Depois de seis anos sem lançar um álbum de estúdio, e da expectativa em torno de seu novo trabalho, Kessous volta à cena com o incensado disco “Dentro de Mim Cabe o Mundo”. Para o deleite dos cariocas, dia 25 de junho, a cantora faz a estreia da turnê do show homônimo, no Rio de Janeiro. E Monique volta bem acompanhada: Ana Lomelino (Mãeana), Lia Sabugosa, Moska e Silvia Machete farão participações.

O novo álbum firma e expande a obra de Kessous, que assina a produção do disco pilotado por Berna Ceppas. A artista magistralmente uniu melodias sedutoras a uma antenada sonoridade contemporânea, que teve como base a criação em conjunto com alguns dos músicos mais requisitados da cena musical brasileira. O resultado é um disco primoroso que reafirma o seu destaque como uma das mais talentosas e completas artistas da cena musical brasileira de sua geração.

No novo show, a cantora traz o repertório de Dentro de Mim Cabe o Mundo, que conta com parcerias com Chico Cesar (Meu papo é reto), Denny Kessous (Aonde Eu For, Todo Mundo Quer, A Lei é Deixar Fluir) e João Cavalcanti (Espiral), além versões para canções de compositores estrangeiros como o uruguaio Kevin Johansen (O Círculo, com versão de Moska) e o português Pedro da Silva Martins (Seja Agora); e canção feita por Moska especialmente para ela (Por Causa do Seu Pensamento).

Com seu violão em punho, a cantora passeia também passeia também por temas autorais de seus outros discos já conhecidos do grande público, como Frio e Levo a Minha Vida Assim, além de trazer versões para músicas de outros compositores, escolhidas a dedo para integrarem o repertório.

Certamente, o público ávido pelo novo trabalho da cantora, será brindado com um show sublime desta, que é ao vivo, uma artista com o coração na boca. Em Dentro de Mim Cabe o Mundo, Monique expõe sua natureza insaciável, desejosa de beber de fontes infinitas para se conectar com o mundo através de sua arte. Seu papo é reto.

SERVICO
Data : 25 de junho
Horario: 21 horas.

Espaço Tom Jobim – Cultura e Meio Ambiente 
Rua Jardim Botânico, 1008
Ingressos Plateia – R$ 80,00, meia R$40,00
LIVRE

FICHA TÉCNICA
Direção – Monique Kessous
Direção Musical – Monique Kessous e Denny Kessous
Roteiro – Denny Kessous
Direção de produção – Sergio Shcolnik e Mariama Lemos de Moraes
Direção Cênica – Maria Paula Megre e Monique Kessous
Preparação Cênica – Maria Paula Megre
Cenário – Jeane Terra
Figurinos – Athria Gomes / Sol Azulay
Iluminação – Arthur Farinon
Som – Técnico de monitor e P.A. – Jackson Marques
Roadie – Rafael Franchi
Produção executiva – Mariama Lemos de Moraes, Sergio Shcolnik e Carla Torres
Guitarra, teclado e vocais – Denny Kessous
Guitarra e vocais – João Arruda
Bateria e vocais – Bicudo
Percussão, programações e vocais – Junior Moraes
Baixo, synths e vocais – Vini Lobo
Monique Kessous toca violão, synths, guitarra e programação

Em antenada conexão com o mundo, Monique Kessous manda papo reto em disco que faz ode ao amor e ao momento presente com participações de Ney Matogrosso, Moska, Jesse Harris e do músico Mamadou Diabaté, do Mali

No terceiro álbum autoral, Dentro de mim cabe o mundo, artista carioca expande a produção de compositora em safra de inéditas formatadas com canto de sereia – no tom contemporâneo de músicos de ponta da cena musical brasileira – e dá voz a músicas de Kevin Johansen e Pedro da Silva Martins, do grupo lusitano Deolinda

“Quando eu canto, eu posso ser o que eu quiser
A minha voz carrega o mundo como quer
Eu sou sereia, rainha do mar
Eu sou branquinha e canto o povo brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro
Sou afrodite, sou o fruto proibido
Eu canto a vida e carrego
Tudo o que eu vi passar…”

foto: Mariama Lemos de Moraes
foto: Mariama Lemos de Moraes

Os versos da primeira estrofe de Aqui tem – música de autoria de Monique Kessous que abre Dentro de mim cabe o mundo, o terceiro álbum autoral da cantora, compositora e multi-instrumentista carioca – dão a pista certeira do canto da sereia neste álbum de tom contemporâneo que firma e expande a produção autoral da artista. Aqui tem celebra a mestiçagem latina que dá o tom da música brasileira, enraizada nos sons da mãe África. Pautada pelos toques de três guitarras (a de Davi Moraes, a de Denny Kessous e a de Felipe Pinaud), pelo baticum da percussão e da bateria de Thiago Silva, pela pulsação do baixo de Alberto Continentino, pelo sopro do trompete de Jessé Sadoc e pelas sutis programações de Berna Ceppas, Aqui tem traduz de cara o avanço e os caminhos mais diversificados seguidos por Kessous em Dentro de mim cabe o mundo. Com produção assinada pela própria artista, o disco co-pilotado por Berna Ceppas reúne alguns dos músicos mais requisitados da cena musical brasileira. Com a sonoridade moderna dos instrumentos destes virtuoses contemporâneos, Kessous celebra a leveza da vida em álbum que faz ode ao amor e ao momento presente.

Sucessor de Com essa cor (Som Livre, 2008) e Monique Kessous (Sony Music, 2010) na discografia autoral da artista, Dentro de mim cabe o mundo chega ao universo pop neste mês de abril de 2016 como uma evolução natural da obra da cantora e compositora. Marcantes no último álbum da artista, as melodiosas canções de amor continuam cabendo com perfeição no mundo musical de Kessous. Pedaço de ilusão (Monique Kessous), Eu sem você (Monique Kessous) e Aonde eu for – uma das quatro composições feitas por Monique para o disco com o irmão e parceiro Denny Kessous – vão provocar imediato reconhecimento no público que curtiu Calma aí, Coração, Frio e outros hits do anterior álbum de 2010 que ampliou a popularidade da cantora em escala nacional. Pedaço de ilusão tem todo jeito de hit que vai se juntar aos sucessos da artista. Eu sem você reverbera sonoridade pop folk calcada nos violões e nos ukeleles tocados por Monique, Denny Kessous e Felipe Pinaud em arranjo que inclui também o baixo de Dadi e a bateria e percussão de Stéphane San Juan (músico recorrente nas 13 músicas de Dentro de mim cabe o mundo). Já Aonde eu for sobressai pela fina sintonia entre música e letra. A melodia dá a sensação de estar em movimento permanente, seguindo a rota amorosa dos versos da canção.

E por falar em deslocamentos em nomes do amor, a canção Por causa do seu pensamento – música inédita composta por Moska especialmente para este terceiro álbum autoral de Kessous – move montanhas para aproximar amantes nem que seja somente pela força imperativa da mente. Moska – que já participara do álbum anterior de Kessous, fazendo dueto com a cantora na vintage valsa Noites sem luar – volta a imprimir a marca de artista em Dentro de mim cabe o mundo. Desta vez, como instrumentista. Moska toca a guitarra suave que se harmoniza com o violão do músico norte-americano Jesse Harris – outro ilustre convidado do disco e da canção Por causa do seu pensamento – no arranjo da faixa.

Artista que vem fazendo conexões com cantores e compositores da América Latina, Moska também está presente em Dentro de mim cabe o mundo como o versionista de O círculo. Com liberdade para mudar eventualmente o sentido original dos versos em espanhol, Moska traduziu – a pedido de Kessous – para o português a letra de El círculo, música de autoria de Kevin Johansen (norte-americano de vivência argentina), lançada em disco pelo próprio autor no álbum The nada (2000). Por sugestão de Kessous, o verso “Te di todo y ya no doy mas” virou “Te dei tudo e só quero mais”, sublinhando a sede de amor e vida que pauta o disco. Faixa gravada com a kora tocada pelo músico Mamadou Diabaté, ícone do Mali, O círculo é música que valoriza o momento presente e, nesse sentido, se afina com Seja agora, outra conexão de além-mar feita por Kessous em Dentro de mim cabe o mundo.

Seja agora é a leve adaptação para o português do Brasil – feita com sutileza pela própria Monique Kessous – da música homônima do grupo lusitano Deolinda, uma das bandas mais cultuadas no universo musical contemporâneo da Terrinha. Seja agora é composição de Pedro da Silva Martins, guitarrista do grupo, e foi apresentada pela Deolinda no terceiro álbum de músicas inéditas da banda, Mundo pequenininho, lançado em 2013.

Sem sair do Brasil, Monique Kessous também viaja para outros universos musicais em Dentro de mim cabe o mundo. Primeira parceria da artista com o cantor, compositor e músico paraibano Chico César, um dos mais celebrados artistas da cena pós-1990, Meu papo é reto insere o som e o disco em clima noturno de balada, pegação. A cena da música – previamente lançada em single nas plataformas digitais em 3 de setembro de 2015 – se passa numa boate e fala de uma cantada que pode ser hetero ou homossexual, de acordo com a percepção de cada ouvinte. Kessous manda o papo reto na companhia de ninguém menos do que Ney Matogrosso, um dos maiores cantores do Brasil, ícone GLS associado a um universo erotizado que se afina perfeitamente com o tom da música e que foi traduzido nas imagens de cores quentes do clipe gravado por Kessous com Ney e disponibilizado na web em 7 de janeiro deste ano de 2016.

O álbum Dentro de mim cabe o mundo também promove outra viagem musical, esta feita para dentro da própria cidade do Rio de Janeiro (RJ) em que Kessous veio ao mundo. Primeiro samba gravado pela artista, Acorde tem o tom contemporâneo do disco. Mas evoca – pela melodia, pelo toque luxuoso do cavaquinho de Mauro Diniz e pelo estelar coro feminino formado por Ana Claudia Lomelino, Anna Ratto, Lia Sabugosa, Nina Becker e Silvia Machete – a nobreza do samba de tempos idos, imemoriais. É como se o coro feminino representasse as lendárias figuras das pastoras das escolas de samba mais tradicionais do Rio. Em qualquer tempo, antigo ou moderno, Acorde tem cacife para ser louvado como o belo samba que de fato é.

Com o suingue funkeado da guitarra de Davi Moraes, A lei é deixar fluir – parceria de Monique com o irmão Denny Kessous – reitera o tom reflexivo-existencial que pauta o álbum Dentro de mim cabe o mundo sempre em tempo de delicadeza. Tudo sempre soa leve e natural no disco, inclusive o canto da sereia Monique. Nada pesa a mão no álbum. Mesmo que o toque virtuoso do acordeom de Marcelo Caldi evoque o clima passional do tango na imperativa Me ame, me adora, bem me quer sim (outra da lavra de Monique com Denny Kessous) e mesmo que Todo mundo quer (mais uma música dos entrosados irmãos Kessous) tenha sede insaciável de vida, a leveza pauta o álbum da primeira a última música, Espiral, primeira parceria de Kessous com o compositor carioca João Cavalcanti. Composição que embute na letra o verso-título do álbum Dentro de mim cabe o mundo, Espiral tem a aura celestial da harpa de Cristina Braga, orquestrada por Felipe Pinaud no arranjo da faixa. O piano de Daniel Jobim e a lira grega – tocada pela própria Kessous – ajudam a envolver Espiral no clima delicado do tema. Afinal, dentro do terceiro álbum autoral de Monique Kessous cabe um mundo de amor que busca a paz pessoal e universal, celebra o ser humano e valoriza o aqui, o agora. Aqui neste disco tem a música que Monique Kessous quis fazer, pois a voz da cantora carrega o mundo como ela – a artista – quer, como ela vê esse mundo que ora se abre para novos sons, levadas e parcerias.

Mauro Ferreira
Abril de 2016

 

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