Literatura, cultura e consumo: o valor da letra

Autores premiados, editores, produtores culturais e críticos debatem caminhos para uma maior circulação da literatura no Brasil

De 23 a 26 de fevereiro (terça a sexta-feira), a Caixa Cultural promove o ciclo Literatura, cultura e consumo: o valor da letra com escritores, pesquisadores, produtores culturais e editores, ao todo 11 participantes, para discutir a função social e existencial da literatura. Projeto da Veredas Promoções Culturais com curadoria de Clarisse Fukelman e Claudia Chigres.

Em debate, o processo de criação e recepção; modos de conservação e disseminação da leitura; modelos de biblioteca pública; patrimônio literário nacional; mercado editorial; ações pela internet; eventos; formas de consumo e tipos de interesse de jovens gerações; espaço da crítica.

Comunicação digital, redes sociais, inflação de imagens. Como sobrevive a literatura em meio a tanta mudança? Como se comunica com as novas subjetividades? Qual o seu lugar em nossas experiências?

Para os escritores não há dúvidas. O argentino Jorge Luis Borges afirmou: “Sempre pensei que o Paraíso fosse uma espécie de biblioteca”.  Clarice Lispector, ao que lhe perguntarem por que escrevia, respondeu com outra pergunta: por que você bebe água? Entretanto, uma multidão se acha excluída do mundo da literatura, não capta seu papel político, sua força imaginária, sua capacidade de estimular a compreensão humana. O baixo letramento e o domínio da linguagem visual indicam a complexidade da questão.

Com quatro encontros, abordagens provocativas sobre a difusão da literatura. Para o debate, foram convidados os escritores Alberto Mussa, com obras publicadas em 17 países e 14 idiomas. Prêmios nacionais e internacionais; Marco Lucchesi, Membro da Academia Brasileira de Letras e da Accademia Lucchese delle Scienze, Lettere e Arti; João Cézar de Castro Rocha, doutor em Letras pela UERJ e pela Stanford University. Assessor ad hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo; Antonio Carlos Secchin, mestre e doutor em Letras pela UFRJ, Membro efetivo da Academia Brasileira de Letras; e Alexandre Faria, professor da Faculdade de Letras da UFJF, pesquisa Literatura, Identidade e Outras Manifestações Culturais, doutor em Letras; os jornalistas Manya Millen, crítica, especialista em Jornalismo Cultural. Foi repórter do Jornal O Globo cobrindo artes plásticas, teatro e dança, fazendo crítica de teatro infanto-juvenil. No mesmo jornal, também foi editora do suplemento Prosa & Verso; e Júlio Ludemir, escritor, produtor cultural e tradutor. Criou em 2012 e Flupp (Festa Literária das Periferias); as professoras Elisa Campos Machado, coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e da FBN. Foi diretora do Departamento de Bibliotecas Públicas da cidade de São Paulo; e Ana Claudia Viegas, mestre em Letras pela PUC-Rio (1991) e doutora em Antropologia Social pela UFRJ.

Clarisse Fukelman explica a importância de se fomentar o debate sobre literatura. “Para os escritores não há dúvidas. O argentino Jorge Luis Borges afirmou: ‘Sempre pensei que o Paraíso fosse uma espécie de biblioteca’. Entretanto, uma multidão se acha excluída do mundo da literatura, não capta seu papel político, sua força imaginária, sua capacidade de estimular a compreensão humana. O baixo letramento e o domínio da linguagem visual indicam a complexidade da questão”, avalia a curadora que aponta a necessidade de uma política cultural que priorize a reflexão sobre a literatura e sua reintegração aos hábitos familiares e sociais em geral.

Programação:

23 de fevereiro (terça-feira) 

19h – Mesa literatura e imaginário: Alberto Mussa e Marco Lucchesi.

  1. A palavra que voa: literatura e imaginário

O imaginário é essencial à criação artística, que se movimenta, em diferentes níveis, entre o racional e o sensível; o individual e o coletivo; o passado, o presente e o futuro. Na literatura, o imaginário estabelece, com a palavra, transgressões de linguagem, subversões, invenções, reconfigurando a realidade e conectando-se a outras artes e experiências de vida.

Participação de Alberto Mussa – escritor com proposta de fundir a tradição narrativa ocidental com relatos mitológicos de culturas afro-brasileira, arábica pré-islâmica e indígena. Obras publicadas em 17 países e 14 idiomas.  Prêmios nacionais e internacionais.

Participação de Marco Lucchesi – poeta, escritor, ensaísta e tradutor. Membro da Academia Brasileira de Letras e da Accademia Lucchese delle Scienze, Lettere e Arti. Professor de Literatura Comparada da UFRJ e de universidades da Ásia, Europa e América Latina. Prêmios: Alceu Amoroso Lima, pelo conjunto da obra poética (2008), Marin Sorescu, na Romênia e Ministero dei Beni Culturali da Itália. Obteve três vezes o Jabuti.

 

24 de fevereiro (quarta-feira)

19h – Mesa literatura e crítica: João Cézar de Castro Rocha e Manya Millen.

  1. Palavra sobre palavra: crítica e literatura

A crítica se debate entre o declínio de suplementos literários impressos e cadernos especializados, de um lado, e os espaços de circulação eletrônicos. Quem legitima a crítica? De que forma a universidade se divide entre demandas do mercado e a autonomia do pensamento acadêmico? Que obstáculos há, hoje, na interlocução entre crítica e público leitor?

Participação de João Cesar de Castro Rocha – Doutor em Letras pela UERJ e pela Stanford University. Assessor ad hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Autor entre outros de “Literatura e cordialidade – O público e o privado na cultura brasileira”, “Exercícios críticos”(2008), “Por uma esquizofrenia produtiva”(2015).

Participação de Manya Millen – Jornalista e crítica, formada pela Faculdade de Comunicação e Turismo Hélio Alonso, especialista em Jornalismo Cultural. Foi repórter do Jornal O Globo cobrindo artes plásticas, teatro e dança, fazendo crítica de teatro infanto-juvenil, tendo sido jurada de diversos prêmios de teatro, categoria infantil. Foi editora do suplemento Prosa & Verso, de O Globo (2004-2015).

 

25 de fevereiro (quinta-feira)

19h – Mesa memória e patrimônio: Antonio Carlos Secchin e Elisa Campos Machado.

  1. Modos de preservação e circulação da literatura

Há diversas formas de pensar o patrimônio e atuar em relação a ele. Por certo, não há como desvincular leitura e patrimônio literário e ambos de condições para o acesso ao livro. Entre prédios em ruínas e novas tecnologias, cobra-se do poder público clareza sobre política do livro e de difusão da literatura, a nível nacional e internacional. Enfatizamos questões relacionadas a criação e manutenção da bibliotecas, iniciativas individuais de conservação, colecionismo e valorização da literatura como patrimônio.

Participação de Antonio Carlos Secchin – mestre e doutor em Letras pela UFRJ, Membro efetivo da Academia Brasileira de Letras e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Poeta com diversos prêmios importantes.

Participação de Elisa Campos Machado – coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas e da FBN. Foi diretora do Departamento de Bibliotecas Públicas da cidade de São Paulo. Professora na Escola de Biblioteconomia da UNIRIO).

 

26 de fevereiro (sexta-feira)

19h – Mesa redonda “Novas mediações: internet, pequenas editoras e modelos de feira literária” : Alexandre Faria; Ana Claudia Viegas, Júlio Ludemir .

  1. Mediadores: editoras e autônomos na internet – mesa redonda

Apesar da democratização virtual de expressões literárias, falta definição sobre a circulação de obras, evitando a tentativa de simplificar ou censurar clássicos e equilibrando forças entre megaeditoras e pequenos selos, na escolha do que lançar e o que traduzir. Na área cultural, ciclos de debate e festivais se firmam como canais alternativos para tais discussões.

Participação de Alexandre Faria – professor da Faculdade de Letras da UFJF, pesquisa Literatura, Identidade e Outras Manifestações Culturais  Dr. em Letras. Escritor e Editor da TextoTerritório.

Participação de Ana Claudia Viegas – mestre em Letras pela PUC-Rio (1991) e doutora em Antropologia Social pela UFRJ. Professora associada do Instituto de Letras da UERJ.

Participação de Júlio Ludemir – jornalista, escritor, produtor cultural e tradutor. Criou em 2012 e Flupp (Festa Literária das Periferias).

 

MEDIADORES
Bethânia Mariani – Dra em Linguística pela UNICAMP, pós-doutorado na Stanford University, USA. Lecionou na PUC-RJ e é docente da UFF sendo chefe do Departamento de Ciências da Linguagem.

Giovanna Dealtry – Professora do Instituto de Letras da UERJ. Dra. em Estudos Literários pela PUC-Rio. Autora de “O futuro pelo retrovisor – Inquietudes da literatura brasileira contemporânea”, “No fio da navalha – malandragem na literatura e no samba”, entre outros.

Claudia Chigres – Mestre  em História Social da Cultura e Dra. em Literatura Portuguesa pela PUC-Rio. Atualmente, é professora do Departamento de Letras da PUC-Rio e do curso de Especialização Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo .Autora de  “Como se” (ficção).

Clarisse Fukelman – Doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ.  Professora no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, idealizadora da pós-graduação Leitura, teoria e prática (PUC-Rio).  Curadora de diversos eventos sobre literatura e sobre temas contemporâneos. Pesquisadora para projetos educativos. Organizou os livros “Passeios na Zona Norte”, “Conto em quatro tempos” e “Eu assino embaixo: biografia, memória e cultura”.

Ficha técnica:

Curadoria: Clarisse Fukelman e Claudia Chigres
Realização: Veredas Promoções Culturais

Serviço:

Literatura, cultura e consumo: o valor da letra

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: 23 a 26 de fevereiro (terça a sexta-feira)
Horário: 19h
Entrada franca: senhas na bilheteria a partir de meia hora antes do início do evento.
Classificação Indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

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