MC Marechal: “Estou em busca da verdade”

Foto: Marina Vieira Giannetto / Batalha do Conhecimento
Foto: Jessica Andrade

Prestes a lançar seu primeiro disco, o rapper conta sobre seus projetos, suas ideologias e fala a respeito do compromisso com o seu trabalho

Niterói ficou pequena diante do “exército de um só”. No último domingo (28), Rodrigo Vieira, mais conhecido como Marechal, incendiou o palco do Niterói Tattoo Festival, e mostrou o que é ser um Mestre de Cerimônia (MC). Além de cantar músicas já conhecidas, o rapper de 35 anos ainda divulgou duas faixas do seu primeiro CD, que ainda não tem data prevista para lançamento. O evento ainda contou com batalhas de MCs, concursos de tatuagem e reuniu cerca de cinquenta stands ligados a este universo.

Boné na cabeça. Bermuda no corpo e chinelo nos pés. Rosto sério, mas sem negar um sorriso ou atenção a quem lhe pedia um abraço. A sigla VVAR estampada no peito. Trata-se de um dentre os vários projetos que MC engaja, o Vamos Voltar à Realidade. “O VVAR é um pouco complexo porque é um projeto orgânico. Eu acredito que muitas coisas são feitas para tirar a gente do senso de realidade. Então, ele é um estudo que eu procuro praticar: algo que possa me trazer para esse momento presente para que a gente viva de uma forma mais natural, que eu acredito ser a realidade”, explica.

Outro projeto em destaque é o Livrar, que visa distribuir livros gratuitamente a cada apresentação. “O Livrar é mais simples, é mais palpável. Vem da ideia de levar o livro. Não é muita coisa, não, é simples”. Assim como foi na Batalha do Conhecimento, idealizada pelo Marechal e realizada no Museu de Arte do Rio (MAR). O evento, que não acontece mais atualmente, propunha uma disputa entre rimas improvisadas sobre novos conceitos como educação, cultura e política. Foi também responsável por abrir espaço para diversos rappers no Rio de Janeiro. “Aquilo, para mim, foi um marco. Foi um jeito de dizer: ‘Galera, tá vendo? Dá pra fazer desse jeito aqui’”, lembra.

Há quase 20 anos na cena, Marechal acredita que o Rap é o canal. “Foi a primeira coisa que eu me identifiquei. Não tive outra formação, outro caminho. O Rap é incrível, é o meu veículo”, diz ele que hoje se prepara para lançar seu primeiro – e tão esperado – álbum. “Meu disco é parte de um estudo e, como eu vejo as coisas evoluindo de um jeito moderno, eu fico pensando em uma forma diferente de lançar meu trabalho. Não vejo como: ‘toma aí um CD com dez faixas e é isso’. Isso é pouco. Já passou essa época. Hoje em dia é: ‘Vai no meu YouTube aí, irmão’”, brinca.  

Uma coisa que se pode esperar do disco é dedicação. “Eu não tenho preguiça em tentar entregar o meu melhor. O meu CD não sai. Ele fica. Aquilo ali vai ficar para as pessoas ouvirem daqui a dez anos. A minha ideia é que o disco tenha essa atemporalidade e se perpetue”, afirma. Para garantir isso, ele ainda adianta: “Eu vivo isso. Estudo, no mínimo, dez horas por dia. Acordo e durmo trabalhando. Vou fazer uma apresentação agora, mas quando chegar em casa, vou fazer mais música. Eu estou nesse ritmo”, assegura. A expectativa é grande. A última faixa que o rapper lançou, Primeiro de Abril, já foi acessada por quase um milhão de pessoas nas plataformas digitais.  

“O rap sozinho não faz nada”

Segundo o MC, o Rap tem, sim, a capacidade de mudar muitas realidades. “A minha já mudou. Mas tudo pode mudar vidas. A tatuagem, por exemplo, também pode. Vários amigos já tiveram suas vidas e realidades mudadas por causa do estilo musical. Mas é aquilo. É por causa do Rap? Ou pelo que você fez com ele? Os dois. O gênero só ofereceu e você soube utilizar da melhor forma. Ele sozinho não faz nada. O Rap também estragou a vida de algumas pessoas que eu conheço”, avalia.

 Credibilidade

Reconhecido nacionalmente, o MC de Niterói acredita que a verdade é a base para a credibilidade. “Eu não tenho muito que falar. Eu já falo por meio das músicas. Eu não penso nada diferente do que eu falo nos raps. Eu pratico as minhas letras. E é aí que eu ganho credibilidade de vida”, diz.  Para ele, tudo isso também é resultado da sua própria busca. “O que eu faço é um centro de estudo constante. Só isso. Não tenho 100% opinião formada. Eu não detenho a verdade. Eu estou em busca da verdade. A minha busca é pra que eu chegue ao fim entendendo um pouquinho dela”.

Exemplo dessa busca é a participação de Marechal na faixa “Quem tava lá”, do grupo Costa Gold. “Se eu queria chegar nas pessoas mais novas, essa era minha chance. Eles [o grupo] me legitimaram como uma pessoa de credibilidade para milhões de adolescentes de 13 anos. Eu mostrei uma alternativa para milhões de crianças. Foi a parada mais interessante que aconteceu comigo nos últimos tempos. Me aproximou das pessoas mais novas”, se emociona. Em apenas duas semanas, a música atingiu cerca de 4 milhões de visualizações no YouTube. Para o rapper, são 4 milhões de oportunidade de voltar à realidade.

Também quer saber? Acesse VVAR. Um só caminho.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UM COMENTÁRIO