattes lançaram mão dos recursos da realidade virtual da Internet para oferecer uma resposta a essa questão: através da simulação em Second Life.  Apresentam três obras da série Reenactments (2007-2010), que se desenvolvem no espaço virtual aberto à participação do usuário:Imponderabilia, de Marina Abramovic; Shoot, de Chris Burden; e Tapp und Tastkino, de Peter Weibel e Valie Export.

Relatos Privados – Olhares sobre a vida das pessoas comuns, lançados pelo famoso pintor norte americano Edward Hopper, são fonte de inspiração para os trabalhos do cineasta Gustav Deutsch e o fotógrafo mineiro Marcelo Coelho neste núcleo, que busca desvendar ambientes e histórias privadas. Assim, Deutsch e Coelho trazem uma representação do indivíduo do século XXI, que dialoga com o sujeito das primeiras décadas do século XX.

 

Artistas participantes
Bill Viola, Cao Guimarães, Carlos Fadon Vicente, Cristina Lucas, Eva & Franco Mattes, Felipe Cama, Guillermo Gómez-Peña, Gustav Deutsch, Humberto Mauro, Lech Majewski, Marcelo Coelho, Marcos López, Martha Rosler, Max Zorn, Nelson Leirner, Nicola Costantino, Ori Gersht, Patrícia Reis, Sükran Moral, Ulrike Rosenbach e Vik Muniz.

SERVIÇO:

VI Mostra 3M de Arte Digital
Abertura: 8 de outubro, às 20h
Visitação: de 9 de outubro a 25 de outubro
Funcionamento (data e horário): de segunda a domingo, das 10h às 18h
Local: Fundição Progresso, Rio de Janeiro
Endereço: Rua dos Arcos 24, Lapa, Centro
Telefone: 3212-0800
Entrada Franca
Classificação indicativa: livre
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