“Marinalva ou O Bouquet que se desfez” na sala Baden Powel

Foto: Micael Bergamaschi
Foto: Micael Bergamaschi
A Companhia Armorial de Dança Contemporânea é uma iniciativa artística surgida em 2015 que tem como principal objetivo a criação de espetáculos onde a dança contemporânea e a cultura popular do nordeste brasileiro estabeleçam pontes de comunicação com o propósito de gerar trabalhos cênicos fortemente ligados a uma certa heráldica cultural brasileira, capaz de produzir no corpo dançado aspectos de territorialidade e identidade.
 
A idealização deste primeiro projeto, intitulado MARINALVA surgiu a partir de depoimentos feitos por Marinalva Ferreira a seu filho, o coreógrafo Fábio Sanfer; uma série de conversas entre mãe e filho que muito marcaram a sua criação e que vieram agregadas à memórias e histórias de experiências do povo do Sertão. Com forte matiz autobiográfico, MARINALVA é ao mesmo tempo uma reflexão sobre questões histórico-geográficas vivenciadas pela comunidade nordestina brasileira, bem como o resgate da necessidade de repensar conceitos em torno da identidade cultural, reforçando a pujança da cultura de uma região tão rica e múltipla.
Foto: Micael Bergamaschi
Foto: Micael Bergamaschi
 
Após o repentino falecimento da narradora que dá nome ao espetáculo, o coreógrafo se vê tomado por um forte impulso criativo produzido pelo luto, onde a inspiração emerge na forma de um grande desejo de criar um trabalho memorial, capaz de narrar uma aventura amorosa vivida por sua mãe adolescente em meio a todas as adversidades e desafios de morar numa cidade interiorana do sertão sergipano. Tal ato se torna uma grande aventura na direção de festejar a vida e descobrir lembranças afetivas há muito tempo esquecidas pela ação do tempo sobre a memória do artista radicado no Rio de Janeiro há mais de uma década, transformando assim o ambiente cênico em uma plataforma que dá vida a uma narrativa artística pessoal e cheia signos, afetos e mensagens subjetivas não só traduzidas mas vividas por todos os envolvidos na construção do espetáculo através dos laboratórios criativos executados durante a pesquisa.
Foto: Micael Bergamaschi
Foto: Micael Bergamaschi
A atriz e bailarina Camille Almeida,que integra o elenco do espetáculo, falou à Canal+Arte sobre o convite para participar do espetáculo:  
 
” Fui convidada pelo coreógrafo há um ano e meio atrás. Ele queria montar um companhia de contemporâneo com bailarinos de basal clássica. Danço desde que me entendo por gente, desde 3 anos de idade. É meu oxigênio, minha motivação para viver.”

 

Sobre a obra, a atriz completou:

 

“Minha espectativa é a melhor possível. Estamos nos preparando há 1 ano fazendo laboratórios e construindo uma técnica diferenciada. O figurino é leve e foi desenvolvido pela Edvalda que é nossa figurinista. As músicas são regionais e contam a tragetória da Marinalva no sertão de Sergipe.”

 

 

O espetáculo estará em cartaz no dia 29/9 às 20h na sala Baden Powel, em Copacabana e dia 13/10 no Teatro Ziembinski na Tijuca.

 

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