O espetáculo teatral Morango & Chocolate – Querido Diego, uma adaptação inédita para os palcos brasileiros do premiado filme escrito por Senel Paz e levado às telas em 1993, numa produção cubana dirigida por Tomás Gutiérrez Alea, com roteiro do próprio autor, chega a sua última semana de apresentação no Teatro Dulcina (RJ). Foi o primeiro filme de temática gay e da liberdade de direitos realizado em Cuba. Ganhou oito prêmios no Festival de Cinema de Havana, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Foi premiado ainda com o Urso de Prata no Festival de Berlim e teve repercussão internacional. No Brasil, a obra chega aos palcos pelas mãos do autor e diretor teatral Antonio Carlos Bernardes, que viveu seis meses Cuba, em 1987, e tornou-se amigo de Senel Paz.

Morango & Chocolate – Querido Diego tem tradução, direção e produção de Antonio Carlos Bernardes, cenografia e figurinos de Carlos Alberto Nunes, trilha sonora de Marcelo Alonso Neves e Iluminação de Djalma Amaral. No elenco estão Marcio Nascimento (Diego), Vitor Peres (David) e André Brilhante (Miguel). O espetáculo cumprirá curta temporada – de 10 a 26 de junho, período em que a ACB Teatral será responsável pela ocupação “Outono da Amizade” do Teatro Dulcina e levará à casa atrações como o infantil Perez e Gil – Piratas, oficina de manipulação de bonecos e uma exibição da película cubana Morango e Chocolate.

Bernardes conta como surgiu o desejo de montar o espetáculo: “Histórias de amizade sempre me fascinaram. Principalmente, quando o tema extrapola para outras ações dramáticas. O texto de Senel Paz tem uma dramaturgia muito bem construída, abordando questões universais como política, liberdade (em todos os sentidos), preconceito e principalmente amizade. São temas universais tão discutidos na atualidade. É um texto emocionante. Conheci Senel Paz, em Cuba, quando fui participar da inauguração da Escuela Internacional de Cine y TV de San Antonio de Los Baños. Embora soubesse que aquele companheiro de quarto escrevesse (eu dividia as instalações com mais um cubano), era difícil de acreditar que Senel Paz , poucos anos depois seria um autor conhecido internacionalmente.”

Sinopse
A história se passa em Havana, na Cuba de Fidel Castro. David, um interiorano que acredita no comunismo e na Revolução Cubana, veio estudar na Capital, graças ao governo. Na mais conhecida sorveteria de Havana, Copélia, ele é abordado por Diego, artista homossexual e dissidente que luta contra a discriminação e pelos direitos sociais. Diego pede sorvete de morango e David, um sorvete de chocolate… Aparecem os conflitos de personalidade e de direitos, mas eles acabam descobrindo a verdadeira amizade, livre de interesses e preconceitos. É um espetáculo que aborda questões universalmente conhecidas e que estão sempre em discussão. Embora a ação se passe na Cuba dos anos 70, a história abordada é atual e universal. Os direitos individuais, o direito da diversidade sexual e a questão política, continuam sendo temas de grande importância. Mas a principal razão deste espetáculo é que o texto fala da amizade sincera e incondicional entre duas pessoas.

O diretor
Antonio Carlos Bernardes – como formação acadêmica tem pós-graduação em Teatro, UFRJ, 1990/91, cursou a Escuela Internacionalde Cine y TV, Cuba, 1987 (direção de atores e análise de dramaturgia), se formou em cinema (montagem cine tv e especialização em direção e produção) pela INSAS – Institut Superieur des Arts du Spetacle e Techniques de Difusión, em Bruxelas, 1978/81. Faz parte do Conselho de Administração do CBTIJ – Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude, onde foi presidente por duas gestões (1998/2000 e 2000/2002). Produziu a onze Mostras SESC CBTIJ de Teatro para Crianças, e dirigiu e produziu todas comemorações do Dia Mundial e Nacional do Teatro para a Infância e Juventude. Diretor da ACB Produções Artísticas e do Grupo ACB Teatral. Em 2006 foi escolhido pelas entidades organizadas como representante do Estado do Rio de Janeiro na Câmara Setorial de Teatro, organizada pelo MINC.

Como diretor, realizou os espetáculos Mamãe, como eu Nasci? (dez anos em cartaz, participando de festivais na Argentina, Colombia e Angola); Levitador Interplanetário Xereta Orbital e Vinte Mil Méguas Submarinas (nove indicações e dois prêmios Zilka Sallaberry).

Como diretor de produção do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, realizou entre outros, os seguintes trabalhos dirigidos por Aderbal Freire-Filho: O Tiro que Mudou a História, Tiradentes ou A Inconfidência no Rio, Lampião, Rei Diabo no Brasil, Turandot, ou O Congresso dos Intelectuais, A Mulher Carioca aos 22 Anos e O que diz Molero. Dirigidos por Marcos Vogel, Os Dois Cavalheiros de Verona, As Alegres Mulheres de Windsor Como diretor de produção de outros diretores, Lear, A Dança do Homem da Mala e Outras Histórias e Outras Histórias do Paraíso, dirigidos por Gillray Coutinho, O Caixeiro da Taverna, direção de Moacir Chaves, Um Gosto de Mel, direção de Amir Haddad, Romanceiro da Inconfidência, Mulher e Tiradentes, o Zé de Vila Rica, dirigidos por Vilma Dulcetti. Também foi diretor de produção do Cena Contemporânea 95, festival internacional de teatro, realizado pela RIOARTE e pela vinda ao Rio do Panorama do Teatro Brasileiro, do Grupo Tapa, 1996. Produziu a I e a II Jornada Fluminense de Cultura em Casimiro de Abreu e a Jornada Norte Fluminense de Cultura, realização da FUNARJ – Fundação de Artes Anita Mantuano do Rio de Janeiro / SEC e Município de São Fidélis, (2000 a 2002); e o Seminário A Teatralidade do Humano, curadoria de Ana Lucia Pardo, Oi Futuro Ipanema (abr a jun 2010).

O autor
Senel Paz nasceu nasceu nas regiões montanhosas, no centro de Cuba. De família humilde e analfabeta, estudou e se graduou na Universidade de Havana, através dos planos de educação da Revolução Cubana. Em sua obra literária se destacam as novelas  Um Rei no Jardim (Un rey en el jardín), Premio Nacional da Crítica, Cuba, e  Num céu de Diamantes (En el cielo con diamantes), Premio de Criação Literária da Casa da América Latina de Lisboa; e os contos dos livros Aquela Criança (El niño aquel), e O Lobo, o Bosque e o Homem Novo (El lobo, el bosque y el hombre nuevo). Este último conto deu lugar ao filme Morango & Chocolate (Fresa y chocolate), com roteiro do próprio autor e mais de vinte montagens teatrais e muitas edições em diferentes países e idiomas. A Editora Geração Editorial publicou em 2012 un conjunto de seus contos com o título de Morango e Chocolate, traduzidos por Eric Nepomuceno. Entre seus roteiros para filmes cubanos cabe mencionar,  Uma Noiva para David (Una novia para David) e Adoráveis Mentiras (Adorables mentiras), ambas a partir de sua obra literária, e para filmes espanhóis Coisas que Deixei em Havana (Cosas que dejé en La Habana), Uma Rosa da França (Una rosa de Francia ) e a adaptação Malena é nome de Tango (Malena es un nombre de tango). Senel Paz criou e dirigiu por vários anos a cadeira de Roteiro da Escola Internacional de Cine e Televisão de San Antonio de los Baños, na qual foi aluno, ajudante e professor convidado nas Oficinas “Como escrever um Conto”, com Gabriel García Márquez. Já recebeu inúmeros reconhecimentos cubanos e estrangeiros. Mora em Havana.

Sobre a história
Originalmente escrito como conto em 1990, O lobo, o bosque e o homem novo, de Senel Paz, recebeu o Prêmio Internacional Juan Rulfo, da Rádio Televisão Francesa para escritores da América Hispânica. Foi publicado em Cuba e no México e teve uma grande repercussão. Em 1991, é transformado em espetáculo teatral.

Em 1993, virou filme, numa produção cubana dirigida por Tomás Gutiérrez Alea, com roteiro do próprio autor. Foi o primeiro filme de temática gay e da liberdade de direitos realizado em Cuba. Ganhou oito prêmios no Festival de Cinema de Havana, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Foi premiado ainda com o Urso de Prata no Festival de Berlim e teve repercussão internacional. Em 2012, Senel faz uma nova versão do espetáculo, a partir do filme, cuja versão é a que veremos no palco.

Ficha Técnica

Morango & Chocolate – Querido Diego

Texto: Senel Paz | Tradução, Direção e Produção: Antonio Carlos Bernardes | Elenco: Márcio Nascimento, Vitor Peres, André Brilhante | Cenografia / Figurinos: Carlos Alberto Nunes | Trilha Sonora: Marcelo Alonso Neves | Iluminação: Djalma Amaral

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