Lobão: um artista completo

Foto: Luiz Rodrigues, 2012
Foto: Luiz Rodrigues, 2012

Com mais de 40 anos de carreira, Lobão lança “O Rigor e a Misericórdia”, álbum que fez absolutamente sozinho. O artista conta ao Sopa Cultural sua trajetória artística e como foi amadurecendo ao longo dos anos. Conhecido por suas críticas a política brasileira, o cantor não lançará mais sua autobiografia nas telonas, como tinha prometido aos fãs, devido às suas posições contrárias a Lei Rouanet.

Lobão mostra sua visão sobre o cenário musical brasileiro e comenta como seria importante resgatar a venda de vinis como muitos países já fizeram.

O que te motivou a fazer seu novo álbum completamente sozinho?
Eu sempre tive esse sonho, pois já toco alguns instrumentos com razoável habilidade desde garoto. Me bastou focar em me desenvolver neles e mais outros instrumentos,aprender a mexer em computador de forma proficiente e.após 10 anos de preparação me meti nesse desafio.

Alguma previsão de turnê?
Sim! Estou muito curioso pra tocar esse repertório ao vivo. Sim! Haverá turnê  pelo Brasil inteiro esse ano.

Em “O Rigor e a Misericórdia” o que te deu mais prazer em fazer  e o que achou mais difícil?
Foi saborear a liberdade de dirigir o som ,os arranjos as interpretações  exatamente para onde eu queria.É a primeira vez que experimento essa total liberdade.O mais difícil? com certeza foram as centenas de apagões aqui no Sumaré que influenciaram  até nas composições ,pois acabei fazendo muita mais canções acústicas do que imaginaria a princípio. 

Você diz que que era o que estava perseguindo fazer nos últimos 10 anos. Seus próximos projetos seguirão a mesma linha?
É claro que alcancei um patamar do qual tirarei muito proveito.Agora sou um produtor consumado e com a liberdade de fazer o que bem entender em um estúdio.

De “Cena de Cinema” até “O Rigor e a misericórdia” quais foram as principais mudanças no artista Lobão?
Em Cena de Cinema eu era um náufrago da minha existência.depois de ser expulso de casa ,passar casado 4 anos quase que em cárcere privado,esse disco era muito mais uma tentativa de encontrar terra firme com toda a sua precariedade.Nunca havia composto antes muito menos cantado nem tampouco segurado numa guitarra.Tudo  era novo e inexplorado. E assim minha vida se firmou até o início dos anos 90 quando se sucedeu uma grande transformação em mim e entrei numa de recuperar minha verve de músico de verdade.Recomecei meus estudos de violão clássico e em 95 já estava muito bem treinado.Comecei a desenvolver  o meu lado de letrista e de cantor.No início dos anos 2000 entrei numa de tocar guitarra pra caralho( nunca toquei nada de guitarra)e mergulhei feito um louco no instrumento.Em seguida comecei a aprender a mexer em programas de gravação em computador.Aprendi a timbrar teclados a tocar e compor de forma razoável neles.Em 2007 comecei a tocar baixo.Em 2012 comecei a tocar e compor na viola caipira.Essa trajetória fica muito evidente para qualquer ouvinte dos meus discos com razoável acuidade auditiva.

foto: Lobão
foto: Lobão

Há seis anos, você lançou sua autobiografia “50 anos a mil”, por quê convidou Cláudio Tognolli para coassinar a obra?
Na verdade o livro saiu  foi no final de 2010 ,portanto,há 5 anos;

Chamei o Tognolli ,pois diante das aventuras surreais e perseguições improváveis que sofri,seria profundamente necessário a documentação de todos os fatos.Como Tognolli é nosso maior jornalista investigativo,ele ficou com essa parte de recuperação de toda a documentação e todo vestígio de meu nome na imprensa,desde que virei uma figura pública.

E como estão os planos para a estreia dessa obra nas telonas?
Não rolará.Com as minhas posições contrárias a Lei Roaunet o projeto se inviabilizou,pois,infelizmente, nos dias de hoje todas as produtoras de filme são dependentes dessa lei 

Segundo pesquisa da Crowley, 75 das músicas mais tocadas nas rádios brasileiras são sertanejas e, pela primeira vez, nenhuma faixa de rock brasileiro está entre as 100 mais tocadas. Tem alguma explicação?
O PT com se processo de ideologização cultural  ajuda a fabricar uma “nova MPB” postiça e muito pior que a original dos anos 60.O entretenimento se perde e as pessoas só têm esse entretenimento raso e ralo da música sertaneja universitária

Como você vê serviços de streaming como Deezer, Spotify, Napster etc para os artistas, gravadoras e o público?
Acho ótimo.Mas acho importante mesmo o Brasil voltar a focar-se nas vendas de cds e vinis.Lá fora o mercado já se recuperou.A Adele vendeu mais de 500 milhões de cópias de discos.Aqui sucatearam o produto e  o transformaram e  mero cartão de visitas. 

Poderia analisar o cenário cultural brasileiro nesses tempos de crise?
Nós estamos vivendo,sem a menor sombra de dúvida , o pior de todos os momentos na cultura nacional.Nuca fomos tão grotescos,infantilizados e miseráveis em termos de gosto musical. 

Para finalizar, você conseguiria definir o “Lobão”?
Sou um homem essencialmente honesto,repleto de entusiasmo pela  própria natureza e extremamente,obsessivamente esforçado.

Clique aqui para conhecer “O Rigor e a Misericórdia”

1 COMENTÁRIO

  1. Adorei ! Muito bacana. E concordo com nosso amigo Lobão, estamos vivendo o pior de todos os momentos na cultura nacional. Um país aculturado, Educação zero. Como podemos reverter esse quadro que nos encontramos? Muito complicado.

    Parabéns Isabelle , bela matéria!!
    abs

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