Maria de todos nós

Exposição em homenagem aos 50 anos de carreira de Maria Bethânia  reúne mais de uma centena de artistas em torno do universo da cantora

foto: Thereza Eugênia
foto: Thereza Eugênia

As fortes emoções que Maria Bethânia desperta ao seu redor são o tema da exposiçãoMaria de Todos Nós, com obras de mais de uma centena de artistas plásticos, fotógrafos, poetas e músicos, que abre no dia 03 de julho, sexta, e segue até 13 de setembro, no Paço Imperial/RJ.

Com direção geral e expografia de Bia Lessa, a homenagem aos 50 anos de carreira de Bethânia tem patrocínio da Natura, sem uso de lei de incentivo, e abre a programação em comemoração aos 10 anos do Natura Musical, programa de valorização da música brasileira criado pela empresa de cosméticos em 2005.

A mostra – batizada com o título de um poema de Mabel Veloso, inspirado em sua irmã – nasceu como um movimento voluntário de amigos e fãs famosos ou anônimos de Bethânia, reunidos pela produtora Ana Basbaum, que estão contribuindo com obras inspiradas no universo da artista.

“O intuito não era o elogio à artista”, conta Bia Lessa, “mas os ecos e as inspirações que brotam a partir de seu trabalho. Espontaneamente foram se juntando obras, ideias, artistas e admiradores e a exposição foi sendo concebida a partir desses estímulos. Não há propriamente uma curadoria, há objetos, obras de arte, fotografias, textos, poemas – em comum o fato de estarem expostas por terem sido, todos, um ato de criação, um esforço pessoal e um desejo de participar dessa ‘cerimônia’ de comemoração aos 50 anos de carreira de Bethânia.  Comemorar a artista é também comemorar o desejo da construção e a valorização de um Brasil mais genuíno e ético. Cá estamos, todos, nessa construção coletiva – utópica”.

Os artistas que estarão com obras na exposição são: Adenor Gondim, Alexandre Dacosta, Alexandre Sá, Ana Basbaum, Analu Prestes, André da Marinheira, André Rocha, Anna Carolina Albernaz, Armando Barbosa, Aroeira, Batman Zavareze, Barbara Almeida, Beto Felício, Bruno Big, Bruno Veiga, Cafi, Calasans Neto, Camila Alcantara, Carlos Bracher, Chica Granchi, Chico Cunha, Chicô Gouvêa, Chiquta, Dani Roland, Demétrius, Diana Dasha, Daniel Bordini, Daniela Mattos, Dinorah Oliveira, Edson Luiz Antunes, Elayne Fonseca, Elisa Bracher, Elson, Erica Almeida, Éric Dini Nielsen, Erivaldo, Everaldo, Fábio, Fani Bracher, Flávio Colker, Flávio Império, Fauzi Arapi, Getúlio Damado, Gilberto Miranda Maia, Giulia Drummond, Glauber Vianna, Gringo Cardia, Hélio Eichbauer, Henri Lentino, Hugo França, Irmãos Campana, Ivor Jael, Jean dos Anjos, Joe Alcântara, José Alcântara, Júlia Basbaum, Júlio Diniz,Karina Zambrana, Lan, Lenise Pinheiro, Leo Tomassini, Louco Filho, Lucas Medeiros, Luiz Áquila, Luiz Stein, Luiza Marcier, Lourdes Abraços, Malu Fatorelli, Maria Bethânia, Maria Borba, Mana Bernardes, Maria Bonomi, Maria Luisa Mendonça, Maria Pace Chiavari, Maria Sampaio, Marcelo Ferraz, Maria Borba, Mario Ferrante, Marisa Alvarez Lima, Matizes Dumont (Grupo composto de Antônia, Ângela, Martha, Marilu, Sávia e Demóstenes), Maureen Bisilliat, Maurício de Sousa, Mirabeau Sampaio, Menote Cordeiro, Miguel Paiva, Monica Barki, Moreno Veloso, Nair de Carvalho, Nina Basbaum, Oziel, Paulinho Moska, Paulo Lindo, Paulo Lopes, Pedro Sá, Paolo Rizzato, Paula Huven, Raniel Tori, Resêndio José da Silva, Renato Forin Junior, Ricardo Basbaum, Ricardo Filgueiras, Roberta Sudbrack, Roberto Tavares, Rodrigo Velloso, Ronaldo Macedo, Rute Casoy, Samanta Alves, Samy Ferreira Chagas, Sergio Batista de Carvalho, Suzana Queiroga, Tatti Moreno, Thereza Eugênia, Thereza Miranda, Thomaz Azulay, Valentina Muabsab, Valéria Costa Pinto, Vera Bernardes, Victória Vieira, Verônica Lapa, Vicente de Mello, Ziraldo e Zé Andrade.

Estarão expostos 980 fotografias, 302 obras e 120 objetos de 160 artistas e fotógrafos, espalhados pelas doze salas, no coração do Rio de Janeiro, a Praça XV, onde milhares de pessoas circulam todos os dias. E, para que a exposição tenha um diálogo com a cidade e seus transeuntes cotidianos, nas sacadas e ao redor do prédio ficará uma instalação com tecidos com frases de poetas que foram importantes na formação de Maria Bethânia. Fragmentos de Fernando Pessoa, Clarisse Lispector, Patativa do Assaré, Padre Antônio Vieira, Sophia de Mello Brahner, etc. Pílulas literárias para todos – uma forma de se comemorar também o aniversário da cidade e retratar uma das paixões da artista, a literatura.

A exposição tem seu início na praça e convida o visitante a entrar no Paço Imperial. Elementos da natureza – um dos pontos cruciais e chaves do trabalho de Maria Bethânia pela sua profunda relação com a natureza, base de suas inspirações e seus desassossegos – predominam em todos os espaços, invadindo-os com seus elementos vivos, com sua dinâmica própria, com seus tempos diversos, mundo mineral, vegetal e animal. Essa natureza foi traduzida em fardos, madeira, água, terra, ferro, pedra e, por fim, o mato, através de fardos de feno utilizados na construção das paredes cenográficas e nas bases que darão suporte às obras – ao todo 1.100 fardos. Para este resultado estão sendo usados também 22.0000 sacos com água, 500 sacos de terra, 636 paralelepípedos e 98 sacos de 1.000 litros de serragem.

A primeira obra a ser observada é de Elisa Bracher, obra símbolo da exposição, sem título – um enorme barco, com duas toneladas, que busca seu equilíbrio tênue para permanecer barco, obra símbolo da exposição.

A mostra ocupa todo o primeiro andar do Paço Imperial, inclusive as áreas de acesso e corredores de serviço, criando um espaço circular – onde o visitante escolhe o seu percurso. “Queremos que a exposição não tenha princípio e fim, que a trajetória remeta necessariamente o visitante a um círculo infinito. Não há passado, presente e futuro, não há começo, meio e fim; há uma trajetória criada a partir do desejo de cada visitante”, explica Bia.

Ao todo as doze salas serão ocupadas por: trabalhos inéditos de Maria Bethânia (entalhes em madeiras, alguns cadernos de trabalho, base de suas criações, o camarim de palco utilizado em todas as suas apresentações); imagens públicas, enviadas por fotógrafos e fãs, e pessoais da cantora (impressas em tecido e expostas num corredor inspirado no da casa de Dona Canô e Seu Zezinho, mãe e pai da artista, que era o caminho para as comemorações no quintal da casa em Santo Amaro); obras num altar de feno, retratando um Brasil onde o sincretismo religioso impera; cenografias com obras do acervo do Museu do Inconsciente e do Instituto Pinel; cerâmicas e esculturas; obras de artistas plásticos, bordadeiras e estilistas que remetem aos artesões do interior; objetos, joias, móveis, e perfumes; arte popular; uma instalação audiovisual oferecida pela Natura e obras que utilizam a imagem física de Maria Bethânia para sua criação e uma instalação audiovisual oferecida pela Natura inspirada na sua relação com a natureza e no universo de perfumes.

O público também poderá ouvir, em fones de ouvido, canções criadas para a intérprete por jovens compositores como Pedro Sá, Moreno Veloso, Leo Tomassini, Rubinho Jacobina,grupo Tira Poeira e Ivor Lancellotti, além de uma preciosidade em áudio: uma entrevista inédita de Fauzi Arap.

Além dessas obras em suportes variados, Bia Lessa criou uma instalação, a partir de 100 casas de madeira de 40 x 40 construídas por Getúlio (artista popular carioca) que estarão em dialogo com um céu coberto por 22.000 sacos de água envelopados pelas receitas de Dona Canô – num espaço destinado a Santo Amaro da Purificação, onde sagrado e profano caminham juntos.

A programação da mostra inclui, também, saraus aos sábados e domingos, às 16hs, com lotação de 80 pessoas (senhas no local a partir da 13hs) com os músicos Egberto Gismonti,Moreno Veloso, Pedro Sá, Jorge Mautner, Rubinho Jacobina, Tira Poeira, Ivor Lancelloti,Jaime Além, Andre Mehmari e Banda Afro Cultural Ojuobáaxé. E contará, ainda, com umamostra de filmes e vídeos e DVDs de Maria Bethânia, todos os dias das 13hs às 17hs (senhas no local), entre eles “Quando o Carnaval Chegar” (1972, Cacá Diegues), “Bethânia Bem de Perto” (1976, David Neves, Eduardo Escorel e Júlio Bressane), “Doces Bárbaros” (1976, Tom Azulay),  “Brasileirinho” (2004, André Horta) e “(O Vento lá Fora)” (2014, Márcio Debellian).

Natura Musical: 10 anos de valorização da música brasileira
O Natura Musical, programa da Natura de apoio à música brasileira completa dez anos em junho de 2015, ocupando papel singular no cenário de patrocínio cultural do país. Com mais de 270 projetos patrocinados, o programa apoiou, desde 2005, a realização de mais 1130 produtos culturais (mais de mil shows, 89 CDs, 19 DVDs, 17 livros e 5 filmes), e se converteu numa plataforma de renovação da música brasileira. Hoje proporciona o lançamento de um volume de novos trabalhos comparável aos principais selos de música brasileira não orientados exclusivamente pelo mercado, com uma média de 20 discos por ano. E patrocina anualmente pelo país cerca de 150 shows gratuitos ou a preços mais populares do que o mercado oferece tradicionalmente, quando se trata de artistas consagrados.

O programa patrocina novos talentos, projetos de preservação de legado e formação musical e artistas consagrados em momentos emblemáticos da carreira em todo o Brasil, por meio de diferentes frentes, como os editais públicos, que selecionam projetos de diferentes formatos e estágios da produção cultural, por meio das Leis Rouanet e do Audiovisual em todo o Brasil, e da Lei do ICMS em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e no Pará; por Seleção Direta, que contempla propostas adequadas ao conceito do programa e de grande relevância e inovação, sem a obrigatoriedade das leis de incentivo; e pelos Festivais.

FICHA TÉCNICA:
Direção geral e expografia: Bia Lessa
Producao Executiva: Ana Basbaum
Direção de Produção: Arlindo Hartz
Arquiteta: Lúcia Vaz Pato
Trilha Sonora: Dany Roland
Iluminação: Bia Lessa e Antônio Mendel
Programação visual: Cubículo
Letristas: Rafael de Assis, Vinícius de Assis e Felipe Ikehara
Montagem: Paço Imperial
Realização: 2+2 Comunicação LTDA

SERVIÇO:

“Maria de Todos Nós”, em homenagem aos 50 anos de carreira de Maria Bethânia
Local: Paço Imperial (Praça XV de Novembro, 48, Centro/RJ- Tel: (21) 2533-4359)
Período: 03 de julho, sexta, a 13 de setembro, domingo
De terça a domingo, das 12 às 18h
ENTRADA FRANCA

 

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