Karla Díbia escolheu o single Canto para ganhar clipe

No mar de doces vozes da MPB, surge Karla Díbia. Quem aí conhece o Miniconto? O duo, formado por Karla e Daniel Amaral, surge no cenário como mais uma boa opção para os que estão com sede de novidades. O primeiro single deles, Canto, já está disponível no Youtube e, no vídeo, ela aparece com roupa de ginasta cantando e dançando com uma bola.

O vídeo foi editado, arranjado, gravado e mixado pelo Daniel com equipe de filmagem da Fauno Filmes. Nele a cantora, que também compõe e toca clarinete, mostra grande afinidade com o trabalho do instrumentista que também é violeiro, professor, guitarrista e compositor nascido em São Paulo.

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Por qual motivo esse duo opta por uma música minimalista?
Temos muita influência de compositores mais voltados para o minimalismo, mas não nos encaixamos totalmente na estética minimalista ortodoxa. Optamos por uma estética direta, “relâmpago”, rápida, sem rodeios. Um pouco foi por falta de recursos mesmo: muito instrumento e muita repetição gera mais custo e como nosso orçamento era baixo, optamos pelo corte. Depois, gostamos do resultado e adotamos como uma postura criativa.

Canto foi escolhida como single por preferência pessoal ou decisão de mercado?
Karla: Preferência pessoal. Eu desejei, por muito tempo, uma música que refletisse minha ligação com a ginástica rítmica e pudesse colaborar para a criação de um clipe nesta ideia. E então veio Canto, revelando o que eu precisava.

Como chegaram ao arranjo de Canto?
Daniel: A Karla me apresentou uma música bem marcada e com uma ideia clara de que gostaria dela mais obscura. Quando decidimos trabalhar com sequenciamento MIDI, buscamos os efeitos que dessem um pouco dessa característica e harmonização coral a quatro vozes para dar suporte à melodia. A dobra de vozes foi ao acaso, enquanto gravávamos, mas que fez todo sentido em relação ao contexto.

A gravação do videoclipe foi muito trabalhosa? Contem-nos tudo.
Tivemos algumas dificuldades quanto a decidir aonde seria feita a gravação, e optamos por sugestão a equipe Fauno Filmes, de fazer no espaço Vila Hauer Cultural, que é um pequeno teatro, intimista e condizente com a proposta. Tivemos um dia de gravação, experimentando entre as filmagens qual seria a melhor, considerando que gravamos em plano-sequência para captar a coreografia sem pausa. Foi um trabalho interessante, diferente e que nos proporcionou grande conhecimento sobre direção e produção de vídeo.

 

Qual a participação da Fauno Filmes nesse clipe?
Extremamente importante. Eles já tinham gravado conosco o clipe da nossa música “Lado de Lá”, disponível no Youtube; então já tínhamos um conhecimento sobre a qualidade do trabalho. E eles foram ótimos, pacientes e participaram da criação conosco.

O som de vocês é difícil de definir ou encaixar num estilo só. É proposital?
No início não era, só depois tomamos consciência desse fato. Nós temos influências e vivências musicais diferentes e quando nos juntamos para compor, surgiu algo que não esperávamos, ou seja, que não tinha rótulo. Nós abraçamos essa característica e tomamos como principal, e hoje podemos dizer que, sim, é proposital.

Como ser ouvido num país com milhares de cantores, cantoras, etc?
Podem ser milhares, mas cada um carrega em si a sua singularidade, sua personalidade. Buscamos trabalhar com as nossas também

Quais os desafios de se fazer música independente no Brasil atual?
Conseguir canais de divulgação e recursos para todos os projetos que temos em mente.

É difícil conseguir fechar agenda em Curitiba? Como está sendo?
Extremamente difícil. Dependemos de convites de pessoas que têm uma ou outra data, dentro de um ou outro evento. Se quisermos fazer show, temos que pagar do bolso um teatro, uma equipe técnica. Ainda não é fácil, mas aos poucos vamos conseguindo conquistar nosso espaço.

Quais artistas, de diversas áreas, influenciam vocês?
Venho das vertentes mais pesadas do Metal; atualmente toco lambada e ritmos paraenses numa banda de guitarrada; ouço de Leandro e Leonardo a Xenakis; me encanto com os desenhos do Iuri De Sá (nosso parceiro ilustrador); trabalho com pesquisa em dança-música; fico abismado com o trabalho de artesanato da minha mãe; acredito que todos que passam por mim me influenciam de alguma forma.

Karla: Antes da música, tive influência direta da ginástica rítmica, que é considerado um esporte voltado à arte. Alina Kabaeva, Anna Bessonova, Almudena Cid, entre outras, foram divas da minha infância. Todos os conhecimentos que tive sobre arte e esporte, fornecidos por Graciella Nadal, técnica da Get Flex, foram de grande ajuda para a criação do “quem sou eu” hoje. Na música, me deixo emocionar pelas vozes de todos, inclusive pela do Daniel, meu parceiro. Vozes mescladas, como as do grupo Omundô-Projeto Música dos Povos, me fazem chorar. Vozes da MPB: Elis Regina, Cartola, Maysa, me dilaceram a alma. Mas adoro pop, jazz, rock; posso ouvir dez vezes seguidas o disco 4 do Led Zeppelin sem cansar, então são várias as influências.  

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